Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Fase delicada

14 de Julho, 2015
Sábado à tarde, para mim, nos tempos que já lá vão, consistia numa tradição quase obrigatória: almoço de um grupo de amigos. Uma irmandade de compadres sempre abertos a papos à respeito do nosso Girabola, das apostas de jogos de fim de semana e muitas, mas muitas gargalhadas à volta de comentários, que durante a semana se produziam sobre o nosso futebol. Desde batotas, com passagens pela corrupção.

Escrevo isto, para contextualizar o cenário das inúmeras discussões que temos à respeito dos caminhos, que marcam a segunda volta do Girabola. E então, vinha a martelar uma opinião que sempre foi rechaçada pelos meus amigos de debates, mas que agora encontra menos resistência por parte deles: o engordar das contas dos nossos árbitros.

A minha opinião? Simples: assim como aconteceu nos anos anteriores, esta época não é diferente. Os árbitros indicados, para dirigirem jogos da segunda volta, verão as suas contas bancárias a engordar. Uma realidade que todos ligados ao futebol reconhecem ser verdade, mas que sempre ignoram ou deixam passar ao lado. Até os membros do Conselho Central.

Em Angola, o futebol é paixão nacional. No mundo, a modalidade também é a mais popular, galvaniza e mistura diferentes classes sociais. No entanto, ao longo dos últimos anos, o futebol no nosso país transformou-se num negócio multimilionário. Não só para os árbitros, mas também para muitos dirigentes.

Aliás, quando se diz, que “a segunda volta é dos dirigentes”, não é à toa. Dirigentes de todos os níveis do futebol nacional, são gananciosos, de honestidade abaixo de qualquer classificação, que actuam como verdadeiros gangsters, em proveito próprio. Não olham a meios para atingirem os seus objectivos. É verdade, que há excepções, mas também é uma realidade, que temos dirigentes que pouco ou nada fazem, para engrandecer o nosso desporto.

Na primeira volta, foram vários os jogos em que os árbitros constituíram -se as principais figuras, colocaram os verdadeiros artistas, os jogadores, em plano secundário. O erro é humano. Porém, o erro sistemático não tem nada de humano. Ao verificarmos num jogo, erros, que prejudicam só uma das equipas, não é apanágio da arbitragem.O futebol não pode ser posto de lado, pelo altos dirigentes do nosso país, por ser uma indústria que movimenta muitos milhões de kwanzas e constituir uma actividade vital, enquanto ferramenta de dimensão e natureza social.

O Girabola regressou, 40 dias depois de umas férias forçadas, “oferecidas pela FAF”, para satisfação dos amantes da modalidade, principalmente, para aqueles que não têm outro meio de diversão, aos fins de semana. Face à carência de entretenimentos ou meios de lazer nas suas províncias, há adeptos, que recorrem ao futebol para disfarçar ou ajudar o tempo passar.

O Girabola está de regresso, é verdade. Contudo, esta segunda volta não se avizinha nada satisfatória, face aos problemas que têm surgidos nos últimos dias. Problemas, que podem pôr em risco, a verdade desportiva da prova.A apregoada desistência do FC Bravos do Maquis e do Sporting de Cabinda, por falta de dinheiro, o mesmo problema que aflige o ASA, não abonam em nada a credibilidade da prova, que entrou na fase decisiva.

A FAF tem alguma culpa no cartório. Se fosse mais dura nas suas acções, casos do género não podiam estar a acontecer. Aliás, basta ver o que aconteceu na Itália no último campeonato, quando a federação local retirou dois pontos ao Parma, devido a salários em atraso.No momento, em que o futebol passa por uma crise de credibilidade, ver jogadores a questionarem os seus direitos, prova que o futebol angolano não modernizou a sua estrutura, quem paga o trauma são os clubes, cada vez mais endividados.

Frases populares como em “terra de cego, quem tem um olho é rei” não podem continuar a fazer morada no futebol nacional, que merece muito mais do que isso. A promiscuidade não pode ser confundida com os deveres quer do MJD como da FAF, nem estas podem ignorar a importância do futebol a nível nacional e internacional.Disse alguma coisa errada? Penso que não. Mas se assim o entenderem, peço as minhas sinceras desculpas. É a minha opinião. Espero que respeitem. Até terça-feira.
Policarpo da Rosa

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