Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Falem agora ou nunca

12 de Junho, 2015
O silêncio dos clubes que disputam o Girabola em torno das denúncias feitas por Horácio Mosquito é assustador. Depois das declarações feitas pelo então presidente da Caála era expectável uma onda de apoio, de solidariedade por parte de outros clubes, em particular os pequenos, os tais que se queixam serem vítimas dos leões, ou os grandes se quisermos.

Porém, com a excepção do Petro de Luanda, cujo presidente já teve a coragem de fazer essas denúncias numa reunião promovida pela Federação Angolana de Futebol nenhum outro o fez publicamente. Era expectável que o 1º de Agosto que muito se queixava da arbitragem pudesse engrossar o coro de apoio, incentivando as autoridades competentes a levarem a cabo as investigações que se impõem, mas surpreendentemente os militares estão remetidos ao silêncio.

Do Interclube também não se esperava uma atitude de avestruz, depois do seu presidente ter feito denúncias do árbitro que ajuizou a partida com o Recreativo do Libolo, a contar para a primeira jornada (acabou empatada). Alves Simões disse publicamente que recebeu informações antes do jogo, segundo as quais o árbitro estava no 22 de Junho com a missão de prejudicar a sua equipa. Chegou a transmitir as mesmas informações ao comissário ao jogo, segundo o próprio.

Nada mais natural que fosse um dos primeiros a apoiar a iniciativa do demissionário presidente do Recreativo da Caála. Mais do que os clubes citados, os pequenos tinham a obrigação de agarrar essa oportunidade pelos chifres, de incentivar Horácio Mosquito, na expectativa de verem reduzidos os tais jogos que os prejudicam.

Surpreendentemente, ninguém esboça uma iniciativa de modo a colocar pressão nos acontecimentos. Desse silêncio colectivo, podem resultar muitas interpretações. Como sendo: Recreativo da Caala é a única equipa que sente na pele a corrupção no futebol nacional.

Ou então, Horárcio Mosquito deve estar a enfrentar problemas mentais ou qualquer coisa próxima. Dos outros todos, com a excepção do Petro de Luanda, ninguém mais sente ou vê.


O silêncio pode também transmitir a ideia de que essa situação nunca devia ser pública, é uma questão interna, que pode ser resolvida entre quatro paredes, à luz de vela. Ou num cenário mais festivo, com copos dos melhores vinhos importados das melhoras castas europeias.

Do silêncio dos clubes pode-se depreender que todos estão com a Federação Angolana de Futebol e não com Horácio Mosquito. Como se sabe a Federação acha que o então presidente da Caála não revelou nenhum segredo, tudo era sabido, pelo que não havia razões para esse alarido.

Pedro Neto, presidente da FAF, fez saber isso mesmo, de que tudo é sabido, e do Horárcio Mosquito não se esperava uma atitude daquelas. Ou seja, a FAF não via necessidade de esse assunto chegar as instâncias judiciais, mas nunca esboçou uma única iniciativa para colocar um travão nesse problema.

Pedro Neto transmitiu, ainda que não tenha sido essa a intenção, que é conivente com a situação, pois sabia mas nunca fez rigorosamente nada para ver estancado o problema. Quando se esperava da Federação Angolana de Futebol um maior interesse no assunto, posicionando-se inclusive como "player", o que a FAF transmite aos adeptos do futebol: "Isto é África" . Não somos os únicos, outros também o fazem, porque tínhamos de ser excepções?

Se a FAF tem essa postura, o mesmo não se pode esperar dos clubes, que gastam os seus milhões de dólares para disputar o Girabola. A FAF não coloca nenhum tostão para organizar a prova, é " natural" que não sinta rigorosamente nada. Mas os clubes deviam ter outra postura. Outra atitude. Se não tiverem agora, então que se calem para sempre.
Teixeira Cândido

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