Jornal dos Desportos

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Opinio

Entre a competio e diplomacia desportiva

26 de Outubro, 2019
Mais do que uma presença numa competição de dimensão mundial, a participação da selecção angolana de futebol na categoria de Sub-17 no Campeonato do Brasil é, acima de tudo, um acto de dimensão incomensurável e transcendente.E isto porque encerra igualmente um exercício de diplomacia desportiva, numa altura em que o País empreende uma fuga para frente, no que a sua reabilitação económica diz respeito já que se abre ao mundo para “namorar” potenciais investidores a “ajudarem” a desenvolver as suas potencialidades.E convenhamos reconhecer que Angola é um país com imensa história desportiva, em pouco menos de 43 anos de independência. Muitos, na prova, de certeza perguntarão e procurarão saber de Angola...
Por isso, tal como vimos a participação do nosso país, em 2001, no Campeonato do Mundo de Futebol em Sub-20, na Argentina e a da Selecção de Honras, no Mundial da Alemanha, em 2006 e o efeito multiplicador que trouxe a nível interno, assim devemos encarar à de esses rapazes, que no Brasil mostrarão ao mundo.O nosso vigor, a nossa vontade de vencer e, sobretudo a nossa forma de ser, a nossa ginga, vitalidade, cultura e (...) claro está, o nosso futebol.
Os angolanos amantes do futebol e no geral têm consciência que é uma prova difícil onde pontificam os melhores. Mas, ainda assim, tendo como referência o trajecto desta selecção treinada por Pedro Gonçalves, que tem feito um trabalho de continuidade, nos confere alento e alguma esperança em fazer furor, mesmo que os adversários sejam a Nova Zelândia, Canadá e o próprio Brasil, que é o país anfitrião.
Tudo isso, tem como referência exclusiva, o Campeonato Africano das Nações (CAN) da categoria que Angola disputou na Tânzania onde conquistamos a medalha de prata. Aí ficara já patente que de facto temos selecção. Temos um conjunto coeso e capaz de disputar o jogo pelo jogo com quaisquer das selecções do nosso grupo.
Aliás, a Taça Cosafa e o recente torneio organizado pela UEFA e FIFA ressaltam isso e nos conferem garantias imensas. Por isso, o combinado nacional deve aproveitar bem a condição de “outsider” (desconhecido) para os demais concorrentes do seu grupo.
E neste sábado, quando os ponteiros do relógio apontarem para 20H00\' no Brasil (meia-noite de domingo já Angola), os nossos Palanquinhas disputaram no estádio Bezerrão, em Brasília, o jogo contra o Nova Zelândia, referente à primeira jornada do grupo A do Campeonato do Mundo de futebol em Sub-17.
Seja derrota, vitória ou empate, os nossos rapazes já ganharam. Muito pela estreia na competição à luz de imensos holofotes de ribalta.Ganharão por entrarem numa montra bastante apetecível por agentes vários (até piratas e sem escrúpulos) que, de certeza irão lançar mãos aos nossos talentos no sentido de rentabilizá-los, na qualidade de activos que são.
Por outro lado, independentemente deste primeiro jogo (diante da similar da Nova Zelândia, na madrugada deste domingo), Angola terá mais dois, pelo menos nesta primeira fase, diante do Canadá, no dia 29 do corrente e do Brasil, no dia 1 de Novembro, no estádio Olímpico de Goiânia.
De certeza que Geovani, Porfírio, Vicente, Maestro, Capita, David, Nelinho, Zito Luvumbo e outros integrantes do plantel dos Palanquinhas, tal como na Tânzania, tudo farão para honrar a camisola do combinado nacional e fazer jus ao talento que possuem, tudo na perspectiva de saírem de cabeça erguida da competição e estarem, sobretudo, “na boca do mundo”.
Nesta altura, necessário se torna conservar, cada um deles, a humildade característica, a calma, baixos níveis de ansiedade e, manterem o foco.O foco na competição. Isto é muito importante! A Selecção Nacional em Sub-17 tem assim em mãos, a soberba oportunidade para honrar o nome do País e demonstrar ao mundo que por essas bandas, também há futebol e (…) tem muitos talentos.
À distância, acompanhemos os nossos rapazes na superação dos obstáculos e na conquista do mundo de futebol. Um recado interessa deixar no sentido de que os mesmos não se percam, já que muitos deles serão os futuros componentes da selecção de honra caso a continuidade seja assegurada com os critérios universalmente aceites.
Por isso, quero deixar aqui a minha palavra de honra de que, estou realmente com a selecção na perspectiva de que tudo corra com grande distinção e excelência. Só assim seremos respeitado no mundo.Só desta forma, seremos respeitado e galgaremos terreno rumo à conquista da África do futebol…e quiçá, do mundo. Bem-haja! Morais Canãmua

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