Jornal dos Desportos

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Opinio

FAF aberta a esclarecimentos

07 de Dezembro, 2017
Nos últimos tempos a Federação Angolana de Futebol (FAF) tem sido alvo de várias críticas em função de algumas posições por si tomadas a nível do Conselho de Disciplina ou por, na opinião dos Media, não ter agido no tempo certo em relação a determinada agenda.
Foi assim, no caso envolvendo Beto Bianchi, ex-treinador dos Palancas Negras e do Petro de Luanda, que no jogo da segunda volta contra o 1º de Agosto, faltou com o respeito ao árbitro auxiliar e por isso foi severamente sancionado.
Está a ser assim no caso Cabibi, do Progresso da Lunda Sul e da não contratação até hoje do substituto de Beto Bianchi, atendendo ao facto de os Palancas Negras estarem a sensivelmente trinta dias da disputa do CHAN que terá lugar no Reino do Marrocos em Janeiro de 2018. Estes e outros casos que envolvem a seriedade da FAF têm sido motivo de várias interpretações por parte da imprensa desportiva.
Por exemplo, no caso envolvendo Beto Bianchi, na altura a acumular o cargo de seleccionador nacional e do Petro de Luanda, em determinada altura depois do castigo imposto pelo Conselho de Disciplina da FAF, o referido treinador apareceu no banco da sua equipa muito antes do término da sentença.
Para muitos de nós da imprensa desportiva e não só, aquela suposta “absolvição” de Bianchi foi tida como sendo fruto de o mesmo ser simultaneamente técnico dos Palancas Negras e que por isso gozava de privilégios especiais. Sim , muitos foram os casos que motivaram a critica contra Artur Almeida e Silva e seus pares na condução dos destinos do nosso futebol desde que tomaram posse em 17 de Dezembro de 2016.
Mas a grande questão é: será que os críticos tiveram razão de fazer tais críticas? Atendendo ao facto de que um jornalismo sério deve obedecer a regra de investigar primeiro e com veracidade e depois formar uma opinião ou notícia podemos dizer que na maior parte dos casos as críticas não foram justas.
Um dos exemplos citados, no caso envolvendo Beto Bianchi, a maior parte da imprensa e não só, não sabia que a direcção do Petro interpôs um recurso da decisão tomada pelo Conselho de Disciplina da FAF com relação ao acto de indisciplina do seu funcionário.
Segundo as regras, nestes casos, enquanto durar a reavaliação do caso, o “réu” pode gozar de um levantamento temporário da pena a si aplicada. Foi por isso que o referido técnico apareceu no banco dos tricolores num dos jogos antes do termo do castigo federativo.
Por não estarem informados do que realmente se passava na altura, a FAF foi acusada de estar a “mimar” o treinador por ser na altura treinador dos Palancas Negras e que por isso a sua pena havia sido suspensa.
Entretanto, passados alguns dias quando a questão foi esclarecida pelo Conselho de Disciplina da FAF, Beto Bianchi, voltou para a condição anterior. Esta situação fez com que algumas pessoas acusassem a FAF de não saber o que queria. Tudo isto por falta de esclarecimento.
Com relação a não contratação até hoje do novo treinador dos Palancas Negras, segundo o presidente da FAF numa entrevista relâmpago a mim gentilmente concedida via telemóvel, na terça-feira, a FAF tem a situação sob controle e se tudo correr bem amanhã (sexta-feira) deve ser apresentado o novo técnico nacional.
Relacionado ao caso Cabibi, pela mesma via, Artur Almeida e Silva disse que a “imprensa pode recorrer livremente ao Conselho de Disciplina da FAF para obter dados sobre o caso e tirar as suas ilações”, isto porque até agora o Progresso da Lunda Sul continua a mostrar-se inconformado com a decisão da FAF. O presidente da FAF fez mais ao dizer: sintam-se à vontade em contactar-nos para qualquer esclarecimento que queiram sobre a vida do nosso futebol. Estamos abertos para qualquer esclarecimento que queiram para ajudar-vos a fazerem um jornalismo isento de erros.”
Quando um dirigente se predispõe a esclarecer um assunto nas circunstancias em que Artur Almeida o fez , não pode passar despercebido. Em situações normais esta atitude só acontece com relação a pessoas de sua confiança.
Sim, a atitude do presidente da FAF, ao atender um telefonema de um jornalista, que mal conhece, e em plena condução de sua viatura, a tratar de sua vida particular, para esclarecer algumas questões que lhe foram colocadas em “cima do joelho”, como soe-se dizer, é uma clara demonstração de que o homem forte do futebol angolano está mesmo disposto a esclarecer as coisas.
Por isso vamos aguardar calmamente pela indicação do próximo treinador dos Palancas Negras, porque apesar de faltar pouco tempo para o inicio do CHAN, onde o nosso objectivo é participar para primeiro montar um grupo coeso e segundo fazer boa figura no certame, independentemente de os outros adversários do grupo estarem já em fase adiantada de preparação.
Com relação ao caso Cabibi, em função do que foi dito pelo número um da FAF, a Lunda Sul, vai ter mesmo que se conformar com a descida de divisão da sua equipa, o que realmente é triste, mas contra factos não existem argumentos. O caso Cabibi é um caso encerrado na FAF.
Mais uma vez aproveito a ocasião para agradecer e felicitar o presidente da FAF pela atitude que teve ao facilitar-me na recolha de dados e espero que os demais dirigentes do nosso desporto sigam o seu exemplo.
Por uma questão de ética, não vou aqui divulgar o conctato telefónico do presidente da FAF, mas posso garantir que quem quiser estar bem informado sobre qualquer assunto que gravite em torno do nosso futebol sinta-se à vontade em contactar a direcção FAF.
Augusto Fernandes

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