Jornal dos Desportos

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Opinio

Em "noventa" foi pior

28 de Junho, 2016
Muitos jovens talvez não saibam. Só a " malta doutro tempo" é que ainda se recorda do camepoanto de 1990, que deu o pontapé de saída a 31 de Maio daquele ano e só terminou a 6 de Fevereiro de 1991, isto é, quase um ano depois. Lembro-me até que naquele campeonato, nehuma equipa desceu de divisão. Eram ainda 12 e a prova precisava de mais duas para serem 14 equipas, aumento que veio a surgir justamente em 1991.

Os campeonatos com 12 e 14 equipas foram mais "telegráficos", mais rápidos, melhor dito, isso, mesmo com as pausas, facto que não se verifica na verdade agora com 16 equipas. Em 1993, a prova tornou a ser de 12 equipas, mas deveu-se à guerra pós eleitoral, em 1992. Algumas cidades de provincias ficaram sitiadas, de modo que não tiveram reperesentantes para competirem na prova. Correu rápido a competição, sem muitas pausas.

A pausa de um campeonato pode ter muitas implicações, muitos reflexos: na actuação das equipas, dos jogadores, nos seus planos, mas também nos da Federação. Quer dizer, a pausa agrada a uns e prejudica outros.

No aspecto competitivo, por exemplo, pode travar o "balanço", pode arrefecer a boa forma de uma equipa, ou então, fazer daquelas que estão mal em termos de resultados afinarem-se melhor, corrigirem erros, reverem estratégias, para recomeçarem em força. Há vantagens e desvantagens. É por isso, que disse que a pausa agrada a uns e prejudica outros.

Por esta razão é que as equipas que se sentem prejudicadas, como o 1º de Agosto, uma grande candidata ao título, ou o 4 de Abril que é novata na prova, critica a Federação Angolana de Futebol, concretamente, o seu Conselho Técnico Desportivo, por acharem que a pausa abala de certa forma o calendário da época, na pré - época e os seus planos.
Consideram, que por regulamento e por lei, a Federação Angolana de Futebol, embora seja a entidade máxima do futebol em Angola, não pode ser exclusivamente a única responsável pela gestão do calendário dos jogos e do campeonato.

A 12 de Maio, a Federação Angolana de Futebol (FAF) procedeu à um ligeiro reajuste na programação, alterou ligeiramente o calendário dos jogos da 15ª jornada e então houve treinadores e dirigentes que levantaram as vozes críticas, na suspeição de que beliscasse o prazo de nove meses iniciais de todo o campeonato.

Considero, por isso, que a Federação Angolana de Futebol e os clubes devem prever e fixar melhor a agenda, de forma a não prejudicarem ninguém, salvo alterações pontuais, como a que está a dar que falar. Esta pausa serve para vermos os Palancas Negras e os sub-20 a realizarem jogos nas competições africanas, em que estão engajadas, mas a polémica está aí a rodos.

Lembro-me que antes do inicio deste Girabola - Zap, a Federação Angolana de Futebol e os clubes definiram 20 de Janeiro como data consensual para o arranque, mas houve reclamações e acertos para Fevereiro. Então significa que se todas as pausas foram contempladas não se pode agora falar em equipas beneficiadas ou prejudicadas.

O sorteio da prova, realizado no passado mês de Dezembro, determinou o arranque para os dias 13 e 14 de Fevereiro. Inclusive, ouvi o secretário-geral da Federação Angolana de Futebol, José Cardoso de Lima a dar a conhecer aos clubes outros aspectos organizativos, como inscrições, arbitragem, vistoria e credenciamento de treinadores e necessidade de acertos dos clubes sobre os horários de transmissão com a ZAP. Então onde está a "maka"?

Defendo que, se é verdade que a pausa não pode prejudicar as equipas nas metas e objectivos das equipas, essas devem aproveitar o que já está decidido, para a partir de 9 de Julhopróximo, recomeçarem com outra qualidade. O povo quer futebol de primeira água!

Na Europa, modelo do calendário de jogos, é rigorosamente feito em função do calendário da União Europeia de Futebol (UEFA) e da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), o que não é o que acontece em Angola, onde o campeonato tem um calendário equivalente ao do ano civil.

Faz sentido começar e terminar no mesmo ano, quando pelo contrário, nos campeonatos europeus, ou até mesmo na maioria das ligas africanas, a competição pára durante os meses de Junho e Julho, só arranca em Agosto?

Portanto, em minha opinião, se não houver consensos neste aspecto, um dia ainda podemos viver, como disse acima, o que se passou há 26 anos, ver o campeonato começar num ano e terminar no outro.

António Félix

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