Jornal dos Desportos

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Opinio

FAF em fora de jogo

16 de Maio, 2019
Na próxima quinta feira, 23 de Maio, quando voltar a escrever nesta coluna, já o Girabola Zap edição 2019 terá terminado, o campeão conhecido e, por conseguinte, finalizada a disputa renhida entre os dois eternos rivais do futebol local, hoje separados por apenas um ponto, com vantagem para os militares do "Rio Seco".
Em função disso adianto-me (e assumo as consequências), a escrever sobre o que considero serem alguma situações em que a Federação Angolana de Futebol (FAF) foi apanhada em posição de fora de jogo, numa analogia em que o órgão reitor da modalidade no país fosse um ponta de lança.
A asserção acima remete-me para uma apreciação do desempenho administrativo da Federação Angolana de Futebol que, mais uma vez, fez um campeonato para esquecer, ou seja, como dizem os brasileiros, "apanhada na banheira com sabonete, toalha e tudo mais necessário para um banho à vontade".
E não restam dúvidas que um dos exemplos mais evidentes para o que se diz seja o jogo entre Desportivo da Huíla e 1º de Agosto, que despoletou a tal retirada de três pontos aos dos citados clubes quando, em verdade, cada equipa conquistou apenas um ponto, fruto do “empate simulado entre as equipas”, na visão da FAF, que fundamentou a sua decisão de ter “havido combinação de resultado”, por via das imagens televisivas.
Não sei se adianta recordar que, em casos do género, as regras da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) estabelecem que as imagens televisivas não têm força de elementos probatórios, sendo que, deste quesito, a Federação Angolana de Futebol, sobretudo os seus Conselhos de Disciplina e Jurisdicional, estiveram mal na fotografia, ou seja, foram apanhados em posição de fora de jogo.
A ser esta questão, daquelas que podem ser consideradas como a história da Cassinda que não volta atrás, às equipas prejudicadas e/ou beneficiadas com os pontos retirados, impunha-se dar resposta efectiva no campo desportivo, mostrando competência e manutenção do foco, que em última instância, quer para o 1º de Agosto como para o Petro de Luanda, era tão-somente a conquista do título.
Neste particular, os militares às ordens do sérvio Dragan Jovic foram mais fortes e competentes, e conseguiram manter a estabilidade psico-emocional reflectida nos resultados positivos que consolidaram a posição de líder do campeonato, com o risco saboroso de conquistarem o tetra campeonato, que será algo inédito na história do clube fundado a 1º de Agosto de 1977.
A confirmação do título pelo 1º de Agosto, a ocorrer, claro, terá força e razão para promover o discurso usual em todas as facetas da vida social segundo o qual, “contra factos não há argumentos”, e que os mesmos devem ser aceites, ainda que provoque dor de cotovelo, para a qual o remédio é a “santa paciência”.
Deixando de lado o 1º de Agosto, o órgão reitor do futebol angolano foi mais uma vez apanhado em fora de jogo na forma como lidou com a sua palavra, sobretudo aquela em que dizia, “equipas com dívidas não disputariam esta edição do Girabola”, que se apresta a terminar.
Não sendo escrava da sua palavra, a Federação Angolana de Futebol permitiu-se a uma relação acre-doce com a equipa do Palanca, baseada numa espécie de novela que apelido de “tira e mete”, em relação aos pontos que o Kabuscorp ora ganhava ora perdia, ou seja, “lhe tiravam e lhe metiam”, passe o desvio padrão da linguagem.
Uma vez cumprida a sua palavra, o elenco de Artur Almeida poupar-se-ia de ter que enfrentar as acusações de, perante a (im)posição da FIFA para que o Kabuscorp seja relegado para a segunda divisão, não teve uma atitude de protecção do seu filiado, sem que isso represente intenção de escamotear a verdade dos factos ou proteger o erro.
Por fim, também a FAF não seria chamada a explicar as outras implicações que decorrem da descida de divisão do Kabuscorp; as engenharias para que os pontos sejam mantidos; se a equipa vai ou não disputar as Afrotaças - no caso de manter a terceira posição; se uma das equipas despromovidas por via dos resultados será repescada; enfim… Um sem número de casos em que a FAF foi apanhada em fora de jogo. Carlos Calongo

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