Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Festa e luto!

17 de Setembro, 2018
O jogo da Liga dos Campeões, em que o 1º de Agosto defrontou e empatou com o TP Mazembe, fica marcado, infelizmente, por mais uma tragédia. Na falta de outro adjectivo, diremos que se tratou de uma negligência, ainda que as autoridades competentes não tenham avançado por enquanto as circunstâncias. De qualquer modo, será sempre negligência, uma vez que o estádio não ruiu (felizmente), não houve troca de tiros nem coisa próxima. Os adeptos perderam a vida, quando já iam a sair do estádio. Segundo informações não oficiais, foi por conta de uma suposta ordem, que os homens do cavalo quiseram impor na saída do estádio, e houve na sequência precipitação, que resultou em mortes. Mais uma vez o futebol, uma festa bonita por sinal, acaba em tragédia. Foi assim no Lobito e no Uíge, para o Girabola, e ninguém foi responsabilizado até hoje. Se é assim, teremos de deixar o futebol para os agentes da polícia e os clubes. Não faz sentido apelar para os adeptos assistirem aos jogos, e depois serem maltratados. Pior, perderem a vida. Lembro-me ter havido formação de agentes da Polícia Nacional e Stwarts para o CAN2010, que o País acolheu. Onde param estes senhores. Porque razão os homens de cavalo têm de abordar os adeptos, quando deviam ficar inamovíveis e só chamados quando necessário. Todas essas perguntas devem ter como resposta, a responsabilização dos culpados. Os apelos massivos, deviam ser acompanhados de uma massiva organização em todos os sentidos. Como justificar que alguém sai de casa, para ir apoiar a sua equipa e volta no caixão. Dessa tribuna, a única coisa que a nossa consciência nos exige é que se peça responsabilização. Outra coisa, devemos imitar o que os outros fazem bem.Vedar o estádio com muro de betão é não só desnecessário como antiquado. Aliás, quem visitar a planta do Estádio 11 de Novembro não encontra previsto nenhuma vedação. As zonas adjacentes são para jardins e outros adornos, menos um muro, como se de uma cadeia se tratasse. Dessas mortes, além de se responsabilizar os culpados, devem sair lições para todos os agentes do futebol. Se possível remodelar tudo, retirar as cercas que separam uma bancada das outras. Foi por conta de mortes nos estádios, que o futebol inglês mudou a concepção dos estádios, mas também aperfeiçoou todos os mecanismos de segurança. Paz à alma dos nossos compatriotas.
Teixeira Cândido

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