Jornal dos Desportos

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Opinio

Filho de craque tambm craque?

25 de Julho, 2017
Contrariamente ao que tem sido norma nas abordagens semanais que aqui partilho com o António Félix, nas quais apresentamos os nossos pontos de vista sobre um mesmo assunto, na pretérita semana, o exercício foi diferente e cada um foi obrigado a seguir a sua direcção, por razões alheias à nossa vontade. Ainda assim não deixamos de cumprir o compromisso que temos com os leitores.

A escolha do António Félix recaiu sobre os “Imitadores de Messi”, tendo alargado a sua abordagem para os nomes de outros tantos craques imitados por angolanos cujo desempenho em nada se iguala à mestria dos ídolos, proprietários originários dos nomes.

A excepção ficou marcada no parágrafo em que se lê “ninguém tem de concordar comigo - António Félix - mas o único jogador angolano que imitou nome alheio e teve, mais ou menos, “fama” de craque à nossa realidade foi o Zico - de seu nome próprio Fernando Domingos - que brilhou no Petro de Luanda” e, acrescento, ido do Progresso do Sambizanga.

Também disse o confrade que, "já tivemos, de geração em geração, jogadores que deram nas vistas sem cognomes de "feras" estrangeiras, como são os casos de (fiz uma ligeira alteração da lista original), Cacharamba, Stopirra, Felito, Akwá, Justino Fernandes, Nicola Berardineli, Joaquim Dinis, Carlos Alves, Ndunguidi Daniel, Napoleão Brandão, Santinho, Mendinho, Túbia, Jesus, Chico Dinis, Vieira Dias, só para citar estes...”. Sobre o assunto, reza a história que, Ndunguid Daniel, a prior, apresentou-se para o futebol com a alcunha de Pelé, desconhecendo, portanto, de quem foi a ideia para que usasse o nome próprio, com o qual brilhou e escreveu com tinta indelével, o seu percurso nos anais da história do futebol doméstico, conquistando, na minha opinião, o estatuto de maior referência do período pós independência.

E sobre histórias ou historietas de imitações de Pelé, Maradona, Eusébio, Messi, ou seja o que fosse, poderíamos preencher várias páginas mas, prefiro mudar de assunto, - e aqui que bate o essencial da abordagem de hoje -, para falar dos filhos de craques do nosso futebol que não seguem o percurso dos pais.A verdade é que são raríssimos os casos de sucesso de filhos de ex-jogadores, sobretudo de futebol, o que também merece alguma reflexão.

E voltando a lista dos jogadores que deram nas vistas com ou sem cognomes de “feras”, repito, alterei a lista, constata-se que nenhum deles tem um filho a dar cartas no futebol nacional ou internacional, ou pelo menos, existindo, não são conhecidos por aí além.

E o que dizer da lista original proposta pelo António Félix, onde encontramos os nomes de Daniel Cata, Domingos Inguila, Joaquim Dinis, Carlos Alves, Ndunguidi Daniel, Garcia, Napoleão Brandão, Salviano, Santinho, Julião Dias, Santo António, Mendinho, Arsénio Túbia, Jesus, Abel Campos, Chico Dinis, Manuel Loth, Vieira Dias, Santana Carlos?

Que apenas quatro, nomeadamente, Daniel Cata, Julião Dias, Abel Campos, Santana Carlos, podem ser referenciados como pais de jogadores com créditos firmados na prática do futebol, no caso, Edson Cata, Manchxo Dinis, Djalma Campos e Santana, respectivamente.

Curiosamente, os quatro jogadores citados, filhos de ex praticantes e digo mais, craques, já vestiram a camisola da Selecção Nacional, com todo o orgulho que isso representa para os pais e não só, o que leva a concluir que verdadeiramente, filho de peixe é peixe.

Agora que estou a terminar o texto, lembrei-me da roda de conversa em que estive com antigos craques do futebol angolano nomeadamente Man Gomito, Zequita, Nelson Chimbica, Luís Cubila, Cacharamba, Zico, Mendes, Beto, que, sobre o assunto, disseram que em muitos casos, os seus filhos não atingem o auge porque os treinadores, ex colegas, são os verdadeiros carrascos dos miúdos.

Incrédulo com o que ouvia, com exemplos palpáveis que aqui não serão revelados por uma questão de ética, nada mais digo, deixando o resto por conta de cada um dos leitores à quem pergunto, se desta forma quem é o verdadeiro prejudicado?
Carlos Calongo

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