Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

FIFA pe Libolo nos quartos

13 de Julho, 2017
O Recreativo do Libolo conseguiu um feito histórico, graças ao castigo imposto pela FIFA ao futebol do Sudão (atingir os quartos de final de uma competição continental) , não apenas para o seu historial, também para o futebol angolano. Esta, é a pura verdade, que infelizmente não está a ser veiculada por quem de direito. Todos escondem a verdade.

Então, vamos aos factos. Antes da sanção imposta pela FIFA ao futebol do Sudão devido à ingerência do governo central à federação local, o Recreativo do Libolo à entrada da última jornada da fase de grupos da Taça Neson Mandela ocupava a penúltima posição do seu grupo com seis pontos, contra sete do Zesco United da Zâmbia e dez do Al Hilal do Sudão. O Smouha do Egipto, era o “lanterna”, com cinco pontos.

Perante este quadro, o Recreativo do Libolo tinha de vencer o Smouha no “Inferno de Calulo”, e esperar que o Zesco United perdesse ou empatasse em casa com o Al Hilal do Sudão. Ainda que o Libolo vencesse, não ia assegurar a presença nos “quartos”, caso a equipa zambiana somasse os três pontos.

Uma realidade que acabou por não acontecer, devido ao castigo da FIFA. O Al Hilal foi desalojado da liderança e o Zesco United da Zâmbia assegurou, antecipadamente, a passagem aos quartos de final.

O segundo passe estava dependente do resultado que saísse do jogo disputado no “Inferno de Calulo”. Separados por um ponto, na tabela classificativa, ao Recreativo do Libolo com seis pontos bastava o empate com Smouha (5) para conseguir o passaporte para os quartos de final da Taça Nelson Mandela.

A questão pertinente que coloco, é a seguinte: O Recreativo do Libolo teve argumentos necessários para chegar aos quartos de final da Taça Nelson Mandela? Levanto a questão porque a equipa de Calulo não fez por merecer.

Aliás, se não fosse o castigo imposto pela FIFA ao futebol do Sudão, duvido que a equipa de Calulo e o futebol nacional festejassem hoje este feito histórico, porque o Zesco United da Zâmbia ao jogar em casa tinha tudo para acompanhar o Al Hilal do Sudão à fase do mata -mata.

Como disse há uma semana, neste tipo de competição os jogos em casa são para vencer. Fora de casa o mais que temos de fazer é buscar um ponto aqui, e outro, acolá. E, a campanha do Recreativo do Libolo fora de casa foi péssima. Perdeu os três jogos. 0 % de aproveitamento.

Em casa venceu dois jogos e empatou um. Em nove pontos possíveis arrecadou sete, de duas vitórias e um empate, qualquer coisa como 77,7 por cento. Um empate que podia penalizar as suas ambições, caso o “chicote” da FIFA não atingisse o futebol sudanês.

Contudo, também é verdade que a equipa de Calulo, e em particular o futebol nacional não tem culpa da interferência do Governo do Sudão na estrutura organizativa da federação local de futebol.
Mas também é verdade que o futebol praticado pela equipa de Calulo esteve muito aquém do esperado. E, nesta fase de mata - mata, um pequeno erro pode ser fatal. Isto para dizer que o Recreativo do Libolo tem de melhorar a forma de jogar para não ficar na próxima eliminatória.

O seu adversário nos quartos de final é o TP Mazembe do Congo Democrático, uma equipa com um palmarés invejável no Continente. O seu historial nas provas continentais pode jogar a seu favor, aliado ao facto de jogar a segunda mão no seu reduto.

Na qualidade de anfitrião, nos primeiros 90 minutos, a equipa de Vaz Pinto tem de fazer o seu trabalho de casa, de modos a que possa viajar para Kinshasa com um resultado que permita sonhar com as meias-finais. O jogo é em Setembro, por isso, tem muito tempo para se preparar, porque o chicote da FIFA não volta a ser accionado. Serão outros tempos.

Tempos de praticar bom futebol; tempos de superiorizar o futebol evidenciado pelo adversário. Só assim, a equipa de Calulo pode sonhar com o visto para as meias-finais.

É bom que Vaz Pinto reconheça os erros cometidos durante a primeira fase; erros que podiam ser fatais, não fosse a “oferta” da FIFA. O TP Mazembe é uma equipa com pergaminhos nas provas continentais; uma equipa com carisma e que tudo vai fazer para deixar pelo caminho a equipa angolana.

Aliás, o histórico diz-nos que as equipas angolanas nunca se deram bem com o TP Mazembe. Será desta vez? Vamos esperar até Setembro para desvendar este mistério.
POLICARPO DA ROSA

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