Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

Estamos preparados!

09 de Junho, 2015
Para vencer no futebol, como em tudo na vida, é preciso contar à partida com duas coisas: sorte e talento. Mais importante ainda, em minha opinião, torna-se indispensável estar preparado para que nada nos surpreenda, deve adoptar-se sempre uma atitude em que se conjugue de uma forma clara, confiança e respeito.
Agora que os Palancas Negras voltam a estar em acção, depois dos fracassos mais recentes, no próximo sábado à tarde na cidade do Lubango, diante da RCA para as eliminatórias de acesso à fase final do CAN/2017, vou “meter o nariz” para falar em exclusivo da nossa Selecção e da convicção sobre o comportamento e desempenho, apesar de algumas contrariedades, as ausências de Freddy e Rudy, por lesão.
A Selecção Nacional dispõe de talentos mais do que suficientes para ultrapassar esta fase e chegar ao Gabão, e daí para a frente seja o que Deus quiser, numa tarefa gigantesca é certo, que pode ser simples como revelar-se difícil.
Tudo vai depender, obviamente, do modo como a encararmos, aqui a sorte pode ser determinante, como já foi nos CAN/2012 no Gabão e Guiné Equatorial e de 2013 na África do Sul, como todos nós bem sabemos e como todos nós muito bem nos lembramos, pela negativa, diga-se.
A nossa hora da verdade está aí, no sábado, no estádio da Tundavala, no Lubango, no jogo com a República Centro Africana. Porque tenho consideração futebolística pela nossa equipa e absoluta confiança na sua capacidade, porque acredito no trabalho de Romeu Filemon e no dos nossos jogadores, não só creio que estamos devidamente preparados para o primeiro grande desafio como defendo a ideia de que temos o dever e a responsabilidade de contribuir para o reforço da qualidade futebolística, para nos colocarmo-nos num lugar de destaque no grupo, em que se incluem ainda a RDC e o Madagáscar.
Depois dos constantes fracassos da Selecção Nacional, o povo angolano está na expectativa. Querem saber como vai comportar-se o “onze” que vai começar mais uma empreitada continental. No futebol ter 11 jogadores em campo, não significa nada. São apenas 11 partes do todo. Todos eles jogam em equipa, como eles se relacionam? Quais são os comportamentos dos jogadores, o que os faz agir como um conjunto? Uma série de questões que todos queremos ver no sábado.
Se um jogador não souber sequer distinguir o que é organização defensiva ou ofensiva de transições, talvez a equipa não seja capaz de relacionar-se como um sistema, como um comportamento colectivo, que se consegue no treino. Aliás, isto foi visível não só na edição de 2012, no Gabão/Guiné Equatorial e um ano depois na África do Sul.
A experiência (tenho o curso de treinador de futebol e dirigi o Juventude do Prenda nos finais da década de 70, para além de ter jogado nos juniores e seniores do Sporting da Maianga) diz-me que no futebol de hoje, já não importa fintar, correr com a bola ou tirar 150 ou mais cruzamentos por jogo.
Antigamente resistiam os mais fortes. Hoje, no futebol como na sociedade, resistem os mais inteligentes. Ao treinador, cabe organizar a equipa, criar um comportamento colectivo e único. Os jogadores devem entender para materializar esse comportamento, a bem deles mesmos. Isto para dizer que começar com uma vitória é sempre animador. Mesmo a jogar casa, o combinado nacional não pode desprezar a RCA, pode ser fatal. Os centro -africanos ocupam o modesto 144º lugar na hierarquia da organização que superintende o futebol a nível mundial, contra o 88º de Angola.
Quererá isto dizer alguma coisa? Questiono. Não, e vou dar um exemplo. Vamos usar duas equipas. Uma está recheada de bons jogadores, mas tem uma desorganização tremenda. A outra equipa, é composta por jogadores medianos, mas todos reagem, ocupam o seu espaço de forma equilibrada e com comportamentos consistentes. Qual será a equipa que pode vir a ter maior desempenho? A segunda, certamente.
Que isso sirva de reflexão aos nossos jogadores. As camisolas vão mesmo pesar a quem não tiver a maturidade e a experiência devidas. Romeu Filemon tem a palavra. Estou errado? Se sim as minhas desculpas. Mas é apenas o meu apelo. Até à próxima terça-feira.

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