Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

FAB valoriza tcnicos nacionais

01 de Junho, 2017
A Federação Angolana de Basquetebol, ao contrário do que se aventava, apostou num técnico nacional para resgatar o título continental, perdido em 2015, para a Nigéria, com quem perdeu na final por 65-74.Depois de se terem equacionado vários nomes de técnicos estrangeiros, como Adingono, o camaronês ao serviço do Petro de Luanda, e do espanhol Hugo López, que ao serviço do Recreativo do Libolo conquistou todas as provas internas, a FAB acabou por entregar os destinos do “Cinco” Nacional ao coordenador de basquetebol do Ferroviário de Luanda, Manuel da Silva “Gi”.

O técnico que assegurou o passaporte para a fase final do Afrobasket/2017, no Zonal de Lusaka, depois de ter substituído Carlos Dinis, que alegou problemas de saúde, vai coordenar todo o basquetebol masculino.A aposta, por parte da FAB, num técnico nacional, surge no momento certo e permite, com este gesto, valorizar aquilo que é nacional. Uma situação que, infelizmente, não se observa em várias outras federações, onde os técnicos angolanos perderam prestígio e começaram a ser desvalorizados.

Há treinadores muito competentes, mas que, às vezes, não se enquadram em determinado perfil deste ou daquele presidente, de um clube ou de uma federação. As equipas são sempre 11 a jogar contra 11, no caso do futebol, 5 a jogar contra 5, no basquetebol, ou 7 contra 7, no andebol. Mas a mística, a organização dos clubes e mesmo das selecções, os próprios locais de trabalho são significativamente diferentes. Isto para dizer que nem sempre a responsabilidade de um fracasso é dos treinadores.

Mas, no nosso país, muitos técnicos nacionais ficaram, no entender deste ou daquele dirigente, ultrapassados e a aposta recaí num técnico estrangeiro que, nem sempre, possui um currículo superior ao do nacional. A responsabilidade que está nos ombros de Manuel Silva “Gi” é grande. Disso não tenho dúvidas. Aliás, o próprio reconheceu isso mesmo, na passada segunda-feira, quando foi apresentado oficialmente.

“Para mim constitui um orgulho treinar a Selecção Nacional, onze vezes campeã africana. E desde já, gostaria de agradecer à direcção da federação por me ter proporcionado esta grande oportunidade. Estamos conscientes das dificuldades que vamos encontrar durante a fase final do Afrbasket mas, ainda assim, vamos lutar no sentido de conquistarmos o título perdido em 2015, disse o técnico.

É verdade que estamos entre as melhores selecções do continente, senão mesmo a melhor, a avaliar pelo número de títulos conquistados. Pelo que esta pressão que recai sobre os ombros do novo técnico do “Cinco” Nacional é boa.
É verdade que o vai deixar um pouco nervoso, naquele ponto de nervosismo que lhe vai fazer bem e lhe vai fazer sentir mais alerta para poder, durante a competição, ter uma atitude mais pragmática e mais aperfeiçoada. Atributos que lhe poderão levar a resgatar o título perdido em 2015, na Tunísia. Aliás, um dos seus propósitos.

O grande objectivo é dar o melhor e esperar depois que os resultados apareçam. Quer para si, quer para o basquetebol, quer para Angola.Tenho para mim que a sucessão de técnicos e não só, me faz escrever por esta altura, neste gesto positivo da FAB, coisas simpáticas e politicamente correctas, embora reconheça que muita gente esteja contra. Paz, amor, títulos continentais para todos os escalões do basquetebol nacional, como se tal fosse possível.

E é aí que entra em campo a esperança e a velha e cordata filosofia do pró ano é que é.Pelo menos em termos desportivos - a especificidade é destinada aos que acreditam em milagres e acham que este é um mundo à parte – a fase final do Afrobasket/2017 não vai ser diferente dos anteriores: haverá vitórias e derrotas, objectivos cumpridos e por cumprir, risos e lágrimas, alegrias e tristezas.

Depois deste gesto, de grande valia para mim, espero que a FAB não encolha os ombros e deixe tudo nas mãos do novo timoneiro da Selecção Nacional. Se o objectivo principal é resgatar o título, deve criar todas as condições, possíveis e imaginárias, para que este pressuposto possa ser atingido.É verdade que a situação económica do país e por arrasto da FAB não é das melhores. Contudo, deve, com antecedência, procurar alternativas para que a selecção possa trabalhar sem nenhum constrangimento. Segundo dados a prova acontece em Setembro. Estamos em Maio, por isso há quatro meses do seu início. Tempo suficiente para que a selecção encontre o caminho que lhe possa levar à conquista do título.
Policardo da Rosa

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