Jornal dos Desportos

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Opinio

Existe ostracismo no desporto Angolano ?

19 de Outubro, 2017
No decorrer da história humana, o mundo do desporto tem servido de trampolim a centenas de praticantes, para tornarem-se celebridades, astros, ou até mesmo, uma espécie de “deuses” para os seus admiradores. Assim, em modalidades como o atletismo, basquetebol, fórmula 1, futebol e outras, existem nomes que a história jamais apagará.
Por exemplo, no futebol mundial, o destaque vai para Pelé, Maradona… e agora, Messi e Cristiano Ronaldo. Estes nomes, dificilmente, serão apagados da história, pela influência que exerceram a nível do mundo.
A história mundial já não fala de estrelas, como Mané Garrincha, George Weha, Marco Van Basten, Boniek, Burrochaga, Paolo Rossi e outros. E porquê ?
A história do desporto em Angola, também produziu, dezenas de estrelas. Foi assim, com Ângelo Vitoriano, José Carlos Guimarães, Jean Jacques, Gustavo da Conceição, no basquetebol, Napoleão Brandão, Pedro Garcia, Chimalanga, Akwá e outros, no futebol, e tantos outros no andebol, atletismo e em outras modalidades.
Entretanto, enquanto alguns desportistas do passado que escreveram com letras de ouro o nome para o progresso do nosso desporto, continuam visíveis e com um nível de vida acima da média, outros que tiveram o mesmo desempenho na mesma época, praticamente desapareceram sem deixar rasto, ou encontram-se como que do outro lado do muro a reclamar a sorte que a vida lhes reservou.
Por exemplo: Onde andam, e como estão antigas glórias do basquetebol, como Sidrack, Ângelo Vitoriano, Boneco ouVítor de Carvalho? Como estão os antigos craques do futebol, como Sayombo, Amândio, Santinho e Saavedra? Estamos a falar de personagens de duas modalidades, porque ia faltar-nos espaço para falar de outras centenas de antigas glórias do nosso desporto.
Alguns ex - praticantes do nosso desporto, que se enquadram na categoria de estrelas, e muitos de seus admiradores acham que o seu desaparecimento do mundo do desporto, deve-se ao ostracismo que é imposto, por pessoas de seu tempo ou novas, que assumem posições de liderança nos seus respectivos clubes ou Federações.
Por isso, tais indivíduos lamentam, aos quatro ventos, que deviam ter um tratamento melhor, em função do que fizeram pelo desporto nacional, até porque, na sua opinião, muitos dos que hoje ocupam cargos de destaque no dirigismo desportivo, são autênticos “pára-quedistas” em tais modalidades desportivas.
Mas o que é ostracismo? Certo dicionário define ostracismo, como o isolamento ou a exclusão. É o afastamento imposto ou voluntário de um indivíduo do meio social, ou da participação em actividades que antes eram habituais. Uma forma de ostracismo acontece com alguma frequência no meio artístico, quando o profissional se desliga do público, é por vezes, completamente esquecido.
Em função da definição, o que podemos dizer: existe ou não ostracismo no desporto angolano? Certo dirigente desportivo, que foi um grande jogador de basquetebol, é de opinião não existe ostracismo imposto no nosso desporto angolano.
Outros argumentam que todas as antigas glórias do nosso desporto, bem ou mal, foram pagos pelos seus serviços e por isso, dizem eles, deviam acautelar o seu futuro com o que ganharam, e não têm nada que lamentar.
Assim , na opinião deles, os “choros e lamentações” de tais glórias, não tem fundamento. Foram pagos e ponto final. Eles (as antigas glórias) que tivessem mais juízo. Além do mais, como era possível um clube como um Petro de Luanda ou 1º de Agosto, ter de prestar atenção a todos os ex - craques que por lá passaram?
Ainda existe o caso de pessoas que abandonaram o desporto, e voltaram para as suas profissões anteriores.
Ou, por força das circunstâncias, tiveram de abandonar o mundo dos desportos, e acabaram por cair no esquecimento (ostracismo involuntário ). Entretanto, ex- desportistas, como Carlos Almeida, José Carlos Guimarães, Tony Sofrimento, Gustavo da Conceição, Jesus, e outros, continuam com uma certa visibilidade. Porquê? Porque continuaram ligados ao mundo do desporto, por mérito próprio, ou por conveniência.
Diante destes argumentos, a que conclusão se pode chegar? Existe ou não ostracismo, no nosso desporto? Por exemplo: os jogadores do 1º de Agosto ou de um outro clube, que fizeram as suas carreiras desportivas nos anos oitenta, tinham condições de assegurar o seu futuro, com o que ganhavam?
A julgar pela diferença abismal, que existe em termos de salário, de um jogador do 1º de Agosto ou do Petro de Luanda da actualidade, com os dos anos oitenta, podemos dizer que seria impossível acumular dinheiro para conduzir as suas vidas de forma mais digna.
Além do mais, naquele tempo, as equipas não se preocupavam com a segurança social dos seus jogadores.Contudo, existem casos de antigas estrelas que fizeram mau uso dos activos que conseguiram ao longo da carreira, e acabaram na indigência, por indisciplina. A vida era um autêntico festival de “ chapa ganha - chapa gasta.”
AUGUSTO FERNANDES

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