Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

FAF e os quadros nacionais

26 de Abril, 2018
A Federação Angolana de Futebol ( FAF ), acabou por remodelar por completo seu quadro de técnicos das selecções nacionais de Futebol. Depois de contratar Vasiljevic para o cargo de treinador principal da selecção nacional de honras, agora escolheu o Português Pedro Gonçalves, para comandar a Selecção nacional de Sub-17.
Um dos argumentos apresentados pelo presidente da FAF, Artur Almeida e Silva, é que os Quadros nacionais não estão disponíveis para trabalharem para a Federação Angolana de Futebol embora reconheça haver qualidade entre os quadros nacionais.
Este argumento da FAF em minha modesta opinião não tem fundamento. Aliás, tem se dito que em equipa que ganha não se mexe. O anterior treinador da Selecção de Sub-17, o angolano Simão Languinha, conseguiu qualificar o onze nacional para o CAN (Campeonato Africano das Nações ) da categoria que se disputou na República do Gabão em 2017.
É importante frisar que Simão Languinha, teve a proeza de qualificar o onze angolano 17 depois de sua última participação e embora não se tenha qualificado para a segunda fase que era o seu objectivo, teve uma boa participação tendo em conta o contexto que gravitou em torno de seu apuramento a fase final do referido CAN.
Portanto, daquela selecção, não se poderia exigir mais do que fizeram e era de esperar que se criassem condições para que Simão Languinha, pudesse construir uma equipa mais sólida com o passar do tempo em função da experiência que teve durante o período que esteve no comando técnico da selecção nacional.
A mudança de treinador vai implicar reinício. Tudo terá de começar do zero a partir da filosofia de jogo. Segundo o presidente da FAF, outro motivo da mudança de treinador é melhorar a qualidade do trabalho e dos resultados, o que eu também concordo. Mas a questão é: não se poderia conseguir essas melhorias com Simão Languinha?
Se o homem conseguiu colocar a selecção nacional na Fase final de um CAN quando em 17 anos ninguém conseguiu não estaria em condições de fazer melhorias desde que lhe fossem dadas as condições que de certeza Pedro Gonçalves terá?
Não tenho nada contra os expatriados. Mas em minha opinião não se justifica a substituição do treinador com os argumentos vazios apresentados pela FAF. Além do mais a FAF tem salários em atraso para com o técnico demitido. Se não conseguiu paga-lo como obteve dinheiro para contratar outro treinador e ainda por cima um que será mais caro?
Quem está em falta? O homem cumpriu com a sua missão é despedido e ainda por cima com uma mão atrás e outra a frente. Naturalmente a FAF é quem está em falta. É por ai onde podemos concluir que os nossos quadros como é o caso de Simão Languinha não são valorizados pela FAF. Foi assim com Romeu Filémon, embora no tempo de Pedro Neto.
É por estas e outras atitudes humilhantes que os quadros nacionais não se disponibilizam para trabalhar para a FAF.
Como é que os quadros nacionais que se revêem em Simão Languinha se estão a sentir? Na hora de apagar o fogo, os nacionais são valiosos, mas na hora do bem bom, já não valem!
Estas atitudes devem parar imediatamente. Tem de haver consideração e respeito acima de tudo, não só aos quadros nacionais mas a todos os que prestam serviço a FAF ou em outra instituição qualquer.
Não nos esqueçamos que a FAF também tem sido responsável por alguns fracassos das selecções nacionais por não colocar a disposição os activos necessários para os êxitos mas limitam-se a cobrar.
Só o facto de não se pagar um treinador por meses a fio já é um handicap que pode influir nos maus resultados. Como se pode compreender que um seleccionador nacional fique largos meses em jejum quando as equipas que são patrocinadas pelo estado os seus treinadores têm os salários em dia e muito mais gordinhos?
Não sabemos quanto é que ganhava o treinador cessante, mas também não se sabe quanto ganhará o novo. Mas arrisco-me a dizer que a FAF vai gastar
muito mais com o novo treinador e dificilmente ele passará pelas mesmas vicissitudes que Simão Languinha.
Ao mandar para casa um chefe de família com a promessa de lhe pagarem em gotas o que lhe devem a FAF não está sendo insensível? O sensato seria pagarem na totalidade o que lhe deve. Recebendo em gotas, o homem não fará absolutamente nada por mais que o valor seja supostamente grande.
O presidente da FAF, já deu mostras de ser um homem bastante razoável, flexível e acima de tudo inteligente. Por isso espera-se que corrija o mais rapidamente possível este tipo de atitudes que nada têm a haver com a sua personalidade.
É verdade que temos de colocar o homem certo no lugar certo. Mas isto não implica humilhar e muito menos ser insensíveis ao substituir os que a prior não sejam os certos para ocupar tais lugares.
Augusto Fernandes

Últimas Opinies

  • 09 de Dezembro, 2019

    Ruben chegou, viu e permaneceu

    O técnico argentino Rúben Garcia é o técncio estrangeiro que mais tempo esteve no  Girabola.. Desembarcou em 1982 para estar ao serviço do  1º de Maio de Benguela, para, depois,  orientar a  Académica do Lobito, FC.

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Do amor ideologia, devoo ao dinheiro

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Prova influenciou a media desportiva

    O “Girabola”, pode-se agora afirmar, influenciou sobremaneira a formação da Redacção Desportiva da RNA. Aquele mencionado quinteto de radialistas havia-se tornado insuficiente para a demanda, sobretudo a partida dos dois últimos.

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Notas da Histria do nosso futebol

    A história oficial do futebol angolano teria de  começar pelas décadas de 1920-30-40, porém, vamos aqui cingir-nos ao tempo de Angola já independente. E não se iria festejar a independência sem se jogar à bola; seria incaracterístico de um povo amante do futebol.

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Arbitragem de poca em poca

    A história do Campeonato Angolano de Futebol, Girabola, como também é conhecido, é repleta de factos curiosos em termos de arbitragem. O campeonato é considerado por muitos especialistas do futebol, como um dos mais disputado do nosso Continente, o que é diferente de ser o melhor.

    Ler mais »

Ver todas »