Jornal dos Desportos

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Opinio

Febre de bola

20 de Junho, 2018
O mundial entra hoje no sétimo dia de competição. Irresistível, como sempre, ou não fosse a maior competição de selecções ao nível do planeta. Mediático, o campeonato do mundo chega a todas às sensibilidades e até pode tornar-se num forte agente da diplomacia mundial, que o digam o chefe da Arábia Saudita presente no jogo de abertura e o presidente Putin da Rússia, no confronto entre os dois países, em que o mandatária da FIFA deve ter servido de medianeiro nas conversas. Do que falaram, eles lá sabem, mas as imagens correram o mundo.
O mundial é de futebol, e o futebol é coisa nobre. Nos dias que faltam para o encerramento,. muitos são os que em lares díspares têm tempo para verem os melhores do mundo a desfilarem, uns (ainda) apagados e outros sempre a brilhar.
Na Rússia, estão duas das estrelas mais cintilantes do planeta, Ronaldo e Messi, a estreia de ambos na prova deu azo a muitos comentários. Elogios de monta para o primeiro, pelo facto dos três golos marcados no jogo com a Espanha, e com isso, proporcionar o empate entre as duas selecções, no tal duelo Ibérico, e de azedumes para o Argentino que falhou um penálti que bem convertido podia alterar o final do jogo da sua equipa com a Islândia.
Os dois jogadores são motivos de conversa. Sempre quer pela negativa como pela positiva. Mas, é bom que se diga, que Ronaldo não é a selecção portuguesa, tão-pouco Messi deve ser o único entre os onze da Argentina.
O facto de estarem conotados como os melhores do mundo, em opiniões divergentes, não pode ser motivo para serem crucificados em momentos menos bons, como aconteceu com o argentino, aquando do penálti falhado no jogo com os nórdicos islandeses.
O talento de ambos e a força motriz que os move é inquestionável, e o mundo ganha mundo quando em dias de inspiração fazem coisas, que fogem ao mais comum dos mortais, porque o futebol quando é fantástico cria sempre o imaginável.
O Mundial é febre de bola, contagiante. Leva um número não quantificado de pessoas a viverem momentos de euforia, dentro e fora dos estádios, em todas as latitudes do mundo, porque é um espectáculo global.
Por esta altura, a Rússia orgulha-se de albergar no regaço a melhor competição de futebol, deste ano. Uma prova que começou a ser preparada com esmero, logo depois do país receber o aval da FIFA.
Às vezes, a palavra perfeição tem um som estranho aos nossos ouvidos. Quando tudo corre de feição, estamos todos maravilhados. Mas, em outro ângulo, basta uma ligeira falha para o mundo dar mostras de desabar.
Ainda assim, e porque pode haver sempre um senão em termos de organização, a Rússia deve orgulhar-se de estar a fazer o seu papel em todos os aspectos. Até mesmo, na tal badalada segurança que também está na ordem do dia, mais a mais, depois das ameaças que muitas figuras sofreram antes do arranque da prova.
Por sinal, Ronaldo e Messi, as duas maiores figuras do mundial, foram alvo de intimidações em relação às suas integridades físicas. E, no palco da competição, o mínimo sinal pode confundir-se como uma ameaça terrorista, como aconteceu com o taxista que perdeu o controlo da viatura e foi de encontro a algumas pessoas, num local do país, algumas adeptas do México, segundo a polícia. A possibilidade de um atentado terrorista foi logo descartada, pelos órgãos de segurança, pouco depois de deter o homem que estava ao volante do veículo.
O Mundial é febre de bola e muito mais. De coisas curiosas, como o nome do português que não pode ser pronunciado na televisão, porque em russo é um palavrão, ou das galinhas da sorte da Nigéria que foram impedidas de entrarem em campo na estreia para com os seus sons estranhos incentivarem as Super Águias à vitória. Daí, se calhar, o descalabro dos africanos na estreia com a Croácia.
Neste mundial há febre de bola. Nenhum dos potenciais favoritos venceu na estreia, com a campeã em título, Alemanha, a tombar mesmo diante de um imprevisível México, cuja vitória poder ter originado um terramoto em todo o país, tal foi a intensidade com que as pessoas gritaram golo. Milhões de pessoas em uníssono.
Às vezes, o futebol merece os adeptos que tem.
Fontes Pereira


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