Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Encomendar as faixas de campeo

16 de Setembro, 2013
Se ainda pairavam dúvidas em relação à consagração do Kabuskorp do Palanca como campeão antecipado da edição de 2013 do Campeonato Nacional de Futebol da 1.ª Divisão, Girabola, as mesmas ficaram dissipadas no passado sábado, depois de, para a 23.ª ronda, o seu mais directo perseguidor, o 1º de Agosto, ter profetizado uma “ajudinha” ao empatar a um golo, no Estádio Nacional da Cidadela. Com o empate alcançado, quando faltam sete jornadas para o fim da competição, é pouco crível que o líder Kabuskorp do Palanca, que possui mais doze pontos que o segundo classificado, o 1.º de Agosto (57/45), não alcance os nove pontos necessários para atingir o título inédito na mais importante competição futebolística nacional a nível de clubes.

Mesmo adivinhando-se um ponta final escaldante, em que as equipas tudo vão fazer para alcançar o maior número de pontos possível, parece certo que Bento Kangamba e a sua equipa podem encomendar as faixas de campeão e pôr o champanhe a gelar. O Kabuskorp do Palanca tem tudo para jorrar o champanhe, depois de alguns resultados menos conseguidos (empates) - a equipa ainda não perdeu -, por ter alcançado uma diferença abismal de pontos em relação aos seus mais directos perseguidores.

Isso tudo aliado ao facto de, para a 23.ª jornada, o 3.º classificado, FC Bravos do Maquis, não ter conseguido mais do que um nulo no terreno do aflito Atlético do Namibe, A conquista de um título de dimensão nacional é o culminar do esforço do colectivo (atletas, técnicos, dirigentes, corpo clínico, pessoal de apoio e administrativo e massa associativa), durante uma época. O clima de ansiedade e de expectativa passou a fazer parte do quotidiano da família palanquina, pois as condições para a festa de arromba, dentro dos limites da convivência sã entre as pessoas, estão criadas.

O certo é que o empate no passado sábado entre o líder e o vice-líder, não obstante o mesmo ter acontecido com FC Bravos do Maquis, aumenta o despique pelo 2.º lugar, que permite a participação na edição de 2013 da Liga dos Clubes Campeões de África, sem descurar que, no fundo tabela, a curiosidade é saber-se quais as equipa que vão para a Segundona. As coisas estão difíceis em função dos resultados no campeonato dos aflitos. Por exemplo, o triunfo (1-0) do ASA (Atlético Sport Aviação), em NDalatando, diante do Porcelana FC do Kwanza–Norte, serve para confirmar o que atrás está escrito.

No que à conquista da segunda vaga à maior competição da Confederação Africana de Futebol (CAF) diz respeito, a pressão competitiva e psicológica centra-se no 1.º de Agosto e no FC Bravos do Maquis, que pelo posicionamento na classificação são as equipas melhor posicionadas para alcançar tal aspiração. É preciso que se saiba que apesar de ter já meio caminho andado para a conquista do título, e de acordo com os seus dirigentes, constitui objectivo da formação do Palanca, nas jornadas que ainda faltam para a prova atingir o seu epílogo, entrar com a mesma determinação que sempre a caracterizou e não “dar mole”, como costuma dizer-se, nem facilitar a vida aos adversários. Leonel Libório

TINTA DA MINHA CANETA
Urge definir o futuro


De uma vez por todas é prioritário que se defina o que se quer para os Palancas Negras no futuro. Enquanto continuar a existir muita intermitência ou não se definir uma política clara sobre o que se pretende para a Selecção Nacional, dificilmente Angola vai lograr alcançar bons resultados em qualquer competição que almeja disputar.O processo de renovação iniciado por Romeu Filemon deixou de ser um facto, para dar-se ênfase à obtenção de resultados desportivos que permitam a participação regular do país nas mais diversas competições internacionais. É neste quadro de ambiguidade, entre a necessidade de renovação da selecção e a presença em diversas provas, que caminha o futebol de alta competição no que aos Palancas Negras diz respeito.

O trabalho que se deu início na “era” Romeu Filemon não teve o acompanhamento de medidas complementares, como a definição clara do que se quer para a Selecção Nacional em médio, curto e longo prazos. A selecção está a competir para rejuvenescer e potenciar o seu futebol ou está a fazê-lo com o objectivo de estar presente nas grandes cimeiras do futebol continental e mundial?

Que trabalho existe a nível das selecções jovens, sub-23, sub-20, sub-17 e sub-15 para que estejam em permanente competição e daí retirarem-se os melhores jogadores para alimentar a Selecção de Honras? É possível falar de renovação dos Palancas Negras sem que as selecções que o alimentam estejam a trabalhar e a competir?

Quando estas questões depois de discutidas e clarificadas em fórum próprio e por pessoas que entendem e conhecem da matéria, melhores resultados se podem almejar do futebol angolano num futuro não muito distante. O processo de renovação se não tivesse coincidido com as fases de apuramento ao CAN-2013, que decorreu na África do Sul, e do Mundial, a ter lugar no Brasil, em 2014, talvez as coisas hoje seguissem um rumo diferente.O desejo por resultados imediatos falou mais alto e o processo de renovação foi ultrapassado pela euforia de vermos os Palancas Negras nas duas competições. Para concretizar o “projecto” voltou-se a recorrer a jogadores com idade avançada em detrimento de jovens que deviam aproveitar para ganhar experiência quer ao longo da fase de qualificação, quer na fase de competição propriamente dita.

Angola teve uma presença em campeonatos do mundo, em 2006, na Alemanha, e sete participações em fases finais do Campeonato Africano das Nações (CAN), em 96, 98, 2006, 2008, 2010, 2012 e 2013. Essa trajectória provavelmente cria alguma relutância nas pessoas de aceitarem que abdiquemos, por um tempo, dessas provas para organizarmos internamente tudo o que esteja mal. A direcção da FAF convive com este dilema e ao mesmo tempo com essa pressão: apostar só na renovação ou continuar a competir para estar nas grandes cimeiras do futebol. Quando se tiver coragem suficiente para a tomada de uma única posição ou decisão, bem fundamentada, muita coisa vai mudar para melhor no futebol angolano, em particular na Selecção Nacional. MÁRIO EUGÉNIO

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