Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Estar no CAN no s futebol

06 de Junho, 2019
A “troca de mimos”, em haste pública, -entenda-se nos meios de comunicação social -, recentemente promovida pelo presidente de direcção da Federação Angolana de Futebol e a ministra da Juventude e Desportos, foi um acto à todos os níveis censurável, elevado da polidez a que os gestores públicos e não só se obrigam no seu melhor, pelas responsabilidades sociais que as funções que exercem lhes confere.
Mais do que tentativas de afastar das suas jurisdições, eventuais responsabilidades, que punham em risco à participação dos Palancas Negras, no CAN do Egipto, os discursos de ambos denotaram elevada dissonância entre os órgãos, que subsidiariamente devem estar alinhados, a considerar a complementaridade das atribuições de cada um, que no fundo resvala para um bem comum.
A deselegância protagonizada por ambos, teve o condão da falta de obediência ao princípio de prudência, que se recomenda em situações em que o melhor que se pretende é e apenas isso mesmo, a manutenção do valor que o desporto, de modo geral, e o futebol, em particular, representa para qualquer sociedade.
Em miúdos, podemos classificar a “novela FAF-MINJUD” como das que perante a ausência de pão, em casa, todos ralham e ninguém tem razão, para além da expressão da ignorância de certos postulados da comunicação institucional, que deve ser entendida como uma ferramenta estratégica da gestão moderna.
Nisso, há que ter elevado cuidado com a “vaidade”, que se apoderou de muitos gestores cá da praça, pensam que dirigir por intermédio da aparição constante na média, leva as pessoas a classificar o trabalho desenvolvido, como positivo, o que não é bem assim.
Neste particular, vai uma gratuita chamada de atenção pública, à todos que têm exagerada apetência em aparições na média, que nem sempre ficam bem na fotografia, como foi neste caso em que o desenlace arrolou a titular do Ministério da Juventude e Desportos, pelas piores razões, que em última instância pode custar-lhe um ralhete de quem de direito.
A provar o que acima se diz, é o facto de que em pouco menos de 48 horas, depois do pronunciamento que colocava em risco a presença dos Palancas Negras no CAN, as razões de impedimento foram removidas, o que pressupõe que não foram antes esgotadas as possibilidades de diálogo, com vista à solução harmoniosa do assunto.
Podemos, em outra linha de análise, considerar o discurso da FAF como um instrumento de pressão, que deu os resultados esperados, bem como saudar o responsável pela inversão do rumo das coisas, o que pressupõe que alguém compreendeu que jogar no CAN, não é apenas um exercício que se encerra nos acontecimentos no rectângulo do jogo.
Aliás, a interpretação da presença de qualquer selecção numa prova internacional, deve atingir, na expressão máxima, a representação do país e dos seus símbolos, bem como considerar o valor político, diplomático, económico, cultural etc., que o desporto é capaz de promover em condição de valia, para qualquer Estado.
Se calhar, tem alguma serventia recordar à quem se julga tocado por este exercício, que Angola participou das fases finais do CAN e até mesmo do Mundial de 2006, com “os problemas que andamos com eles”, à exemplo do paludismo, da malária, da falta de água potável, energia eléctrica, deficiente saneamento básico, seca etc., e nem por isso, deixaram de merecer a atenção dos governantes.
Deste pressuposto, mais do que apontar culpados ou encomendar razões, o importante é unir forças para que sejam criadas as condições possíveis e necessárias, para que os Palancas Negras realizem um CAN tranquilo, que os resultados venham a orgulhar os angolanos, sem excepção, e que no final (bom que sejamos os vencedores), nos manifestemos de todas as formas possíveis, sem se pôr de parte uma eventual mensagem de felicitação do punho da ministra, como aliás nos habituou em outras tantas ocasiões conquistas, que elevam o nome de Angola no contexto das Nações. Carlos Calongo

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