Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Este Progresso engrena quando?

18 de Abril, 2017
Aqueles que conhecem a minha paixão pelo futebol nacional sabem que ligo-me ao Clube Desportivo 1º de Agosto e, quanto a isso penso, já ter dito tudo, ao ponto de eliminar qualquer eventual dúvidas que o assunto possa suscitar, apesar de não ser possível eliminá-las por completo, pela lei da vida.

Penso que também já terei dito em várias circunstâncias que nutro alguma simpatia pelo Progresso do Sambizanga, isto por contágio do meu falecido pai, de quem absorvi o sentimento pela equipa então designada Juventude Unida do Bairro Alfredo, da qual emanou o actual Progresso Associação do Sambizanga.

Por isso, qualquer confronto entre Progresso Associação do Sambizanga e o Clube Desportivo 1º de Agosto (não interessa a ordem de precedência), mexe comigo, provoca-me fortes emoções, independentemente da posição que elas ocupam na tabela classificativa, no momento da disputa do jogo, bem assim como o estado de forma desportiva.

Daí que obrigo-me a assistir aos jogos entre as duas equipas, pois, mais do que isso, é um derbi quase sempre de resultado imprevisível, assim como aconteceu neste domingo, pontuável para a décima jornada que saldou-se numa goleada favorável aos militares do rio seco, que “assaltaram” a primeira posição.

Pelo desempenho que a rapaziada do antigo bairro Alfredo tem demonstrado ao longo da época, poucos vaticinavam uma goleada por expressivos 4-0, números que há muito não eram alcançados no duelo entre estas que são das mais emblemáticas equipas da história do futebol angolano.

A título de recordação, apesar de nos últimos anos serem poucas as vezes que o Progresso Associação do Sambizanga derrotou o 1º de Agosto, os resultados favoráveis aos militares do Rio Seco nunca estiveram tão desnivelado como o de anteontem, aliás, na última década, nunca nenhuma das equipas havia sofrido ou marcado 4 golos.

Desta constatação, e considerando o resultado de atípico, dentre muitas, ocorre-me as seguintes questões: o que terá acontecido ou está a acontecer aos “rapazes” de Paixão Júnior? Para quando a engrenagem do Progresso do Sambizanga?

Tenho consciência de não fazer sentido questionar uma época apenas por um jogo ou uma derrota mas, o receio que tenho vem do que ouvi depois do jogo, que a semana de trabalho do Progresso esteve marcada por certas irregularidades que provocaram - aqui falo eu -, estragos a nível emocional.

De soslaio, foram feitas revelações que levam os mais atentos a compreenderem que alguma coisa menos boa está a acontecer nas hostes dos comandados de Kito Ribeiro, à quem reconheço competência profissional e atribuo a paternidade do ADN do actual formato de jogo do Progresso, coisa que já o disse publicamente.

Oxalá tais coisas menos boas tenham sido apenas acidente de percurso na semana do jogo frente ao militares, pois temo que o pior possa acontecer e provocar o desmoronamento deste projecto do clube que, parece-me, tem pernas para andar e atingir o bom porto.

E acredito que, como eu, há tanta boa gente a esperar que de uma vez por todas o Progresso engrene e conquiste os resultados desejados, nem que seja o tão apregoado quarto lugar que foi um dos emblemas da campanha eleitoral que catapultou Paixão Júnior à presidência da direcção do clube.

Posto isto, fecho este texto com a pergunta que ainda não encontrou resposta e seguramente continuará sem ela por mais algum tempo: Quando é que, de facto, o Progresso do Sambizanga irá engrenar e conseguir os resultados à altura do seu estatuto histórico? Carlos Calongo

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