Jornal dos Desportos

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Opinio

Estamos a caminho da China... em 2019

28 de Novembro, 2017
Desportivamente falado, o fim-de-semana angolano ficou marcado com a disputa, no pavilhão multiuso do Kilamba, da primeira volta da qualificação ao Campeonato do Mundo de Basquetebol em sénior masculino, que daqui à dois anos, ou seja, em 2019, será realizado na República da China.
Angola, Egipto, Marrocos e República Democrática do Congo, disputaram o referido torneio que marcou também o regresso do cinco nacional em termos de competir em solo pátrio, três anos depois, facto que terá contribuído para a efervescência vivida no pavilhão que nos três dias teve boa casa, o que atesta a verdade de quem advoga que basquetebol é segunda modalidade de muitos angolanos. Em 2014, Luanda acolheu o torneio internacional, denominado Arquitecto da Paz, com a participação dos Camarões, Misto de Jogodres dos Estados Unidos, selecção de esperanças para além da Selecção A.
Talvez seja por este facto que pouco ou quase nada se ouviu da Assembleia da Associação Provincial de Futebol de Luanda, que planeava aprovar o relatório de balanço, planos de actividades para 2018, bem como os regulamentos de competições e disciplinas, que apenas acontecerá em no próximo dia 16 de Dezembro.
Por esta e outras razões, existem mais razões (passe a redundância) para preenchermos o espaço de hoje com basquetebol que, reconhecemos, não é, por excelência, a praia em que melhor mergulhamos, e apesar disso não nos submetemos à nenhum tipo de proibição em termos de abordagem de matérias da bola ao cesto, quanto mais com os poucos motivos desportivos internos com relevância noticiosa.
E da prestação do combinado nacional, se tivermos que encontrar um denominador, para além do pleno em termos de vitórias, seria o facto de estar visível a implementação de um processo de renovação, com indicadores positivos de jogadores como Gerson Domingos, Yanick Moreira, Leandro Conceição, para além de outros que futuramente poderão integrar a selecção.
Dos jogadores atrás citados, sem desprimor para outros, foi notória a entrega e desejo de assumirem um lugar no cinco inicial, explorando, de facto, a frescura física que já vai faltando a certos jogadores da estaleca e experiência reconhecidas de Mingas, Cipriano, Reggie Moore, só para citar estes.
Deve ficar claro que a análise é superficial, por razões várias, dentre elas o facto da equipa ter trabalhado apenas durante treze dias, às ordens do técnico de nacionalidade norte americana, William Voigt, indicado para a empreitada parcos dias antes da competição em causa.
Depois da pálida imagem deixada no último Afrobasket exigir mais seria orgulho desmedido e um exercício divorciado da lisura e comedimento ético que se recomenda em situações do género, até por que devemos contribuir para a criação de estabilidade psico-emocional, necessárias em processo de renovação que são, sempre, delicados.
Entretanto, até a concretização da presença de Angola no mundial da China, nada ainda está ganho, até por que existe um longo caminho a percorrer, urgindo a realização de um intenso e profundo trabalho a ser realizado, e que deve contar com a ajuda de todos que auguram o melhor para a selecção nacional.
E por aquilo que nos foi dado a ver pelos adversários, Angola terá de suar a camisola, sobretudo na segunda fase que será disputada em Junho de 2018, no Magreb, concretamente no Egipto, um palco sempre difícil para os adversários, dos quais o cinco nacional é sempre um alvo a abater.
Aliás, outra coisa não se pode esperar, considerando o equilíbrio registado em todas as partidas (em nenhuma delas Angola ganhou com diferença de dois dígitos), o que obriga a serem retiradas muitas ilações e sobre elas trabalhar, na perspectiva de não sermos surpreendidos nas próximas fases, em que não teremos as cerca de doze mil almas que apoiaram o cinco nacional.
É certo que muita coisa pode e vai melhorar, bastando para tal uma harmonia de esforços nas acções a empreender para que o sucesso seja alcançado com sabor colectivo, confortados pela existência de massa humana que dispomos em quantidade e qualidade, considerando ser o maior dos recursos para se atingir qualquer desiderato.
CARLOS CALONGO

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