Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Em nome da honra

24 de Junho, 2019
O CAN que decorre no Egipto, devia ser disputado nos Camarões. Infelizmente este país de grandes futebolistas não foi capaz de criar as condições. E mais uma vez a Confederação Africana de Futebol(CAF) encontrou num país do Norte do continente o refúgio para salvaguardar a honra da sua principal competição.
Antes dos Camarões tinha sido o Zimbabwe a fugir da responsabilidade, apesar de se ter candidatado e ganho o direito de organizar o CAN. Muitos adeptos e jornalistas que acompanham o futebol queixam-se da protecção dada pela CAF aos clubes e selecções dos países do Norte. A explicação pode ser encontrada neste exemplo. Eles levam com maior seriedade o futebol, sobretudo no capítulo organizativo. É isso que explica as vitórias quase eternas dos seus clubes em competições continentais. É tão natural que eles dominem as organizações, como a Confederação Africana de Futebol. Quando os árabes souberam da tentativa de se mudar a sede da CAF para a África do Sul, uniram-se e mantiveram a sede no Egipto. Isso é soberania, força para defender a honra de cada um dos países daquela região. Os africanos do Norte têm se mostrado mais sérios, embora vivam tantos problemas quanto os outros da África Subsariana. O Egipto tal como muitos outros países do Norte vivem instabilidade política séria, iniciada com as primaveras e continuam com manifestações umas atrás das outras. Com atentados hoje sim amanhã também, mas assumem as coisas com serenidade e executam. Na África Subsariana basta o presidente estar doente, o país todo pára e os compromissos assumidos ficam suspensos. Isso demonstra fragilidade das instituições. O comportamento dos Camarões é vergonhoso. Aliás, tem sido desde há alguns anos. Sempre que há uma competição da dimensão mundial ou continental, a selecção entra em alvoroço. Não se ouve nada do Egipto, Marrocos, Argélia, Tunísia e tão pouco da Líbia. Não terão problemas? Como não? A resposta é que são melhores gestores das suas crises. Em menos de dois anos, o Egipto criou condições e mais uma vez lá está o CAN. Enquanto a parte Subsariana não se organizar, não me repugna nada que o próximo CAN seja outra vez naquela parte do continente, para toda uma vergonha dos países de cá, que têm sido aliás os melhores embaixadores do continente em provas como mundiais ou jogos olímpicos. Não se trata de competição entre os dois extremos de África. Trata-se de não transmitir a ideia de que desse há um todo vazio. Manifestar a incapacidade de assumir os grandes desafios do continente. Além da África do Sul, todos outros países quando se propõem organizar provas, gera-se uma confusão enorme. Esquecem-se que estas organizações geram desenvolvimento. Por exemplo, a via expressa foi concluída graças ao CAN de 2010, a estrada que liga Camama ao Golfe II idem. A explosão de hotéis também. Os aeroportos do Lubango e Catumbela assim como as melhorias ao 4 de Fevereiro foi impulsionado igualmente pelo CAN de 2010. Portanto, depois da competição ficam as infraestruturas e com elas a melhoria de vida dos cidadãos. Teixeira Cândido

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