Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Fazer a curva com medo de perder o controlo do volante?

30 de Setembro, 2019
Se o desporto angolano fosse um produto, diríamos que nesta altura encontra-se na fase do DECLÍNIO, a quarta e última, em que normalmente deve ser substituído, porque as vendas diminuem e, como é óbvio, os lucros entram em queda livre.
É nessa fase que o “produto” desporto nacional, tem agora o “azar” de concorrer a ensaios para mudar, ou melhor para “lavar” a imagem e criar um novo rótulo que se adeqúe ao perfil do seu actual consumidor!
Ainda assim, o desporto angolano é pensado e repensado a todo o momento e a todo o instante.
O exercício de pensamento e repensamento do desporto nacional, tem lugar todos os santos dias, quer por gente de boa vontade, quer por intelectuais sofistas e pseudo-comentadores de todas as franjas da sociedade, quer sejam jovens ou idosos, homens ou mulheres, leigos ou experts na matéria desportiva!
Tais pensamentos e repensamentos obviamente assumiram outra dimensão, na sequência de uma saga de abusos, absurdos, desmandos e fracassos que tomaram conta do desporto nacional de cima para baixo e de baixo para cima, nos últimos 10 anos.
Na minha modesta opinião, o actual estado de emperramento a que chegou o desporto angolano, não se deve pelo facto de ter muita gente pensado nele, e tão pouco por existir uma ausência coerente e coordenada de planos estratégicos para o seu desenvolvimento e crescimento quer na vertente social, bem como na vertente profissional.
O problema do nosso desporto não é ciência, e tampouco a falta de um sem número de cenários imaginários e hipotéticos aos mais variados níveis.
O problema do desporto nacional deve-se ao facto de cada vez menos termos a paciência de ouvirmos os outros, por mais que as discordâncias sejam em números superiores aos grandes temas em que muitos de nós nunca estivemos de acordo.
Nos esquecemos que temos dois ouvidos e uma boca, e pensamos que ao invés disso temos duas bocas e um ouvido!
Pior do que isso, é que alguns entre nós acreditam, piamente que já nasceram com o estômago empanturrado de comida e que quando morrerem levarão no seu cérebro um tipo especial de conhecimento, que de conhecimento só tinha mesmo em vida algo comparado a um balão cheio de nada!
Ou tomamos consciência disso e mudamos enquanto ainda é tempo (pois já vamos muito, mais muito atrasados mesmos) ou então bastando que se esgotem na totalidade o petróleo e os diamantes (essencialmente) que isso vai ser nada!
A ironia amarga de tudo isto é que não se esta a tratar de actos (in) voluntários, (in) conscientes ou decididos ao acaso, até em nome de alguma boa vontade ou pretensão de agir positivamente.
Devíamos sim reconhecer e aprender com os nossos erros, ao invés de ter vergonha dos mesmos, empurrando-os com a barriga dando sempre aquele sinal de que queremos ver a história a ser repetida.
(*) Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Francisco dos Santos

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