Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Carlos Calongo

Este (no) foi o ano da FAF

30 de Dezembro, 2019
Mais um período de 365 dias se abeira do fim. Com ele vão as histórias. Algumas boas e outras nem tanto. As verdades e/ou mentiras se justificam de acordo a pretensão dos seus autores. Como de costume, o tempo é para o balanço que se impõe entre a linha do proposto e do realizado.
A intenção é sempre, e diferente não seria, “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, palavra de ordem que, apesar de emanar da política propriamente dita, bem se encaixa e tem serventia nos demais sectores da vida social angolana, que está em vias de reconfiguração.
Sem margem de dúvida, os casos do futebol e do basquetebol são, das instituições desportivas, as que mais precisam corporizar e operacionalizar o sentido e alcance da máxima política acima evocada, pela simples razão de serem as modalidades que mais mexem com as emoções dos adeptos, sem desprimor para as demais.
Se por hipótese alguém perguntar o que de bom ocorreu no futebol angolano ao longo do ano que dentro de algumas horas passara à história, claro que a resposta, se for dada de modo desapaixonada, apresentará um quadro em que os aspectos negativos irão sobrepor-se aos positivos.
E como propõe a dialéctica da vida, um defeito entre noventa e nove virtudes pode ser motivo bastante para abordagens diferentes e demoradas, sendo que a verdade pode prevalecer como razão de todas as partes, desde que bem fundamentadas.
Ousando responder a questão acima enunciada diríamos, sem margem para dúvidas, que 2019 não foi o ano do futebol angolano, sobretudo da FAF, apesar das oportunidades que existiram para que algo de bom fosse feito pelo elenco que dirige o futebol angolano.
Em fundamentação da nossa opinião, marcamos como ponto de partida a o CAN disputado no Egipto, desde a sua concepção aos resultados de campo, considerado um mau pecúlio, por aquilo que foi a composição do grupo, em que teoricamente os angolanos tinham a obrigação de fazer mais e melhor.
Entre o trabalho de casa (mal feito) à atribuição de culpas a quem menos as mereceria, a operação Egipto, para lá das querelas que dividiram jogadores, equipa técnica e até mesmo profissionais da comunicação social, produziu como efeitos nefastos, entre outros, o afastamento do técnico Vasiljevic, que durante o tempo em que esteve em frente dos Palancas Negras construiu um grupo que dava alguma esperança para o porvir.
Como tudo, claro, imperou a lei do empregador que, infelizmente, na realidade angolana, é por alguns interpretada de forma depreciativa para o prestador de serviço ou se preferirem, empregado, situação que motiva muitas vezes o rompimento do vínculo, como foi o caso em apenso, fora de outras questões objectivas.
E nisto, de remendo em remendo, justificado da forma que o elenco da FAF julgou ser a única razão e solução, a Selecção Nacional foi entregue à Pedro Gonçalves, que aproveita e agradece a “falida”, para a construção do seu curriculum, enquanto treinador de futebol, que seguramente valerá alguma coisa quando deixar de ter Angola como local de trabalho.
Falar de casos como o do Capita, da Ambulância no jogo Progresso do Sambizanga e Desportivo da Huíla, da prometida conferência de imprensa pós CAN do Egipto, etc, se é que adianta alguma coisa, talvez seja não perder tempo com elas, que ficam bem na página passada à história.
E sobre o basquetebol e o senhor Hélder de Jesus “Maneda”, secundado por alguns poucos membros do seu elenco que preferem “adoçar a pílula” em relação a verdade do estado da modalidade, o que nos ocorre dizer não pode ser melhor que isso: Maneda é um caso para esquecer e ponto, neste caso, é mesmo parágrafo final, com votos de boas saídas e boas entradas.


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