Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Em frente, marcha...

24 de Janeiro, 2010
No tempo em que andei pelo ensino primário, em companhia de muitos colegas, desejava, ardentemente, pelo momento em que, perfilados no pátio da escola, cantávamos o Hino Nacional, sob o içar da bandeira, num exercício que nos enchia de orgulho, independentemente de só mais tarde viermos a compreender a dimensão do valor patriótico que tais actos carregam para a alma de qualquer um cidadão.Compreendo agora, quão duro é para quem, por mais plausível que seja o motivo, tenha que optar em negar a Pátria que o viu nascer. Se calhar, isto faz-me compreender a razão que levou a FIFA a decidir que os jogadores, mesmo depois de defenderem as cores de uma Nação "emprestada", isto nas selecções juniores, possam optar pelo retorno à Pátria originária, enquanto seniores.Mas, o que me vem mesmo à mente como matéria para hoje, tem a ver com o tempo em que éramos chamados pioneiros da OPA, ou seja, da Organização do Pioneiro Angolano, mais tarde transfigurado em pioneiros de Agostinho Neto, ainda que para tal não fosse, a sigla OPA, transformada em OPAN.

Estes foram momentos marcantes dos quais ainda hoje me socorro para fazer valer o sentimento de amor que nutro pela minha Pátria esei que, o amigo leitor também sente algo nesta direcção, daí que não existe, de minha parte, qualquer tendência em apresentar-me como mais patriota que outros.Todavia, busco o meu tempo de "pió" para retemperar forças nas memórias da marcha que fazíamos, ao som da seguinte voz de mando: "Em frente, marcha…" E lá íamos nós, em coro harmonioso," arrastou comandó, bate o pé esquerdo..."Enfim… coisas típicas do "muangolê", que são chamadas a liça do futebol, a fim de funcionarem como valores de motivação que visam empurrar os Palancas Negras à vitória, hoje, frente a selecção do Ghana, em jogo dos quartos-de-final da 27ª edição da Taça de África das Nações em futebol, vulgo Orange Angola 2010.

E de acordo com o que se escreve no título, hoje, seguramente, teremos os Palancas Negras marchando para frente, com dispositivos certeiros rumo à vitória que pode ser mais um dado histórico para os anais do futebol angolano, depois de já o ter sido a qualificação para esta fase.Convém realçar que, numa condição em que a campanha da Selecção Nacional no CAN de 2010, se iguala ao resultado obtido no Ghana, a diferença é achada no facto de que, em 2008, Angola ter sido a segunda classificada do grupo, enquanto no presente, Angola quedou-se na primeira posição do Grupo
A em que faziam parte as selecções do Mali, Malawi e Argélia, esta rotulada de mundialista. Perante mais uma oportunidade de conquistarmos outro feito histórico, nada melhor que esta incursão a valores que considero positivos da minha infância que podem simbolizar um "doping" para os bravos rapazes cuja missão é dignificar as cores de Angola nesta festa do futebol-rei.Passando pelo Ghana, de certo que outra hipótese os Palancas Negras não terão que não seja pensar no título, afinal, estamos em casa e quem manda mesmo somos nós. Pode parecer que os níveis de ansiedade estejam descontrolados com a avalanche de peças jornalísticas produzidas em torno do apoio aos Palancas mas, verdade seja dita, de outra forma não nos podíamos portar, até porque, fala mais alto o sentimento de Pátria, ainda que muitos de nós tenham como ídolos jogadores da estaleca de Michel Essien, no caso dos ghanenses que serão as vítimas dos Palancas Negras, na primeira marcha séria rumo a conquista do Ghana.

O sentido da marcha em frente tem, por outro lado, o propósito de mostramos aos ghanenses, sobretudo a media que acompanha a selecção, que a contraponto da forma como em 2008, em sua casa, empurraram os Black Star às meias-finais, nós o fizemos ordenando "em frente marcha", nem que isto signifique "esmagar" o adversário. Fica realçado que, o termo esmagar nada carrega de negativo, pois o mesmo deve ser entendido num clima meramente competitivo, em que ficam salvaguardados aspectos fundamentais como a vida humana e, naturalmente, o fair play, como sendo essenciais para a harmonia que se promove com a festa da bola, cujo futebol é adjectivado de desporto das multidões, para além de desporto-rei. Portanto, em frente marcha...
Carlos Calongo

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