Jornal dos Desportos

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Opinio

Federaes e calendrios limitados

28 de Março, 2019
A prática do desporto é, sem sombra de dúvidas, um imperativo para os humanos, pois exerce grande influência na qualidade da saúde do indivíduo, quando combinado com alimentação saudável. Por isso, não é em vão que os governos conscienciosos apostam seriamente no desporto e incentivam a sua prática. Assim, para coordenar o desporto existem federações subdivididas por modalidades.
Em Angola e na maior parte do Planeta Terra, o futebol é a modalidade principal e detém o maior número de praticantes e simpatizantes, pois é de “linguagem” fácil (entenda-se regras) e, acima de tudo, espectacular. Entretanto, a maior parte das federações angolanas pouco ou nada fazem, para a promoção das modalidades sob sua responsabilidade. Por exemplo, uma federação como a de ciclismo, que é uma modalidade nobre, deveria ter um calendário muito mais rico.
A FACI, limita-se praticamente à realização do campeonato nacional, que geralmente ocorre uma vez por ano em dois ou três dias. Pela grandeza e carisma do ciclismo em Angola, era de esperar que o órgão reitor da modalidade fizesse muito mais, para atrair mais pessoas à modalidade. Para o efeito, a FACI talvez deve rever o seu calendário anual. Aliás, deve rever a sua agenda. Para começar, poderia pensar em organizar o campeonato nacional em quatro ou mais etapas ao longo do ano, em mais de uma província. Ou então ao longo de um mês, abrangendo mais províncias numa espécie de volta a Angola, o que faria com que até jovens dos municípios do interior do país também se interessassem pela modalidade.
A FACI, também pode incluir no seu calendário anual, a disputa da Taça de Angola e alguns torneios em homenagem a figuras como Alberto Silva \"Pepino\" (já organizou a I edição), Justiniano Araújo ou outras figuras da sociedade, que tenham exercido boa influência e sejam dignas de tais tributos. O mais importante é ter um calendário, que faça com que a modalidade tenha visibilidade e crie estrelas que servirão de fonte de inspiração, para os mais jovens. É verdade que existe um grande problema: a falta de dinheiro.
Mas, a falta de verbas não nos impede de pensar. Se formos criativos, podemos até encontrar muitas soluções, não só para engordar o nosso calendário como também para obter apoios para a realização de actividades programadas. Não nos esqueçamos que as pessoas são muito influenciadas, por aquilo que vêem. Tudo que for atraente; tudo que desperte o interesse da vista, serve para convencer alguém a comprar ou seja a interessar-se pelo que viu.
Portanto, projectos muito bem elaborados podem despertar o interesse de pessoas ou instituições economicamente estáveis para patrocinar. No entanto, sabemos que nos dias de hoje são muito poucas as pessoas, que aceitam “queimar” ou deitar fora o seu dinheiro. Isto implica dizer, que hoje praticamente já não se investe só por amor ao desporto. As pessoas também esperam contrapartidas, por mais baixa que sejam. Assim, projectos que dêem margem de ganho para o investidor são muito mais atraentes.
Essa coisa de ficar à espera, que o governo ou pessoas de boa vontade resolvam os problemas financeiros do desporto, deve ser descontinuada. Só a própria federação em si já é um activo. Resta maximizar este activo por aliar-se a pessoas com cérebro capaz de fazer multiplicar estes activos, que são as federações.
Um bom exemplo nisso, embora também tenha um calendário muito limitado, é a Federação Angolana de Boxe, que com ou sem patrocínio do Estado cumpre com o seu calendário. Nota-se no líder da FABOXE, vontade de fazer o seu barco andar, por procurar parcerias que dão oxigénio ao seu calendário. É importante frisar, que a FACI não é citada aqui como mau exemplo. Muito pelo contrário. Por fazer parte da família, a ideia é alertar ou sugerir que as federações, com calendários pobres, façam mais para a promoção da modalidade que superintendem, atendendo ao objectivo supremo da prática do desporto.
Na lista de federações com calendário limitado ou pobre só não incluo a de futebol, basquetebol e andebol. Portanto, é necessário que as direcções das federações, que se encontrem nesta lista encontrem caminhos viáveis, para a promoção das modalidades que dirigem. Com o pouco ou muito que recebem do Estado, têm de arranjar ou estudar métodos, que façam progredir as modalidades por si coordenadas.
Para o efeito, um dos primeiros passos a serem dados é as direcções estarem unidas para o mesmo objectivo. Infelizmente, federações há em que o presidente não lida com o \"Vice\" e assim por diante. Neste tipo de situação, tais federações podem ser comparadas a um carro com dois volantes e dois motoristas, que têm rotas diferentes e já podemos imaginar no que poderá acontecer ao veículo. Augusto Fernandes


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