Jornal dos Desportos

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Opinio

Estreias e despedidas na Taa Vitorino

17 de Outubro, 2017
Mais uma vez, defronte ao computador, senti um momentâneo bloqueio mental em relação ao assunto para esta habitual tertúlia à terça-feira.
Com ele, a obrigatoriedade de honrar o compromisso e oferecer uma alternativa de leitura ao augusto leitor com quem assumimos um sacramental voto de presença semanal neste espaço, e para ele, nenhum valor tem qualquer espécie de justificação por eventuais incumprimentos.
Contrariamente ao sentimento do parágrafo de abertura, num ápice senti cair-me às mãos um conjunto de vários assuntos que, por outro lado, promoveram alguma dificuldade na eleição do tema prioritário para a abordagem de hoje, passados que foram sete dias, desde que falamos sobre o estado lamurioso em que se encontram os estádios do Chiazi e da Tundavala.
A propósito, espanta-me que até ao momento, o silêncio continua a ser a opção de quem, por direito, deve dizer alguma coisa em relação ao que se pensa fazer para alterar o estado dos referidos campos de futebol, erguidos às expensas de dinheiros públicos, e diga-se de passagem, não foi pouca “massa”, que aplicadas em outras necessidades, se calhar, melhor serventia seria delas retirada, mas, enfim.
E porque a vida não espera por ninguém, antes pelo contrário, proponho-me falar de basquetebol, fugindo da praia de costume, o futebol, em que melhor mergulho.
Na intromissão à área que outros escribas, melhor que eu, dominam, falo da nona edição da Taça Victorino Cunha, disputada entre os dias 12 e 14 de Outubro, e que foi ganha pelo 1º de Agosto, que de resto, é o maior vencedor da competição que já entrou para o roteiro das provas do basquetebol angolano.
Por si só, a vitória do clube anfitrião nada tem de valor elevado, pelo que o facto ganha relevância na recuperação do título por parte dos militares, num momento em que a equipa enceta uma reestruturação do seu plantel que perdeu uma das peças fundamentais que marcou os largos anos de triunfos e glória dos militares. Refiro-me à Joaquim Gomes \"Kikas\", que colocou ponto final à carreira enquanto jogador, mas continuará ligado a modalidade e ao clube, assumindo funções administrativas, no caso, director para o basquetebol do clube onde terá conquistado o que melhor possui no seu currículo desportivo.
Mais do que isso, a vitória dos militares fica marcada pelo regresso do técnico Paulo Macedo, que substituiu o seu substituto e, para começar, pode-se considerar como tendo dado resposta positiva ao que se espera dele nesta segunda oportunidade, que não passa por outra coisa que não seja a conquista das provas em que o clube militar estará envolvido.
Melhor que isso, a vitória foi conquistada ante o seu maior rival, Petro de Luanda, que apresentou-se com uma equipa composta maioritariamente por jovens com alguma irreverência que, no nosso entendimento, merece aplausos, por reflectir a aposta do clube de Tomás Faria, na formação que à seu tempo será, seguramente, recompensada.
Considerar a quantidade de jovens lançados pelos petrolíferos como presas fáceis das feras que andam nisso, faz tempo, é um exercício que cabe apenas na cabeça de quem não viu desabrochar nesta edição do torneio Victorino Cunha, o potencial que existe nos garotos lançados à mais alta-roda do basquetebol nacional.
Por outro lado, novidade também foi a participação da equipa do Sport Libolo e Benfica, cuja estrutura de jogadores é a incarnação do CR Libolo, que para sermos mais precisos mudou apenas o rótulo, mantendo o produto.
Da nova equipa ficou a impressão de que não será tão fácil repetir a proeza da edição anterior em que passou por todos com a máxima facilidade, como faca quente em manteiga, mas é uma questão de tempo, afinal, está-se em fase de pré época.
Finalmente, outra nota saliente tem que ver com a nomeação de Carlos Almeida, para o cargo de Secretário de Estado do Desporto, uma aposta que, pessoalmente, considero justa, se tivermos que olhar para o facto de que a vida do antigo capitão da Selecção Nacional ter sido quase inteiramente dedicada ao desporto, propriamente, o basquetebol.
Expresso, desta tribuna pública, o meu voto de apoio incondicional ao agora Secretário de Estado para o Desporto, à quem desejo êxitos e bom trabalho, e que possa ajudar a devolver ao desporto angolano, o que de melhor já teve em tempos idos. Bem-haja.
CARLOS CALONGO

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