Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinião

Festa da bola ao cesto

19 de Maio, 2017
Há sempre um gozo especial quando ao fim de uma maratona competitiva estafante se chega ao momento decisivo, aquele que assume a particularidade de ditar o senhor campeão, a quem se deve render a guarda pela hegemonia evidenciada sobre os demais concorrentes, e merecedor, por tudo isso, de todas honrarias.

É quase isto que acontece nos dias presentes pelo Velho Continente, cujas ligas, à beira do fim, começam a definir os respectivos vencedores.

Aliás, os benfiquistas de cá e os de lá(Portugal), ainda não se sentem refeitos da ressaca eufórica do título conquistado sábado passado, de modo antecipado, depois de uma valente sova ao Vitória de Guimarães.

Mas a razão destas linhas nada tem a ver com as ligas europeias, tampouco com o futebol. O exercício até aqui feito, visou apenas estabelecer uma analogia. É do BIC Basket, cujo primeiro jogo da final, em sistema de play off, à melhor de sete jogos, teve lugar ontem, no Dream Space.

Ficou, entretanto, demonstrado que vamos ter noites quentes ,de um cacimbo principiante, tal é pois a entrega das equipas.

Constituídas pelos mais sublimes valores do basquetebol nacional, Petro de Luanda e Recreativo do Libolo prometem brindar-nos com partidas de basquetebol disputadas até ao limite. Aliás, uma final só justifica esta expressão quando agrada e convence do ponto de vista competitivo.

Na verdade, ao que ficou demonstrado está adquirido, desmatado e murado um vasto terreno para uma batalha sem quartel entre dois gurus da nossa bola ao cesto.

Desde já, trata-se de uma final que desaconselha qualquer tipo de prognóstico, porque da mesma forma que uma vitória não é garantia de favoritismo, também uma derrota não será sinónimo de um fracasso anunciado. Independentemente do resultado do momento nada ajuda a prever o resto.

O resgate do ceptro é, sem dúvida, o princípio de mexe com as duas equipas, relegado o 1º de Agosto, detentor do título, à condição de mero espectador da festa, por se ter revelado permeável na meia-final diante dos valentes rapazes de Adingono.

Assim, Petro, campeão de 2015 e Libolo, campeão de 2014, que reeditam a final de 2015, têm as condições criadas para poderem voltar à ribalta.

É, em última instância, esta particularidade que promete animar a Cidadela Desportiva e o Dream Space, palcos desta final auspiciosa, que terá de um lado Lazare Adingono, que procura mais um título para enriquecimento da sua folha de serviço, e do outro Hugo Lopes, estreante na nossa praça, mas ávido em dar o sinal positivo da sua maturidade profissional, quanto mais não seja uma forma de justificar a sua contratação.

Em termos de valores individuais que ajudem nas ambições dos técnicos, diga-se de passagem, as equipas estão competentemente servidas. Reggie Moore, Leonel Paulo, Hermenegildo Bunga, Domingos Bonifácio e demais fazem as delícias da turma do “Eixo-Viário”, ao passo que Olímpio Cipriano, Eduardo Mingas, Milton Barros, Valdelício Joaquim e outros sãoas estrelas que brilham na constelação do Cuanza Sul.

A luta promete ser para surdos. Prevê-se quedas de tabelas, irresistentes à fúria dos homens determinados à vitória. Mas em resumo, é este cenário que valoriza qualquer competição no sentido lato da palavra. A refrega começou ontem. O vencedor é uma incógnita. O espectáculo, este sim, é uma certeza. Vamos a isto...
MATIAS ADRIANO

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