Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Empate de vergonha punido...em dlares !

01 de Abril, 2019
Por tudo aquilo que ocorreu no tal jogo polémico da 17ª jornada, quem viu com olhos de ver...não teve dúvidas que o 1º de Agosto e o Desportivo da Huíla corriam mesmo o risco de perder três pontos mais uma multa que, sabe-se agora, são de cinco mil dólares pelos “3-3- da vergonha”.
Deu para ver, naquele dia, naquele jogo... \"três equipas\" em campo, isto é, um 1º de Agosto a defrontar \"dois do Desportivos\", porque havia neste uns jogadores a darem o litro para a vitória e outros a facilitar a vida aos militares. Pareceu batota autêntica!
Não percebo nas hostes do 1º de Agosto e do Desportivo da Huíla a falta de conformismo, face à decisão tomada pela Federação Angolana de Futebol. Não compreendo, por que não assentou ainda a humildade, nos dois clubes. De facto, gerar mais protestos. Porquê?
Eu entendo que o castigo imposto pela Federação Angolana de Futebol ao 1º de Agosto e ao Desportivo da Huíla foi mesmo devido à desconfiança do empate (3-3). Sobrou a ideia de que houve acordo nesse sentido. Pareceu uma mentira, uma batota, uma inverdade desportiva .
Faz-me recuar no tempo e pensar na literatura desportivahelenica sobre a má fé do lutador grego chamado Eupolos que, há milhares de anos, subornou três dos seus adversários, para os ganhar. Foi o que aconteceu. Pareceu isto também naquele desconfiado Desportivo da Huíla -1º de Agosto.
Há quem avançou na altura a ideia de repetir-se o jogo, mas não cabe nos regulamentos. Por isso, tudo o que se passou na Huíla apontava, e bem, para a penalização que acaba de acontecer.
Porque não foi muito agradável para a imagem do futebol nacional aquela “batota” que habilitou alguém a informar às instituições de direito no país - quiçá, mesmo africana e mundial - que foram observadas graves irregularidades protagonizadas pelas duas equipas à vista do árbitro.
Enalteço r com alegria a posição da Federação Angolana de Futebol. Deu sinal de que cumpriu com a promessa de castigar batoteiros quando for necessário. Antes, temia que não acontecesse.
Antes do pontapé de saída deste Girabola ouvi o presidente da Federação Angolana de Futebol, Artur Almeida, a \"ameaçar\" que nesta época a sua instituição irradiaria até árbitros e dirigentes corruptos.
Quando fez a promessa, cá para mim, em conversa com os meus botões, recordei que já tinha ouvido bastas vezes este \"papo\" e nada se fez. Por essa razão fiquei na dúvida, isto é, se a \"garantia\" tinha pernas para andar ou pelo contrário e, como se diz, apenas \"conversa para boi dormir\" . Agora fico com a percepção que se entrou para a rota da boa vontade: punir o jogo baixo, sobretudo agora, que se dá combate à corrupção em todas as esferas.
Diz-se que alguns jogadores foram corrompidos. É verdade ou mentira? Difícil, certamente é provar, mas o certo é que a corrupção desportiva é um crime. Não vale a pena fingir que não existe. Aliás, se Artur Almeida na altura buscou o termo corrupção é porque sabe que existe.
Os jogos ganham-se de forma limpa. O 1º de Agosto bastas vezes chorou quando se viu prejudicado em provas domésticas e nas competições africanas.
Por falar disso, vem-me à memória o ano de 2018 em que, por pouco, estaria nos oitavos de final da Liga dos Campeões se não fosse largamente prejudicado, no estádio Rades, em Túnis, pelo árbitro líbio chamado Walid Salah Tamoumi e os seus compatriotas Foued Maghrebi e Brahim Farkec, perante 21 mil espectadores, ao entregaram vitória (2-1) ao Esperance local.
A eliminação do 1º de Agosto diante do adversário que já tinha defrontado em 1998 não se deveu à falta de capacidade técnica e táctica, mas, sim, ao quarteto que chegou a expulsar o avançado militar Zola Matumona que ameaçava fazer a historia do jogo ser escrita de maneira diferente com a passagem da sua equipa.
Mais recentemente foi a vez do árbitro zambiano Janny Sikazwe fezer o 1º de Agosto chorar, levando-o agir perante a Confederação Angolana de Futebol e a Federação Internacional de Futebol Associado que atenderam e consideraram válido o protesto \"militar\" às ocorrência dentro e fora do jogo na 2ª mão da Liga dos Campeões Africanos no desafio com o mesmo Esperance de Túnis.
Mudando de assunto, encorajo o Petro de Luanda a não chorar por estar a ser-lhe difícil regressar ao \"trono\" de campeão. Nada na vida permanece para sempre. Os grandes castelos também caem. Há exemplos mil de líderes de Estados e organizações que acabaram assim Há milhares de anos o império romano ruiu depois de um milénio e cerca de 1200 com imperadores como Júlio César, Octávio Augusto, Pompeu, Crasso, Marco António e muitos outros!
E até os partidos políticos, caem: o Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México quedou depois de governar longos 71 anos. A então União Soviética só durou 74 anos.
É por esta razão lógica que vimos o maior imperador do futebol africano, o camaronês Issa Hayatou, a deixar de ser o soberano da Confederação Africana de Futebol quando, inesperadamente, para a felicidade de toda a África, ele perdeu as eleições na Confederação Africana de Futebol ao somar apenas 20 votos contra 34 do ousado mas bem sucedido malgaxe Ahmed Ahmed.
De 1988 a 2017 foram logo 29 longos anos deste homem que em 2000 derrotou o nosso angolano Armando Machado. Lembram-se?
Mas, enfim, já deu gosto ver o novo técnico espanhol do Petro de Luanda, Toni Cosano, dizer que está motivado e disposto a levar à sua equipa a defrontar, amanhã, o Bravos do Maquis no Estádio Mundunduleno. Significa que a luta pelo título está de pé. António Félix


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