Jornal dos Desportos

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Opinio

FAF a \"adversria\" dos Palanca Negras

13 de Junho, 2017
Comparando a conturbada preparação com o desempenho que jogadores tiveram na partida inaugural das eliminatórias ao CAN de 2019, uma primeira conclusão a que se chega, com alguma facilidade, é que os aspectos administrativo e desportivos da FAF é um dos nossos adversários, e devem ser reestruturados, para não dizermos, profissionalizados.

Apesar dos \"ses\" não consubstanciarem, taxativamente, o que se pretende, somos tentados a usar, pelo menos nesta perspectiva, para dizer que, \"se\" a preparação tivesse corrido com a normalidade desejada e recomendada, o resultado talvez seria outro, melhor para as ambições dos Palancas Negras, nesta marcha rumo ao CAN de 2019.

Em resumo, significa que, melhor que o resultado, a exibição dos comandados de Beto Bianchi deixou nas entrelinhas a existência de um trabalho que deve ser maturado e apoiado à todos os níveis, fundamentalmente o administrativo, que até aqui se mostra um dos elos mais fracos do órgão reitor do futebol angolano, talvez em parelha com a comunicação institucional que, a esta altura, ainda não mostrou muito de diferente em relação à anterior direcção da FAF.

Esta constatação nos remete para o programa com que a equipa de Artur Almeida concorreu ao cadeirão máximo da Federação Angolana de Futebol, do qual extraimos, porque convém à esta abordagem, duas notas que merecem ser rapidamente operacionalizadas.Refiro-me, portanto, ao núcleo de conselheiros e a análise SWOT que foram apresentadas, dentre outras, como valias para que o quadro do futebol seja alterado num espaço de tempo razoável, e por via de tais acções, devolver-se o prestígio que a Nação angolana já saboreou neste capítulo.

Até aqui, por tudo aquilo que (não) aconteceu no consulado de Artur Almeida, faz-nos pensar que a teoria ainda não encontrou, na prática, o seu critério objectivo, o que já devia acontecer pelo menos naqueles aspectos que reflectem um processo de imitação do que já existe, com a sua devida contextualização.

Noves fora estes aspectos, há que acreditar e dar tempo ao tempo para que possamos reconquistar o nosso espaço no concerto das nações desportivas, até por que matéria humana não falta, aliás, isto mesmo foi confirmado no jogo deste último sábado, apesar da derrota de 1-3.Foi bom ver a disposição dos jogadores que encararam o desafio olhos nos olhos, mandando para as calendas gregas a diferença de pouco mais de cem lugares que separa as duas selecções no ranking da Federação Internacional de Futebol Associado, que não é um barómetro único e concludente do valor de cada selecção.

Podemos também admitir que, - e lá está mais uma vez a suposição a fazer mossa - a resposta dos jogadores angolanos, sobretudo os chamados à última hora, foi uma advertência à equipa técnica para um melhor critério no momento da escolha dos jogadores para determinada empreitada que não deve ser encarada sempre da mesma forma.

À guisa de exemplo, os jogadores que evoluem na diáspora estão em fim de época e por via disto, com as devidas ressalvas, perdem algum fulgor para os que estão num ritmo competitivo como os que actuam no Girabola, e que de modo geral estiveram em bom nível, casos de Paizo, Nelson Luz, Manguxi, Herenilson, só para citar estes.

Independente das razões que cada um teve para não atender a convocatória para o desafio com os Etalons, torna-se necessário uma conversa profunda para que ninguém seja, por esta falta, \"crucificado\", afinal todos são necessários para o projecto colectivo do futebol angolano que, pretendemos, volte a ser um orgulho nacional, aliás, um verdadeiro instituto de marketing da soberania angolana.

Finalmente, uma última nota, talvez despropositada, a roçar o prazer de quem vê defeito em tudo - e se assim for, que me desculpem, mas acho que a barra branca no calções angolanos \"destoa\" com as cores da bandeira que devem configurar a base da elaboração da roupa da equipa nacional que, por esta via, se faz representar nos demais campos. Carlos Calonga

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