Jornal dos Desportos

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Opinio

Falta de vergonha de Janny Sikazwe...

27 de Outubro, 2018
Depois da brilhante qualificação às meias-finais da Liga dos Campeões, a maior prova de clubes da Confederação Africana de Futebol (CAF), graças à eliminação ao Tout-Puissant Mazembe da República Democrática do Congo (RDC) nos quartos de final, o 1º de Agosto não conseguiu alcançar a mesma proeza frente ao Esperance de Túnis. Não por falta de capacidade, pois isto até provou em campo, no jogo de terça-feira no Estádio Olímpico de Radés, na Tunísia, mas sobretudo pela tamanha falta de vergonha do árbitro zambiano Janny Sikazwe, que foi o grande protagonista da partida. O juiz zambiano, que habitualmente tem dirigido encontros de futebol em que desfila também o assistente angolano Gerson Emiliano dos Santos, não permitiu que o nosso embaixador na “Champions League” mantivesse o êxito na sua campanha. E custa acreditar que um árbitro com estatuto de “mundialista” agisse com “cara de pau” ao ponto de impedir que o 1º de Agosto fizesse história na elite do futebol africano, com a eventual qualificação à final da Liga dos Campeões Africanos. O clube central das Forças Armadas Angolanas (FAA) mostrou, desde muito cedo, ter capacidade para ombrear com os “grandes” do futebol africano. A caminhada vitoriosa do D’Agosto nesta edição das Afrotaças começou com o afastamento do FC Platinum do Zimbabwe, com duplo triunfo de 3-0 e 2-1 no agregado das duas “mãos” em Luanda e Harare, respectivamente, na primeira eliminatória. Na segunda eliminatória tirou do caminho o Bidwest Wits da África do Sul, a quem venceu na primeira “mão”, em Luanda, por 1-0 e perdido pelo mesmo \'score\' na casa do adversário. Com o empate nesta etapa, os militares do “rio seco” precisaram do recurso à lotaria das grandes penalidades em que venceram por 3-2 e consequentemente inscreveram o seu nome na fase de grupos desta 21ª edição da “Champions League”. Nesta etapa competiram no Grupo D, lado do Étoile du Sahel da Tunísia, que também se qualificou para os “quartos”, bem como do Zesco United da Zâmbia e Mbabane Swallows do eSwatini (ex-Swazilândia), que não tiveram a mesma sorte. Depois cruzou-lhe pelo caminho a toda poderosa equipa de Mazembe, com quem empatou a 0-0 no Estádio 11 de Novembro em Luanda e um tento no ambiente infernal de Lubumbashi, Congo-Democrático, um resultado suficiente para trilhar para as meias-finais em que teve pela frente o Esperance de Túnis. Neste jogo Tony caça foi o grande herói ao defender dois penalties contra equipa agostina. E se a partir daqui adivinhava-se uma atitude mais ousada do 1º de Agosto, o que menos se esperava é a tamanha roubalheira, como se pode descrever da atitude do árbitro zambiano, que fez com que o Estádio de Radés se inclinasse para o lado do Esperance. Foi, a todos títulos, uma atitude inaceitável para um árbitro que já teve o ensejo de apitar num Mundial de Futebol. E isso traduz uma grande vergonha e uma desilusão muito grande para o órgão que superintende o futebol no continente, e particularmente a sua área de arbitragem. Um árbitro como Janny Sikazwe merecia ser irradiado a título definitivo do apito. Pela tamanha vergonha que teve em prejudicar deliberadamente a equipa do 1º de Agosto no jogo de Radés, na Tunísia, a CAF não deveria ter meias contemplações para com este árbitro oriundo do nosso vizinho país, a Zâmbia. Como se não bastasse isso, ainda permitiu o uso no estádio de gás lacrimogéneo pela polícia tunisina, que afectou o guarda-redes Tony Cabaça do 1º de Agosto, o treinador Zoran Maki e outros membros da equipa militar.E convenhamos mesmo admitir que por tudo quanto fez em termos de actuação, ficou subjacente a ideia de que o árbitro tenha sido “comprado” para favorecer o Esperance e tirar do caminho o 1º de Agosto, que tudo fez para chegar às meias-finais. Isso ficou bem visível, a partir das imagens televisivas, que não esconderam a intenção do juiz inclinar o campo para o lado a equipa do Magreb, que mais não fez senão aproveitar essa “soberana oportunidade” que o juiz zambiano lhe deu de inscrever o seu nome na final, em prejuízo do D’Agosto. E a CAF tem de ter coragem para puní-lo e assim como a equipa tunisina por todos incidentes que ocorreram no estádio. É talvez por este estado de coisas que o futebol no nosso continente tem sido relegado para um segundo plano no contexto mundial. Aliás, com arbitragens do tipo desta que caracterizou o jogo de do Estádio Olímpico de Radés, temos que reconhecer que é normal que surjam vozes a apontar os casos de tamanha mediocridade que imperam a nível dos homens do apito em África. Ninguém pode negar isso. Os próprios africanos encarregam-se de provar isso com atitudes como as do zambiano Janny Sikazwe. Aliás, na antecâmara desde jogo e depois daquilo que foi também a postura do árbitro senegalês Maguete Ndiaye, que dirigiu o duelo da primeira “mão” entre o 1º de Agosto e o Esperance de Tunis, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, no início deste mês, já se previam situações extra-jogos. O que não se esperava, efectivamente, é que o homem tivesse o desplante de “roubar” de forma tão escancarada e vergonhosa ao D’Agosto. Se por um lado já se disse na antecâmara do desafio do Estádio Olímpicos de Radés que Maguete Ndiaye de forma sorrateira e utilizando truques sub-reptícios, prejudicou, por diversas maneiras, a equipa angolana, na primeira “mão”neste da segunda parece não haver palavras no vocabulário para descrever o que se passou. Foi das piores vergonhas que já observei em toda minha vida e particularmente desde que entrei para as lides do jornalismo há quase 24 anos. É triste isso. É vergonhoso. E por essa razão o árbitro zambiano deveria ser exemplarmente punido por quem direito. A CAF, como órgão reitor do desporto-rei no continente, não pode deixar esse caso impune.
Sérgio.V.Dias


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