Jornal dos Desportos

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Opinio

Explorar o marketing desportivo

13 de Março, 2017
O poeta português José Régio escreveu no famoso poema Cântico Régio, o seguinte trecho : “ Não sei para onde vou , sei que não vou por ai”
( por sinal cantado por muitos artistas conceituados do music hall da lusofonia). Faço propositadamente recurso ao referido poema, bem no início do artigo para sugerir aos nossos dirigentes e gestores desportivos que por favor não vão por ai!

Porque quando ainda vai se dando ênfase ao facto de que o Executivo angolano deve continuar a canalizar mais dinheiros públicos para a sustentabilidade financeira das associações desportivas, apesar de ser clarividente os constrangimentos económicos e financeiros que o país atravessa, mostra-se que se quer continuar a ir por um caminho que já se sabe, “que não .... é por ai “.

Essa foi a fórmula , que já deu tudo o que tinha que dar , nestes últimos 40 anos. Agora , pergunto eu : haverá alguma razão, para obstinadamente se insistir num modelo que ficou mais vulnerável a determinados riscos, na sua matriz estrutural, devido à crise que estamos com ela ?

Apercebendo-se que a crise que o país atravessa não é apenas de ordem conjuntural mas também estrutural, o próprio Executivo, entendeu que o país deve seguir outros caminhos, invertendo o “sentido da marcha”, que até agora ia seguindo, ou seja em vez de ser o O.G.E dar sustentabilidade a economia, é a economia a montante e a jusante que deve trazer dividendos ao O.G.E, tal como reza os preceitos de base de uma economia ao serviço de um país.

Seguindo o exemplo acima , os dirigentes e gestores desportivos têm de seguir o caminho que coloque os elementos económicos ao serviço do desporto nacional.E no nosso caso porquê não explorar o marketing no desporto? ( ferramenta de gestão voltada para a promoção, divulgação e vendas de serviços e produtos desportivos ). Mas por quê , venho insistindo, insistindo no marketing, tal como sucedeu no meu primeiro artigo? Porque observem a forma como o marketing está presente e integrada na nossa música !

Observem como as marcas nacionais ( quer sejam ligadas aos Bancos, bebidas, seguros, telecomunicações, grande distribuição, entre outros ) e até internacionais apostam nos nossos badalados músicos para suas campanhas e estratégias de marketing e comunicação para atingir de forma mais eficaz e com eficiência o seu público-alvo.

Dito isto , pergunto: será que no mercado desportivo, um segmento que “vende” muita visibilidade e notoriedade para as marcas, não deveria no nosso caso haver mais sensibilidade para a importância , de colocar o marketing , como parte integrante da gestão desportiva nacional ?

No caso de Angola, o marketing integrado ao desporto , pode ser mais desenvolvido , desde que a sua abordagem passe por um diagnóstico , cuja as suas recomendações sirvam não para criar um segmento, mas a identificar um segmento atrativo, bem como a não conseguir um lugar no mercado, mas a criar o seu própio lugar e espaço no mercado.E já que estamos falando de diagnóstico do mercado desportivo , segue a minha modesta contribuição;

Pontos fortes
- hábitos e costumes da população angolana quanto ao consumo do desporto, dimensão territorial do país ( pois as marcas precisam fazer chegar a mensagem ás localidades fora de Luanda e dos grandes centros), espaço publicitário muito concentrado e com a crise o sector empresarial estar mais focado no cliente do que no desempenho do negócio.

Pontos fracos-recursos humanos, fraco associativismo sectorial, modelo de gestão amadora e sem transparência, além dos custos do contexto, fraca interactividade com os consumidores.

Oportunidades
-aumento da oferta de produtos e serviços ajustado ao nível de vida das populações, especialização de produtos e serviços desportivos com foco nas famílias e nos jovens, restyling dos logótipos e rebranding das marcas desportivas, aposta em acções de comunicação e campanhas de proximidade com o público- alvo e parceiros através das plataformas digitais e redes sociais.

Ameças -capacidades de investimento público , concorrência regional, com os países vizinhos da SADC, percepção externa do país, morosidade em mitigar riscos e fragilidades para os investidores.Porém o actual debate em torno do marketing ao serviço do desporto ( como marca registada , já é comumente conhecido como marketing desportivo ) não se esgota neste artigo.No próximo artigo abordaremos as especificidades que distiguem o “ marketing desportivo “ de outras tipos ou formas de fazer marketing. (*)Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Nzongo Bernardo dos Santos

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