Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Em cima do lance

10 de Novembro, 2016
Nos últimos sete anos de Girabola os tradicionais clubes crónicos candidatos ao titulo no caso o 1º de Agosto com dez campeonatos ganhos e o Petro de Luanda com 15, foram relegados a segundo plano.

Os grandes responsáveis por tal “despromoção” foram o Recreativo do Libolo, que em dez anos no Girabola chamou a si o título por quatro vezes, o Interclube, por duas vezes e o Kabuscorp do Palanca com um titulo.

Antes deste período os dois colossos do nosso futebol só haviam “dispensado” o titulo por duas vezes ao 1º de Maio de Benguela e uma vez ao Sagrada Esperança da Lunda Norte. Portanto nos 37 anos de Girabola( de 1979 á 2016) em conjunto os dois emblemas conquistaram 25 campeonatos!

A influência dos dois clubes na vida futebolística do pais é tão notável que enquanto estiveram em queda livre o nosso futebol a nível de selecções regrediu e por isso se em meados dos anos 90 Angola estava entre as cinquenta melhores equipas do planeta hoje encontra-se acima da posição 130!

Mesmo a nível de clubes os nossos representantes nos últimos anos não têm ido para alem da primeira eliminatória com excepção da ultima prestação do Sagrada Esperança no presente ano. Em termos de grandeza, o 1º de Agosto e o Petro de Luanda podem ser comprados ao Barcelona e o Real Madrid em Espanha, Benfica e Porto em Portugal, Manchester United, City ou Liverpool na Inglaterra e assim por diante.

Na historia do futebol nacional depois da independência tiveram nas suas fileiras os nomes mais sonantes do futebol angolano. Estrelas como Napoleão Brandão, Lourenço, Ndunguidi, Alves, Chimalanga, Mateus César e outros pelo 1º de Agosto.

Tó Zé, Jesus, Saavedra, Chico Afonso, Abel Campos, e muitos outros pelo Petro de Luanda, marcaram positivamente a historia do Girabola e da Selecção nacional. Foi no tempo destas “feras” que enfrentavam de peito aberto as melhores selecções de África, que dava gosto ver jogar a nossa selecção.

Naturalmente muitos factores contribuíram para o perca do estatuto que os dois clubes ostentavam. No caso do Petro de Luanda, o factor económico foi um dos principais calcanhares de Aquiles para a sua queda. Habituados a orçamentos gordos as diferentes direcções que geriram o Futebol dos tricolores tiveram e têm tidos grandes dificuldades para formar um plantel a altura do seu estatuto.

As dificuldades foram tantas que em 2014 a actual direcção do clube do Catetão teve de renunciar ao estatuto que por mérito ostentava prometendo assumir-se como tal a partir de 2017.

O 1º de Agosto, também passou por momentos negros. Entretanto, já em 2006 os militares tinha a sua situação financeira sob controle e bem acautelada, mas o facto de não ter ganho o campeonato em 2007 quando tinha quase tudo para faze-lo mexeu com a anterior direcção e o resultado foi o que todos nós vimos.

Mas felizmente para o futebol nacional os dois grandes do nosso futebol tiveram uma prestação acima da media no recém-terminado Girabola Zap-2016. O Petro de Luanda, mesmo com um orçamento tremido, conseguiu formar ou vai montando uma equipa forte e competitiva.

Se em 2015 os tricolores lutaram para permanecer entre os grandes do nosso futebol, este ano as coisas foram globalmente diferentes. Com Gerson, Manguxi, Ary, Erinilson, Carlinhos, Mateus, Tiago Azulão e outros, Beto Bianchi recolocou o Petro na sua devida posição: No pódio, com a medalha de prata.

O 1º de Agosto, simplesmente fez o que lhe competia, atendendo a forma clara e convincente em que vinha jogando nos últimos seis anos. Com um futebol altamente ofensivo com jogadores letais como Gelson, Ary Papel, Gogoró, Ibokun, Buá e companhia, não poderia ter feito melhor que conquistar o titulo que já lhe fugia desde 2006.

Mas não podemos nos esquecer da influência que os dirigentes do Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca, Caála e agora do Progresso da Lunda Sul, sem desprimor para os demais exerceram na forma de pensar e gerir o futebol.

Por tudo aquilo que os militares e tricolores fizeram no recém-terminado Girabola podemos dizer que os “monstros” despertaram da hibernação e que em 2017 o seu grande objectivo será o titulo e manter o estatuto de colossos do Girabola.

Esta recuperação do 1º de Agosto e do Petro de certeza que se reflectirá nos Palancas Negras, que há muito perdeu a cultura de jogar bom futebol e de fazer bons resultados. Não foi por caso que ambos forneceram nove jogadores dos onze ideal da Rádio 5.

Mas não nos esqueçamos que o Libolo, o Kabuscorp e o agora o Progresso da Lunda Sul,(4º classificado) que este ano empurrou os Palanquinos de Bento Kangamba para a 5ª posição da tabela geral estarão ai para dificultarem ao máximo e tornar o Girabola 2017 no mais disputados de todos.
Augusto Fernandes

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