Jornal dos Desportos

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Opinio

Festa da Dipanda e os feitos desportivos

09 de Novembro, 2019
Angola assinala dentro de sensivelmente dois dias 44 anos desde que se libertou das amarras do regime colonial. Foi precisamente a 11 de Novembro de 1975, que o saudoso Presidente Doutor António Agostinho Neto proclamou perante a África e ao Mundo a Independência Nacional, e desde muito cedo também o país afirmou-se no desporto e sobretudo no futebol, que já deu muitas alegrias aos seus aficionados.
Chegados ao dia da nossa “Dipanda”, expressão da língua nacional kimbundo, que em português significa “Liberdade”, Angola via-se concomitantemente livre do jugo colonial, que privou durante longos anos os seus cidadãos de muito direitos.
Entre estes podem-se destacar o da liberdade e do exercício dos seus direitos, como a educação física, prática desportiva e tantos outros, que hoje, como Nação Independente, os angolanos sem distinção de cor, credos religiosos e político podem exercer sem qualquer tipo de descriminação. E isso ajudou a afirmação do país no campo desportivo.
É bem verdade que ao longo destes 44 anos de Independência Nacional que Angola se apresta a assinalar, muitas foram as conquistas obtidas nesse sector em disciplinas como futebol, tido como desporto-rei, basquetebol, andebol, ginástica, jiu-jitsu, atletismo, natação e tantas outras. A nível do desporto paralímpico o país também elevou a fasquia bem alto, conquistando feitos de dimensão mundial para lá das nossas fronteiras.
É por demais sabido que, por altura da celebração da Independência, a 11 de Novembro de 1975, o desporto no país era reflexo da situação vivida enquanto colónia portuguesa. O quadro apresentado na altura era praticamente nulo, em relação às diferentes modalidades. A par desse aspecto o número de infra-estruturas para a prática do desporto era insuficiente, assim como o de praticantes, razão que fez com que a prestação destes nas mais variadas modalidades registava índices demasiado baixos.
Porém, chegados ao 11 de Novembro de 1975, adivinhava-se, como é óbvio, o virar de mais uma página na história e concomitantemente no mosaico desportivo nacional.
E foi no meio desse cenário que se começa desencadear também a massificação desportiva no país e a participação dos agentes ligados a este grande movimento, na conceptualização e organização do sistema desportivo dentro das nossas fronteiras.
Foi também neste contexto, que ocorre a criação do Comité Olímpico Angolano (COA) e das Federações Desportivas, assim como de novos clubes, particularmente ligados ao futebol dentre outras modalidades, cujo movimento se começa a encetar.
Não obstante isso, ocorreram factores, como a guerra que grassou no país por quase três décadas e outros, que dificultaram sobremaneira que se atingissem os objectivos traçados. Por essa razão, a política desportiva do Governo de Angola assentou-se nas estratégias que assegurariam, a curto e a médio prazo, o desenvolvimento sustentável de um sector com consistência programática, como em muitos casos já se enfatizou.Fruto disso, o subsistema de desporto federado continua a ser o segmento determinante com várias federações, como as de futebol, futsal, andebol, atletismo, basquetebol, boxe, ciclismo, judo, luta, natação, taekwondo, ténis, tiro, vela, voleibol, karaté, hóquei em patins, xadrez e o desporto para deficientes, designadamente.
Nesse sentido, depois de alcançar a sua Independência Nacional, o país precisou de alguns anos para assumir-se de facto como uma potência continental a nível de algumas disciplinas desportivas. É nesse sentido que hoje por hoje, o país assume a hegemonia do basquetebol em seniores masculinos, assim como do andebol feminino. Nas duas modalidades, Angola soma curiosamente onze e doze títulos continentais.
A realização dos II Jogos da África Central bem como de Campeonatos Africanos de Futebol, de Basquetebol e de Andebol, assim como do Mundial de Hóquei em Patins no país, são alguns dos momentos assinaláveis no mosaico desportivo nacional.
É importante destacar ainda a participação da Selecção Nacional sénior masculina no Mundial de Futebol, na Alemanha, em 2006, bem como as de Sub-20, que ocorreu na Argentina, em 2002, e muito recentemente a de Sub-17, que no Campeonato do Mundo, que ainda decorre no Brasil atingiu os oitavos-de-fial. São conquistas que elevam o nome de Angola e da Bandeira Nacional, como ocorreu também em 2018 e este ano, quando a Selecção Nacional de Futebol com muletas conquistou o Mundial de Guadalajara, México, e o “Africano” da categoria, que teve lugar muito recentemente em Benguela, província da zona litoral sul do país.
Há a realçar, ainda, a participação das Selecções Nacionais seniores feminina de andebol, assim como as masculinas de basquetebol e hóquei patins, em Mundiais e Jogos Olímpicos. A nível do desporto paralímpico Angola também se tem notabilizado, destacando-se, nesse particular, os títulos mundiais conquistados por José Armando Sayovo, nesses 44 anos de independência que o país se apresta a assinalar.
Nota de realce, também nesse particular, para a aposta que o Executivo Central vem fazendo no capítulo de infra-estruturas desportivas, fundamental nesta fase em que estão transcorridos igualmente dezassete anos efectivos do alcance da paz no país.
São, enfim, infra-estruturas que servem de suporte ao desenvolvimento das diversas modalidades, investimentos que contribuíram para o êxito de campeonatos africanos que o país albergou, e que serviram de exemplo para outros países na organização de provas continentais. O desporto angolano comemora, assim, 44 anos de conquistas. E, claro está, ao longo deste tempo, como não podia deixar de ser, fizeram-se campeões nas mais variadas modalidades e o desporto configura-se hoje por hoje, como um dos grandes embaixadores do país no meio deste edifício, que se começou a erguer desde a conquista da nossa Dipanda. E bem haja para a Nação Desportiva Angolana!!!... Sérgio V.Dias

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