Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Eu sou Palanca Negra....

21 de Julho, 2017
É senso comum que são as virtudes que levam à conquista de simpatias, assim como são os defeitos que concorrem ao divórcio das companhias. A teoria tanto se aplica aos homens como às entidades colectivas. No mundo do desporto as equipas só atraem assistência quando em compensação conseguem proporcionar espectáculo que pela qualidade possa agradar. Fora isso, não há lugar para a empatia.

No caso particular do nosso país temos vindo a assistir, de há algum tempo a esta parte, a uma relação, quase morna, para não dizer fria, entre o público e a Selecção Nacional de futebol, que, contrariamente ao basquetebol, causa mais desilusões e alergias que outra coisa, revelando-se quase sempre incapaz de contornar um adversário, mesmo sendo oriundo de país sem expressão futebolística.

Na verdade, o futebol tem sido o inverso daquilo que representam o basquetebol e o andebol feminino, que são uma garantida fonte de alegria e orgulho dos angolano, ou se preferirem, o bálsamo para o alívio das dores de maleitas emocionais causadas pelo desporto-rei. A causa fundamental poucos conseguem explicar ao detalhe, mesmo depois de ter dado lugar a uma Conferência Nacional.

Este factor tem afugentado o público ao estádio sempre que a Selecção joga, acabando por não reunir uma assistência à dimensão aceitável. O público perdeu aquele entusiasmo dos anos 80, em que não se falava em jogadores profissionais idos de outros países, mas era praticado um futebol vistoso e alegre que encantava a toda assistência.

De resto, os angolanos não serão de memória tão curta a ponto de se terem já esquecido das enchentes que a Selecção de Carlos Alhinho atraia para a Cidadela Desportiva nos anos 90. Ainda está viva na minha memória a capacidade explosiva daquela equipa que nos levou ao CAN\'96. Era, realmente uma afinadíssima orquestra que encontrava a sua expressão máxima na capacidade defensiva de Marito, bem guarnecido por Neto e Helder Vicente; na criatividade de Paulão e Jony e na habilidade e apurado faro a baliza de Akwá.

Mais para cá, já com Oliveira Gonçalves, ainda tivemos também uma Selecção digna deste nome, responsável pela primeira presença de Angola na fase final de um campeonato do mundo (Alemanha\'2006). O que veio depois disto, foi uma estiagem sem comparação, uma acentuada crise, lá para não dizer um verdadeiro deserto, onde é audível o chilrear dos pássaros, mas não se vislumbram raízes futebolísticas.

Em todo o caso precisamos passar por cima de tudo isso, e acreditar que da mesma forma que se sucedem as estações temporais, os Palancas Negras podem conhecer uma nova aura e desferir um violento golpe à crise. Eles precisam do calor de todos nós. Domingo teremos que nos despir deste espírito despersivo e ajudar o país a ultrapassar mais uma etapa da sua empreitada rumo ao CHAN\'2018, quanto mais não seja também uma forma de ajudar na reconquista do seu prestígio.

Com bandeiras, cachecóis, vuvuzelas e outros instrumentos(não contundentes) levemos boa casa ao 11 de Novembro e a equipa se sinta motivada a lograr o seu objectivo competitivo. Somos angolanos, somos Palancas Negras...
Matias Adriano

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