Jornal dos Desportos

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Opinio

Faltou o quase no CAN mas camos de p!

27 de Abril, 2019
Caímos de pé! Sim, caímos de pé. Mesmo tendo perdido nas meias-finais do Can Sub-17 que decorre na Tanzânia, diante da forte selecção dos Camarões, os nossos Palanquinhas, caíram de pé. Faltou o quase. Infelizmente perdemos, aos penálties por 2-4 depois do empate a zero ao cabo do tempo regulamentar.
Pelos feitos na competição.
Por terem inclusive espantado a África do futebol jovem, com a nossa ginga e bom perfume, os “nossos miúdos” comandados pelo professor Pedro Gonçalves conseguiram nos tirar a vergonha. Conseguiram dignificar a nossa Bandeira. Conseguiram mostrar ao País que de facto, quando queremos, é possível apostar na formação e chegarmos lá.
E, na verdade, por pouco chegaríamos à final, não fossem os penálties falhados por Pablo e Porfírio que, infelizmente não mostraram a mesma concentração e o discernimento que deles se esperavam.
Não conseguiram seguir o exemplo de Domingos, Cisco e Zito Luvumbo que com competência, marcaram, acreditando que, depois do brilharete da primeira fase da competição, poderiam chegar à final, com créditos firmados na competição, ameaçando inclusive arrebatar o título.
Embora haja quem não considere os penalties uma “lotaria”, eu, particularmente arrisco em assim considerar porque, podemos notar que, apenas por pouca sorte, Angola não ficou apurada para afinal da prova.
A sorte, esta, acompanha sempre os audazes e, no caso, convenhamos, os camaroneses foram sim sorteados.
Foram bafejados pela sorte. À nós, podemos dizer que faltou o quase.
Além do jogo em si não ter sido bem conseguido, Angola mostrou noutras fases da competição que tinha selecção para discutir o ceptro. Na fase inicial, venceu o Uganda e a Tanzânia, tendo perdido para a Nigéria.
Mesmo assim teve o passe de qualificação para as meias-finais, onde abriram-se largas possibilidades de apuramento para a ansiada final.
Assim não foi.
Faltou o quase. Paciência. Temos de saber perder com dignidade. Apesar de, qualquer derrota doer, temos que encará-la de frente para, com tamanha resiliência, darmos a volta por cima. Acredito que o inconformismo vem sempre ao de cima mas, o consolo nesta altura será maior porque a qualificação para o Mundial da categoria, no Brasil, acaba por constituir alento maior.
Fazendo um pouco de história, sem querer ser saudosista, quero dizer que a primeira vez que Angola participou na competição africana nesta categoria, foi em 1999, em Conacry onde sem ter tido uma participação auspiciosa, foi o início de uma história gloriosa para o futebol jovem angolano que culminaria com a conquista, pelos Sub-20, do CAN de 2001, na Etiópia e a participação no Campeonato do Mundo da categoria, na Argentina, em 2002.
Na verdade, foi uma odisseia que valeu a pena arriscar.
Nos Sub-17, comandados então por Oliveira Gonçalves, pontificavam jovens como Mantorras, Chinho, Gilberto, Mendonça, Dedas, Carlitos, Ângelo, enfim, jovens que depois surgiram na tal selecção da categoria seguinte (Sub-20) que teve os feitos que apontei.
Particularmente me sinto regozijado por ter feito parte, como jornalista da caravana que este em Conacry numa dupla memorável com meu caro Honorato Silva, na altura jovens intrépido e com bastante volúpia na arte de escrever.
Lembro que tínhamos que “rabiscar” os textos à mão e enviar via fax para os companheiros na Redacção central que faziam esforços mil para descodificar os nossos “gatafunhos”.
Mas, aqui fica marcado o facto de termos iniciado de facto a caminhada de aposta forte nos escalões de formação e acreditarmos sempre que é possível. É sempre possível.
Agora, com este feito recente da qualificação para o Mundial de futebol de Sub-17, independentemente da classificação que possamos vir a obter ainda neste CAN da Tanzânia, o que fica subjacente é que temos que correr e criar todos os sistemas de organização e logísticas para que possamos ter uma participação honrosa a todos os títulos. Para frente é o caminho.
Se caímos de pé, retomemos a marcha, rumo ao brilharete no Mundial de futebol do Brasil. Bem-Haja! Morais Canãmua

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