Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Esto a copiar (bem) ou a inventar muito (mal)?

10 de Setembro, 2018
Quero começar este artigo com uma questão aparentemente simples, mas que gera muita polémica, e quiçá pode fazer rolar muita água (ou no caso muita tinta) debaixo dessa ponte.
Será que o Petro de Luanda, o 1º de Agosto, o InterClube, têm em funcionamento de forma real os departamentos ou direcções de marketing dentro das suas estruturas orgânicas, ou existem apenas a funcionar oficiosamente no Eixo-Viário, no Rio-seco ou no Rocha-Pinto?
Sempre que coloco a minha massa cinzenta, a pensar nessa questão, não consigo deixar de pensar, nas palavras do presidente do glorioso Benfica de Lisboa, o senhor Luís Filipe Viera, que num contexto financeiramente tão adverso e de profunda crise económica que Portugal estava a atravessar, disse o seguinte:
\" O marketing é a saída. As competições exigem muito de nós e se quisermos estar no top precisamos de ter e de fazer dinheiro. Os direitos televisivos poderão ser cada vez menores, por causa da força e do poder das novas tecnologias. Outros meios implicariam cobrar mais dos nossos sócios ou vender patrimónios, o que nós não queremos fazer.
Temos de procurar recursos via marketing. Elas são a alma e coração dos negócios para o glorioso Benfica\".
Porém, no nosso caso, apesar dos “gloriosos” Petro de Luanda e 1º de Agosto terem cá fora, em plena \"luz do dia\", a funcionar as suas áreas de marketing, lá dentro tudo vai acontecendo \"as escuras\", de forma paradoxalmente ao inverso da roda que há muito já foi inventada.
E das duas, uma, ou o Petro de Luanda, o 1º de Agosto e o Inter Clube, não se importam com a \"mina\" de dinheiro que perdem, porque eventualmente, ainda devem ter algum para tirar do fundo com algum poço ou então estes departamentos ou direcções de marketing actuam de forma grotescamente amadora!
Ainda mais num país de que volta e meia nos orgulhamos de dizer que é um país que desportivamente \"movimenta paixões e inflama multidões\"!
E fique bem claro que não estou-me referindo a factores de campo, como jogadores, padrões tácticos, títulos, etc, mas, sim, quanto à forma com que vendemos ao povo angolano, de Cabinda ao Cunene, e do Mar ao Leste esta nossa soberania dentro das quatro linhas!
A título de exemplo, a cada início de época do Girabola, onde o Petro de Luanda, e o 1º de Agosto perfilam como os mais sérios candidatos ao título, fica cada vez mais provado que os mesmos \"desconseguem\" evoluir tanto fora das quatro linhas, como dentro delas.
Sempre que paro aos finais de semana, para assistir alguns jogos da Liga sul-africana de futebol, que por sinal em relação ao Girabola, não é o meu campeonato favorito, pois prefiro sempre o nosso campeonato pelas especificidades culturais, históricas e territoriais, fico cada vez mais impressionado com o ABISMO existente entre o futebol sul-africano (que por sinal não é o desporto-rei por aquelas bandas) e o futebol praticado em Angola!
E mais uma vez, deve ficar bem claro para o leitor, que neste artigo não estou-me referindo á qualidade técnica dos jogos e dos jogadores. Mas a forma como os sul-africanos gerem o negócio chamado futebol, dando-lhe azo e espaço para ter um domínio cada vez mais crescente no mercado do entretenimento, onde o objectivo fulcral é conquistar e fidelizar consumidores, quer sejam amantes do desporto ou não, elevando a receita dos clubes e garantindo o fortalecimento das marcas desportivas dentro e fora dos campos.
Mas olhando, para o pouco feito e o muito por fazer, por parte de quem faz parte das direcções ou departamentos de marketing, dos clubes mencionados bem no início do artigo, fica a clara sensação de um verdadeiro espírito de inércia e inacção dos profissionais dos referidos departamentos, quer em termos de estratégia e de planeamento, nem que para o caso pudessem copiar bem os bons exemplos feitos lá fora, mesmo que em miniatura, ao invés de supostamente procurarem inventar mal determinados procedimentos, por razões várias vezes equivocadas, como a falta de dinheiro!
É verdade que marketing não se faz sem dinheiro, assim como é mentira que é preciso muito dinheiro nos envelopes para se fazer marketing!
Enfim, a tão almejada e desejada mudança esperada em termos de marketing desportivo, no desporto nacional de uma forma geral, e no nosso futebol de uma forma bem particular só ocorrerá quando decidirmos que é hora de reinventar, começando por olhar para os adeptos e fãs do desporto como consumidores, que merecem respeito, e que precisam ter suas expectativas atendidas de maneira satisfatória, sempre!

*Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo

Zongo Fernado dos Santos

Últimas Opinies

  • 24 de Setembro, 2018

    Cartas dos Leitores

    Tem sido um campeonato com altos e baixos e com alguns pontos negativos. A desistência do JGM, na última edição, acabou por manchar o campeonato, mas acabamos por remediar.

    Ler mais »

  • 24 de Setembro, 2018

    Girabola vai a sorteio

    Por entre a alegria da qualificação do 1º de às meias-finais da Liga de África dos Clubes Campeões, o que em última instância acaba por beneficiar o  próprio futebol angolano.

    Ler mais »

  • 24 de Setembro, 2018

    Com vontade de Deus sem...Cabaa de feitio!

    Deixem-me,propositadamente, apresentar-vos, augusto leitores, que este senhor da fotografia, à direita desta página, é o presidente do TP Mazembe , o senhor Moise Katumbi.

    Ler mais »

  • 24 de Setembro, 2018

    Quando a onda leva um camaro acordado!

    No penúltimo final de semana do mês de Julho, desloquei-me propositadamente àquela que é considerada a nova catedral do futebol nacional, o Estádio 11 de Novembro.

    Ler mais »

  • 24 de Setembro, 2018

    Se o amanh no existir?

    Sobre a qualificação do 1º de Agosto, parece-me estar tudo espremido, ainda que os festejos possam se prolongar até ao próximo jogo.

    Ler mais »

Ver todas »