Jornal dos Desportos

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Opinio

FAF deve exigir rigor aos clubes

07 de Outubro, 2017
Numa altura em que estão definidas as equipas, que no próximo ano ascendem ao Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, resta saber, agora, até que ponto cada um destes três inquilinos têm condições de competir na prova, sem qualquer sobressalto.Domant FC de Bula Atumba do Bengo e FC da Casa Militar do Cuando Cubango, que se sagraram vencedores das Séries A e B, respectivamente, do Zonal de Apuramento à maior prova do futebol intramuros, foram os dois primeiros a consumarem o desiderato.O Sporting de Cabinda, que competiu igualmente na Série A, onde também estiveram entrincheirados além do Domant do Bengo, a equipa do Atlético Kalonji-Dragão do Uíge, é o outro primodivisionário que garantiu o passe para o Campeonato da I Divisão.
A turma “verde e branca”, da cidade mais ao Norte do país, logrou o feito depois de superar o Jackson Garcia de Benguela, no cômputo geral dos dois jogos da “Liguilha”. A equipa benguelense competiu na Série B, em que perfilou o Ferroviário do Huambo, Evale FC do Cunene e o “ressurgido” Victória Atlético do Bié.
Depois da ascensão ao Campeonato da I Divisão, que nos últimos anos ganhou o cognome de Girabola Zap, resta saber se essas três equipas têm capacidade para aguentar o ritmo de uma temporada, que tem nada mais, nada menos que 30 jornadas.Digo isso, porque nos últimos tempos, a maior prova do nosso “association” tem sido marcada por frequentes ameaças de desistências de equipas, sobretudo, as que normalmente confirmam a ascensão por via do Zonal de Apuramento ao Girabola.Só na época em que ainda decorre o campeonato, registou de início a desistência do Benfica de Luanda, uma equipa que ao longo dos anos deu cartas no nosso futebol, e chegou em muitos casos a disputar os lugares do topo, ao lado de alguns colossos.Não sendo um caso isolado, seguiram-se as ameaças de desistências de outros dos emblemas do nosso Campeonato da I Divisão.
Um caso caricato foi o do 1º de Maio, que despromovido em 2016, retornou à competição pela desistência do Benfica de Luanda, mas ainda assim, no meio da disputada da prova também esteve perto de seguir o destino da turma encarnada.
O seu “conterrâneo” Académica do Lobito, o Atlético Sport Aviação (ASA), Progresso da Lunda - Sul, assim como o JGM do Huambo, nos últimos dias, também estiveram muito perto de desistirem, mas depois recuaram na intenção.A equipa da cidade capital do Planalto Central, segundo alegações da direcção do clube, recuou da decisão para não prejudicar as outras equipas que se encontram na cauda da tabela, e que lutam para permanência, casos do ASA, Progresso da Lunda - Sul e Santa Rita de Cássia do Uíge. Um argumento, a meu ver, pouco convincente.
Pode dizeres mesmo, tratar-se de uma “brincadeira”, como profetizou Carlos Calongo, outro dos habituais articulistas desta rubrica de opinião, denominada “A duas mãos”.O que acho e volto a insistir, é que a Federação Angolana de Futebol (FAF), como órgãos reitor do desporto-rei no país, devia exigir garantia aos clubes no início de cada época, sobre as eventuais disponibilidades destes em aguentarem os encargos resultantes da prova.
É deveras “chato”, que todos os anos , o nosso Campeonato da I Divisão se confronte com situações dessa natureza. Por isso, deve haver rigor no que respeita à participação destes. Os clubes, sobretudo aqueles que ascendem à maior prova do nosso futebol, têm propalado aos quatro ventos, terem as condições reunidas para competir e depois, logo na primeira, vêm a terreiro manifestar incapacidade financeira para o efeito.
A FAF devia agir com “mão pesada”, não se pode aceitar que as direcções dos clubes manifestam capacidade para tal, e depois, pelos seus dirigentes, dão um tiro na própria perna. Isso, é mau, e em nada beneficia o nosso futebol. É hora de reflectir, profundamente, em torno desta situação.Para lá dos constrangimentos, que advêm da eventual desistência deste ou daquele clube, a meio de uma temporada da prova, claro está que a situação acaba por beliscar o bom nome e a imagem que o nosso futebol conquistou ao longo dos anos. É imperioso, que o órgão reitor da modalidade exija à risca, que cada um dos inquilinos dêem provas para aguentar, passe-se o termo, a passada de uma prova da dimensão do nosso Girabola.
Entendo, que o país enfrenta um período difícil, derivado da baixa do preço do petróleo no mercado internacional, mas não se justifica o mar de indefinições das direcções dos clubes, em relação às reais capacidades.Face ao momento económico menos bom, que afectam os demais sectores, além do desporto e do futebol, em particular, é preciso haver maior coerência de quem aposta em competir numa prova como o Girabola Zap.À partida, todos têm consciência dos grandes encargos que um campeonato acarreta, com deslocações de caravanas de clubes, de um ponto para outro, pagamento de atletas, árbitros, prémios de jogo e outros, daí não se justificarem os frequentes argumentos que surgem, na altura das eventuais alegações de desistência. Isso não passa, a meu ver, de mais uma demonstração de incapacidade de gestão no seio desses clubes.
Domingos António, presidente do Domant FC do Bengo, já manifestou em entrevista à Rádio Cinco, que estão criadas as condições para a sua equipa competir no próximo ano .

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