Jornal dos Desportos

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Opinio

Esperana africana

16 de Junho, 2018
Ontem, segundo dia de competição, a sorte não esteve ao lado dos africanos. Egipto e Marrocos, saíram derrotados por 1-0 e quase nas mesmas circunstâncias. Ou seja, com os golos que ditaram a fatalidade a ocorrerem no tempo adicional. Começar bem dá sempre outro gozo. Renova a esperança na conquista dos objectivos definidos. Eleva a motivação para a empreitada seguinte, e nos compele à conquista da confiança de quem, estando de fora, revela, se calhar, algum cepticismo quanto à nossa prestação.
Infelizmente, não foi isto que aconteceu com os representantes africanos. O curso, quer de um quer de outro jogo, mostrou que os Deuses do futebol não são deste continente. Afinal em termos de jogo jogado, o Egipto esteve bem ao nível do Uruguai, assim como o Marrocos também não ficou nada a dever ao Irão ao longo dos 90 minutos de jogo.
Oxalá, não seja uma sina para todas as equipas africanas. Espera-se que a Nigéria, que entra hoje em campo, não tenha sorte igual. A África, resumida a cinco representes na maior cimeira do futebol mundial, num contraste com a sua extensão geográfica e demográfica, precisa mostrar que não é bem um \"parente pobre\" e isto passa, necessariamente, pela revelação de uma outra postura competitiva.
E mais: o continente precisa mostrar ao mundo níveis de crescimento permanente, sob pena das suas excelentes prestações serem tomadas por casuais, e resultantes de uma expiração momentânea. Pois, selecções africanas há que já encantaram em campeonatos mundiais, mas que depois disso não conseguiram repetir o mesmo desempenho em edições seguintes.
À guisa de exemplo, em 1990, na Itália, os Camarões se apresentaram na prova com um futebol de laboratório, vergando na primeira partida a Argentina por 1-0. O mundo, incrédulo, por pouco desabou. Pois, a Argentina tinha descido ao relvado do Estádio Olímpico de Roma na qualidade de campeã mundial, e como se não bastasse, tinha no plantel o idolatrado Maradona, o Deus do futebol no México\'86. Entretanto, a equipa não voltou, até hoje, a ter a mesma prestação em campeonatos do mundo.
Na verdade, e para quem se lembra, os \"Leões Indomáveis\", apareceram na Itália com uma máquina demolidora, que encontrava a sua expressão máxima na liderança do veterano Roger Milla, na capacidade explosiva dos irmãos Oman e Nkana Bihik e no poder defensivo de Antoine Bell, além de outros activos como Makanaky, Mfedé, Kundé e outros.
O facto de terem levado um campeão rendido aos seus pés, passaram a infundir algum temor aos adversários, tendo, em sede disso, passado a primeira fase, os oitavos-de-final até se acharem ufanos e garbosos nos quartos-de-final. O relato sobre a sua eliminação causa, ainda hoje, lágrimas a quem vivenciou aquele jogo contra a Inglaterra. Tinha sido a melhor prestação africana em campeonatos do mundo.
Depois daquela classificação (quartos-de-final), só 20 anos mais tarde na África do Sul, em 2010, o Gana de Asamoah, Ayew, Boateng e outros logrou repetir a façanha. Resumindo, a África espera muito dos seus representantes. E longe de cair em desânimo, em face da desdita que tiveram ontem Egipto e Marrocos, deve acreditar que a inversão do quadro ainda é possível. Hoje entra em cena a Nigéria.

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