Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Encantos e desencantos pontuais do nosso desporto

16 de Setembro, 2017
O desporto, no geral é uma vertente social que arrasta multidões e inflama paixões. Ao inflamar paixões, necessário se torna fazer-se sempre uma gestão apertada das emoções e procurar estar sempre balizado dentro de normas e procedimentos legais, habituais e urbanos.

Felizmente, no nosso desporto todos esses aspectos têm sido observados à risca, embora, por vezes existam algumas excepções que a própria regra prevê. Por causa destes pressupostos, a nível nacional o desporto nacional ganha estaleca e fortalece a cada dia mesmo com alguns revezes pelo meio que na maioria dos casos nos ferem o orgulho e nos trazem desencantos.

Hoje, neste espaço farei abordagens sobre aspectos variados que acho serem chamados à reflexão para que continuemos a pensar que os nossos pés estão de facto assentes no chão e que o crescimento de muitas das disciplinas do nosso mosaico desportivo não queimam etapas, antes pelo contrário, a pirâmide está em pé e a base alargada continua a ser a aposta nos escalões de formação. Refiro-me com orgulho e satisfação particularmente ao andebol feminino. Um encanto que se recomenda.

Depois da conquista do ceptro africano em seniores, as nossas juniores, como que \"imitando\" as mais-velhas, triunfaram recentemente em Abidjan, Costa do Marfim, no campeonato africano, onde passeou classe e exalou o perfume do nosso andebol cuja \"cultura\" é ganhar, ganhar, ganhar.

Um \"vício\" bom que começa em tenra idade e que tem prerrogativas de se manter. Tudo porque, nos principais clubes, a aposta nos escalões etários é um facto evidente. Mas, aqui, permitam-me dizer que para além de a Federação Angolana de Andebol ter essa perspectiva, há que tornar possível que se aumente o número de praticantes e, por via disso de mais clubes, mais províncias e alargar, naturalmente o crescimento sustentável da modalidade.

Contudo, bem-haja Pedro Godinho e pares que no capítulo de gestão global em tempo de crise tem de facto sabido arranjar artifícios que garantam inclusive mais-valias em termos de resultados palpáveis sem esquecer naturalmente a cientificidade que estes aspectos requerem, sendo para um verdadeiro encanto um exemplo a seguir. As cadetes femininas que disputam prova africana, vêm acumulando vitórias e podem, deste modo, tornar real o sonho de Godinho, que s traduz em conquistar a hegemonia total no andebol feminino africano, isto em todos os escalões. Estamos contigo, Godinho!

Noutro particular, gostaria de destacar a ascensão competente que tem tido o nosso Leonel da Rocha Pinto a nível do desporto adaptado. Um dirigente desportivo de mãos cheia. Um \"gentleman\" no dirigismo desportivo nacional, reconhecido \"intra\" e extramuros.
Depois de ter sido, em Abril último reeleito por dirigir com brio a estrutura continental (Comité Paralímpico Angolano), eis que há dias foi eleito membro executivo do Comité Paralímpicos Internacional (IPC) com 84 votos dos 163 possíveis. Uma soberba vitória para o nosso desporto que assim alcança muitos ganhos, desde diplomáticos, desportivos, de marketing, entre outros.

Da Rocha Pinto tem assim oportunidade de puder estimular nuances para que, no âmbito do dinamismo e perspicácia que se lhe reconhece, encontrar vias expeditas para continuar a implementar as reformas no Comité Paralímpico Africano, de organização interna, formação de formadores, técnicos, fisioterapeutas entre outros e, como executivo no IPC, atrair financiamentos para que os Comités Paralímpicos do continente berço se revitalizem.

Desta forma, Leonel estará a estimular que, pelo menos em Angola, surjam mais Sayovos e com isso mais alegrias e, obviamente, mais medalhas de ouro. Medalhas de ouro que reforçam a nossa auto-estima. Que nos conferem orgulho e que estimulam o aumento de praticantes do desporto adaptado numa missão diplomática de bons ofícios ao desporto adaptado, para encanto de todos angolanos.

Falando dos feitos relevantes que fizeram o nosso desporto, não podia deixar de fazer referência ao quinto lugar alcançado pelo combinado nacional de hóquei em patins em seniores masculinos, nos recém-terminados Jogos Mundiais da Patinagem que decorreram na cidade chinesa de Nanjing. Foi soberbo. Nos demos ao luxo de \"espetar\" goleadas históricas. Ainda assim, Hirondino Garcia e seus pares, na cúpula da Federação da modalidade, apesar do feito dos seniores, não saem ilibados de culpas devido a falha clamorosa que cometeram ao permitirem a ausência dos sub-20 numa prova internacional. Foi o defeito notado à bela. O tal desencanto.
MORAIS CANÃMUA

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