Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

FAF pode experimentar campeonatos regionais

22 de Novembro, 2016
De época a época muitas equipas, quer seja no Girabola, quer na Taça de Angola ou mesmo na Segunda Divisão e Afrotaças anunciaram antes, e até já durante a respectiva competição, que desistirão porque a direcção não tem capacidade financeira para todas as "encomendas" ou exigências que as mesmas provas exigem.

Equipas com história e tradição em todas as provas citadas - como o 1º de Maio de Benguela, ASA, Benfica de Luanda etc., - andam nesta espécie de dança e susto. Outras há muito que não ressurgem passados muitos anos, porque falta capacidade financeira A última delas mesmo a revelar fraqueza antes de sequer iniciar a pré-epoca de 2017 é o Progresso da Luanda Sul, uma equipa que até teve uma classificação razoável.

A minha critica vai para a Federação Angolana de Futebol que até aos dias de hoje não consegue, não sei por que razão, exigir que todas as equipas façam prova de capacidade financeira, ou se costuma o fazer, então não recebe garantias concretas, mas apenas promessas verbais. Se este "carnaval" continuar assim, considero que as provas nacionais perdem alguma qualidade em representatividade e competitividade e é isto, na minha opinião, o que já tem vindo a acontecer nos últimos anos, justamente porque nem todas têm o mesmo suporte para jogar sem sobressaltos da primeira à ultima jornada, da primeira à última eliminatória.

Olhando, por exemplo, ao que tem vindo a ser a geografia do campeonato vê-se que não há equilíbrio competitivo. Faço então a seguinte questão: à Federação Angolana de Futebol não seria melhor evitar a disputa do Girabola, a duas voltas, e apostar em campeonatos regionais, com uma fase final para se apurar o campeão nacional?

Acertando esta via, com conversas aos mais diversos níveis, até mesmo político, penso que é mais viável fazer de facto campeonatos regionais e, depois, fazer-se os apuramentos e, no fim, disputar a final. O argumento de que politicamente assim não se recomenda porque belisca a unidade nacional que o Girabola possibilita é argumento que jamais poderá colher.

O Girabola foi instituído numa época (1979) em que grande a maioria das equipas eram suportadas financeiramente com dinheiro público, porque estavam ligadas a empresas publicas e instituições governamentais politicamente orientadas. Em 1992 com o emergir da economia de mercado aqueles apadrinhamentos ou ficaram reduzidos ou cessaram mesmo, o que afectou muitas equipas, sendo que muitas delas desapareceram e as persistentes andam então de queixa em queixa.

É por isso que a Federação Angolana de Futebol tem de saber ler os sinais de mudanças, os sinais dos tempos, mais a mais agora com esta crise económica e financeira que não pouca ninguém. Por esta razão, continuo a dizer, a insistência no modelo antigo tem apologia na ideia de unidade nacionais pode ser alterado. Agir assim não significa ser partidário de fraccionamentos ou regionalismos.

O campeonato é disputado desde 1979, começou com catorze equipas e evoluiu para dezasseis. Naqueles tempos havia guerra entre angolanos e, então, uma forma de levar a alegria ao povo nas diferentes províncias na verdade era com o futebol. Não eram apenas factores competitivos ou económicos, mas também social e política.

Hoje persistir nesse modelo é dar corpo ao "futebol de mentira". Acho que pode-se fazer experiência por regiões e depois uma fase fina. As associações, os clubes ganhariam mais experiência e o modelo mostrará ou que é bom ou não. É melhor experimentar!
António Felix

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