Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Est (mais do que) na hora de apostar no marketing desportivo

15 de Maio, 2017
“ Os chineses estão a investir no desporto como negócio. O que nós em Angola devemos fazer é tornar o desporto também um negócio. Se isto acontecer, garanto que trarei chineses para comprarem os clubes angolanos. Temos de nos organizar para provar que, de facto, vale a pena investir aqui. Neste momento, não há condições para os chineses investirem nos clubes angolanos. Devemos antes transformar os nossos clubes em Sociedades Anónimas Desportivas (SAD)”

O parágrafo anterior é \"copy paste\" da resposta à ultima pergunta da entrevista feita a Manuel Arnaldo Calado, presidente da Câmara de Comércio Angola-China, ao jornal Valor Económico na sua edição de 28 de Novembro de 2016.

Arnaldo Calado, como é assim conhecido, é uma figura do desporto nacional que, por ironia do destino, chegou a desempenhar o cargo de presidente de direcção do Sagrada Esperança da Lunda Norte.

Tratou de apresentar, ao dizer o acima, os argumentos suficientemente claros e imbatíveis sobre a opção na busca de outras fontes de financiamento para o desporto nacional que vale a pena traduzi-los de outra forma.

Quem ainda defende que o modelo de financiamento do Estado ao desporto nacional, consubstanciado em subsídios dependentes, que chegam a rondar os mais 95% por intermédio do Orçamento Geral do Estado, deve continuar a ser de cumprimento obrigatório ou mais ou menos facultativo, deve ter perdido, ou até já ter sido ultrapassado, pela noção do tempo e espaço, de que o desporto por hoje, em escala mundial, tem sido absorvido por elementos e ferramentas fundamentais, que por si só, lhe dão desenvolvimento, crescimento e auto-sustentabilidade, tais como o marketing, o planeamento estratégico, a gestão entre outros factores \"sine qua non.

Noutras partes do mundo, do mesmo globo terrestre em que vivemos, vai se tornando hábito e “vício” o facto de gestores desportivos, ao invés de andarem com as mãos estendidas para os seu governos, lamentarem que as suas instituições desportivas “estão de tanga” e que acabam por ficar “nuas, ninguém reclama”,trazendo e acrescentando ao desporto os elementos da lógica económica, fazendo-a com a missão de que o desporto assuma o seu próprio destino e rumo!

Entende-se que no nosso caso haja no actual momento uma certa dificuldade em lidar-se com a crise económica que se arrasta há cerca de três anos.
Ma não é o fim do mundo, apenas é um novo contexto normal ao qual temos de nos acostumar e perceber, de uma vez por todas, que temos de seguir outros caminhos, que há vida além da crise.

Numa altura em que está a se chegar ao ponto em que clubes, associações e federações desportivas vão vivendo do fluxo mensal do caixa, que em muitos casos, e em muitas paragens, vão registando saldos bastantes exíguos, senão vazios, não valerá a pena conhecer, estudar e entender bem o funcionamento desse negócio chamado desporto, quando há gente no mundo inteiro há ganhar muito dinheiro com o mesmo?

Ao unir o consumo, a paixão, o interesse, a mediatização e, sobretudo, a emoção como factor distintivo, o marketing desportivo tem como principal função gerar oportunidades de negócios no desporto, usando-o como poderosa ferramenta na busca de novos métodos e estratégias de marketing para quem está no mundo dos negócios e deseja que o mesmo flua e traga retornos dos investimentos feitos.

E assim o desporto gera receitas por atrair investimentos e mais consumo para as marcas que nelas se associam!

É verdade que a nossa realidade ainda é distante de mercados como os europeus, americanos e por ai fora, mas é muito mais real que o desporto nacional, pela sua naturalidade e originalidade, tem uma grande margem de progressão para ser valorizado como negócio, em áreas como o merchadising, direitos televisivos, comunicação estratégica explorando vários formatos e plataformas.

Então porque não começar já, para evitarmos correr mais adiante, como normal e naturalmente gostamos de fazer?

Afinal o tempo embora seja um recurso inesgotável, não é renovável e pouco escasso quanto ao seu uso!
*GESTOR EXECUTIVO do Fórum Marketing Desportivo
Nzongo Bernardo dos Santos

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