Jornal dos Desportos

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Opinio

Ex-desportistas enlutam o pas

13 de Julho, 2019
O desporto angolano acaba de perder dois ex-atletas, que enquanto praticantes se revelaram como verdadeiros esteios quer da modalidade de basquetebol, quer do futebol. Falo de Avelino Silva “Pipas” e de João dos Santos Almeida “Chinho”, que ao serviço da modalidade da «bola ao cesto» e do rei-futebol notabilizaram-se, quer nas equipas por que passaram, quer a nível de Selecções Nacionais.
Pipas, filho do lendário ciclista Alberto “Pepino”, faleceu domingo último em Benguela, sua terra natal, vítima de paragem cardíaca, circunstâncias semelhantes a que ceifou também a vida do seu pai. O malogrado atleta notabilizou-se no basquetebol, ao serviço das formações do 1º de Agosto e do Benfica de Portugal. Além desses dois emblemas, representou em algumas ocasiões também a Selecção Nacional.
Falecido aos 51 anos de idade, após deixar de jogar, o malogrado basquetebolista abraçou a carreira de treinador, tendo passado pelas equipas do Sporting de Benguela, 1º de Maio e do Crisgunza, emprestando aí a experiência que acumulou como praticante. Pipas, foi a enterrar na passada quarta-feira no cemitério da Camunda, em Benguela, local onde curiosamente repousam também os restos mortais de seu pai.
Além da veia desportista, o antigo jogador do 1º de Agosto e do Benfica de Portugal, evidenciou também inclinação em relação a escrita. Isso ficou patente na obra intitulada “Pipas”, que lançou no ano de 2005. E, pelo contributo dado à causa do desporto angolano e do basquetebol, a título particular, Avelino Silva ou simplesmente Pipas, merece a devida homenagem com vénia. Deve, enfim, ser visto como alguém que parte para outra dimensão, mas que nos deixa como legado a sua grande obra.
De igual modo, o ex-futebolista Chinho deve ser referenciado pelo contributo dado, enquanto praticante, ao desporto-rei. O ex-craque faleceu segunda-feira, na zona da Sapu II, município de Viana, Luanda, vítima de disparos de arma de fogo, presumivelmente após uma tentativa de assalto, quando seguia sozinho na sua viatura.
Fontes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) revelaram que após sair de casa, em Viana, o ex-jogador de 37 anos apercebeu-se que estava a ser perseguido por dois indivíduos numa motorizada. Na tentativa de livrar-se dos mesmos, seguiu por uma estrada de terra batida, onde viria ser vítima do bárbaro acto. As reais causas da sua morte são ainda desconhecidas, segundo o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior (Minint), Mateus Lemos Rodrigues.
Chinho era dono de uma classe invulgar no futebol e por isso notabilizou-se, quer ao serviço do Petro de Luanda, onde foi forjado como talento, quer a nível de outros emblemas, como o Sagrada Esperança, Santos FC, equipa adstrita à Fundação Eduardo dos Santos (FESA), e do Recreativo do Libolo. Chegou a ser campeão do Girabola pelas equipas do “Eixo-Viário”, diamantífera da Lunda Norte e da encarnada de Calulo.
Igualmente campeão africano de Sub-20, na Taça das Nações da categoria realizada em 2001 na Etiópia, o talento de Chinho começou a evidenciar-se muito antes. Em 1999, sob orientação de Luís de Oliveira Gonçalves, participou no Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub-17, na Guiné-Conacry e tendo a par de outros companheiros como Mantorras, Mendonça, Lamá, Dedas, Gilberto, Miro, Ângelo, Igor, isto só para citar alguns, se saído bem na fotografia e para dois anos mais tarde se sagrar, então, campeão africano de Sub-20. Eu, particularmente, tive o grato prazer de trabalhar por este jornal com muitos destes jogadores, quando evoluíram depois para a Selecção Nacional de Sub-23, sempre sob comando de Oliveira Gonçalves.
E Chinho era, indubitavelmente, um dos jogadores que passara pelas Selecções de Sub-17 e de Sub-20, que posteriormente deu cartas na de Sub-23, designada também Olímpica. Lembro-me que o ex-craque do Petro de Luanda e da Selecção Nacional, brilhou ao lado dos já referenciados Mendonça, Lamá, Gilberto, Miro, assim como de Miloy, Rasca, Kikas, José Augusto e tantos outros, que só perderam a carruagem para os Jogos Olímpicos de Atenas, por um escasso golo consentido na deslocação a Rabat, Marrocos, frente a selecção local, num jogo disputado em Março de 2004.
Chinho revela-se como um dos grandes esteios desse conjunto, que depois deu suporte a Selecção Nacional de honras, que, igualmente sob comando de Oliveira Gonçalves, viria a qualificar-se para o Mundial de 2006, realizado na Alemanha.
O malogrado médio-ofensivo teve ainda o mérito de desfilar no Mundial de Sub-20 disputado na Argentina, ao lado de estrelas notáveis como Lionel Messi, Arjen Robben e outras, em que a campanha de Angola teve, também, grande visibilidade. De resto, a par de Avelino Silva “Pipas”, o malogrado futebolista João dos Santos Almeida ou simplesmente “Chinho”, merece ser homenageado pelo contributo dado quer a nível de clubes, quer das várias Selecção Nacionais em que desfilou. E mais ainda: os autores do acto bárbaro que ceifou a sua vida, em pleno dia de aniversário de uma das filhas e de quem algumas pessoas dizem ter ouvido como últimas palavras “Até já, depois falamos”, devem ser responsabilizados e punidos exemplarmente. É, enfim, tão chocante e marcante a morte de Chinho, cujo primeiro filho, de 19 anos, apercebeu a notícia da ocorrência, de uma maneira triste: numa legenda que corria no rodapé do programa “Giro Desportivo”, da TV Zimbo. É chocante de facto e por isso que se faça a devida justiça, por esta acto que se qualifica a todos os títulos como hediondo.
Sérgio.V Dias

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