Jornal dos Desportos

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Opinio

FAF: uma pesada herana

30 de Setembro, 2016
Mais um candidato entra na corrida à sucessão de Pedro Neto na direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF). José Luís Prata apresenta “solenemente” este sábado a sua candidatura. Artur Almeida foi quem abriu as hostilidades. Qualquer um deles já esteve lá dentro, conhece o peso da casa, as suas fraquezas e forças. Ninguém é estranho, logo espera -se receitas concretas para acudir a mais importante associação futebolística do País. Que, diga-se, está nos cuidados intensivos.

A FAF precisa de um cirurgião capaz de salvá-la. De outro modo, o futebol nacional arrisca-se a viver períodos semelhantes aos que viveu de 2000 a 2006. Os Palancas Negras já estiveram no décimo lugar em África. Já colocaram três jogadores da selecção continental, um dos quais titular (Paulão).
O quadro hoje é drástico. Os Palancas Negras estão abaixo do trigésimo lugar. As selecções jovens nunca mais voltaram a pisar num palco africano. A Sub-17 jogou pela última vez um CAN em 1999. A Sub-20 em 2005. E a principal vai na sua segunda ausência na Taça das Nações Africanas.

Com esses problemas não há patrocinador que resista a tanto. A PUMA saiu, as outras também vão seguindo o caminho. Pedro Neto assumiu à direcção da FAF na sequência um “impeachment” que precipitou fim do consulado de Justino Fernandes, com promessa de resgatar tudo, dar à FAF um ambiente profissional, instituir a Liga de Clubes e outras tantas promessas.

Numa análise fria, diríamos que Pedro Neto não só não fez o que prometeu, como piorou a situação com resultados negativos. Muitos dos quais por decisões da sua direcção, por negligência (lembrem-se do caso Burkina Faso), e ainda por teimosia.

Este é o fardo que vai herdar o futuro presidente da Federação Angolana de Futebol. E quanto a mim, acho que o primeiro passo é descalçar o Girabola. Ou seja, entregar aos clubes, eles que se virem. Depois profissionalizar as áreas, de preferências poucas, bem pagas mais eficazes. Acabou a era de “eu joguei, logo tenho de ser responsável dessa ou daquela área”. Se tiver sido jogador e formado na área que pretende ocupar, claro está que deve ser a preferência. O futebol exige hoje gestores, em todas as áreas. Pessoas competentes, e não as que fazem por acaso as situações. A FAF nunca soube aproveitar a sua área de marketing. Nunca explorou tal como a FIFA recomendou no seu projecto Goal, em 2003-04.

Segundo, nada de ir buscar um treinador disponível, mas sim um treinador competente, porque os resultados estão necessariamente associados ao dinheiro que entra ou sai. No entanto, é preciso cultivar a paciência, como fartamente tenho dito. Temos de ser ambiciosos, buscar os melhores, não o necessariamente renomados. A Europa do Leste tem bons treinadores, que podemos nos custar menos.

É preciso acabar com a ideia de que o futebol começa e termina em Luanda. A história nos diz que o interior do País tem sido o celeiro dos craques. A FAF tem de ter capacidade de ir vasculhar talentos lá, onde aparentemente não existe. Há noutras cidades craques, que precisam apenas de uma oportunidade. E é necessário que os treinadores possam observar os miúdos com os olhos de ver, e não com a precipitação que nos caracteriza nos últimos anos. Esquecer um pouco os jogos das influências, do “hiace” e outros tantos hábitos que fazem mal ao futebol. Há um rol de problemas que os candidatos precisam de diagnosticar antes de apresentarem os seus programas eleitorais. E espero que os clubes e as associações não prejudiquem o futebol, votando sem qualquer critério objectivo, como tem acontecido.
Teixeira Cândido

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