Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

FAF a culpada do insucesso

25 de Maio, 2017
Mediocridade, é a palavra que melhor assenta nas três presenças de Angola, nas fases finais do Campeonato Africano das Nações de selecções de Sub-17. Depois de 1997 e 1999, pessoalmente, esperava que a sua terceira presença do combinado nacional fosse capaz de superar as performances alcançadas, nas presenças anteriores.

A minha visão tem como pano de fundo, a estratégia eleitoral do actual presidente da FAF, que na campanha eleitoral disse ao eleitorado que apostava forte na formação.
“Dissemos a nível da nossa campanha, que a nossa aposta era no futebol de formação, e é o que estamos a tentar fazer.

Queremos formar mais jovens treinadores, e fazer que o futebol tenha uma base sólida, e assente precisamente na formação”, disse Artur de Almeida, aquando da visita da vice-presidente da FIFA, a inglesa Joyce Cook.

Diz a sabedoria popular, uma coisa são os projectos, outra, é a sua prática. E, por aquilo que observei durante a fase que antecedeu o início do Campeonato Africano que ainda decorre no Gabão, apraz-me dizer que a FAF esteve aquém das suas responsabilidades.

Não sei se exagero, mas dá-me a impressão que nas altas instâncias do órgão reitor do futebol nacional, o futebol anda a modos de inventar o futuro. Já disse aqui uma vez, e repito: Não há dúvida de que o milenarismo, mesmo para os que o negam e o repudiam como superstição gratuita que é, exerce algum fascínio que quanto mais não seja, acerta as agulhas da marcha da vida do futebol mais jovem. O actual elenco da FAF, a meu ver, acusa esta solene mudança.

Para a terceira presença, na fase final de mais um “Africano” de Sub-17, os angolanos anteviam a subida de pelo menos um degrau, para superar os números alcançados em 1997 e 1999.

E convém não esquecer, que alcançamos o passaporte para o Gabão, com pompa e circunstância. Deixamos pelo caminho os nossos adversários, com resultados dilatados, em casa e fora de casa. Recaía nos nossos miúdos muita responsabilidade, mas também muita e boa matéria para construir uma equipa capaz de justificar às expectativas dos angolanos.

Contudo, na prática isso não aconteceu. O combinado nacional voltou a decepcionar. Em nove pontos possíveis, conquistou um, resultante de um empate e de duas derrotas. Marcou 4 golos e sofreu 10. Números que em nada dignificam o nosso futebol.

A questão que coloco é a seguinte: a culpa do insucesso recai só nos nossos miúdos e na equipa técnica? Acho que não. A grande culpada do descalabro é a Federação Angolana de Futebol.

O órgão reitor do nosso futebol, passou ao lado, das suas obrigações. Não teve arte nem engenho para criar, o mínimo de condições, para que os nossos miúdos encarassem o “Africano” com ousadia competitiva.

O caricato foi a FAF exigir que o combinado nacional passasse à outra fase, e o consequente apuramento directo, para o Campeonato do Mundo. Brincadeira!Pergunto: Os países cujas equipas estão no Gabão, têm mais capacidade financeira que Angola? Será que a crise financeira que assola o país, não os atingiu? Pergunto isso, porque a maioria teve uma preparação digna, com estágios e jogos de controlo fora de portas.

Pesem estes pressupostos, os nossos Palanquinhas tiveram espírito de patriotismo, elemento fundamental para suprir as debilidades que patenteavam, devido à péssima preparação que tiveram.

Contudo, apesar do patriotismo, não alcançaram os objectivos pretendidos. Quem deve estar contente é a FAF, porque é difícil compreender, a falta de atitude do órgão reitor do nosso futebol.1- A missão de Artur de Almeida, para o que resta do seu consulado, não vai ser seguramente fácil. Mas é indiscutível que esteja bem acompanhado.

De pessoas que sejam realmente os seus conselheiros, e não de pessoas, que queiram protagonismo.
2-Depois de 15 jornadas jogadas, o Petro de Luanda confirmou no passado fim-de-semana, o título de campeão da primeira volta do Girabola, venceu o 1º de Maio, por 4-1, beneficiou da derrota do 1º de Agosto, então líder isolado, diante do Kabuscorp, por 0-2.

Primeira coisa a reter: acabar a primeira volta em primeiro, não é garantia de título. Mas ajuda. Quanto? Muito mesmo. Ao longo das edições disputadas do Girabola, a estatística diz que 80 por cento dos campeões tinham virado a primeira volta na frente, sozinhos, ou em liderança partilhada, com um ou mais rivais.

O ano passado, por exemplo, o 1º de Agosto terminou a primeira volta isolado na liderança, e não deixou fugir até à consagração, embora tivesse alguns percalços comprometedores ao longo da segunda volta.

Neste momento, estão cumpridas 15 jornadas, embora, faltem ainda dois jogos para o complemento final da primeira volta. Contudo, mesmo que o Recreativo do Libolo vença os dois jogos em atraso (Sagrada Esperança e Recreativo da Caála), a equipa do eixo -viário deve manter as faixas de campeão da primeira volta, face à diferença pontual que separa as duas equipas (34-25).

Policarpo da Rosa

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