Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Filhos e enteados na arbitragem

01 de Dezembro, 2016
1-Demorou mas chegou. Aquilo que muita gente conhecia, finalmente veio à tona. O cambalacho na arbitragem nacional. A entrevista do antigo árbitro Dibondo Abraão, ao JD do dia 28 do mês em curso, veio confirmar a existência de filhos e enteados no Conselho Central de Árbitros de Futebol.
O antigo árbitro fez denúncias graves ao CCAFA, como a existência de nepotismo, onde os filhos dos actuais responsáveis do organismo gozam de privilégios, em detrimento dos que não têm ninguém na cozinha.

“Se entrar muito bem no fundo desse imbróglio, verá que encontra árbitros que são cunhados deste ou filho daquele dirigente, que nem sequer obedecem aos escalões. Saem de um escalão abaixo directamente para patamares altos, que acabam por assustar muita gente. Já nem sequer passam pelo quadro de acesso. Os árbitros saem do provincial e vão directamente para a primeira divisão. Enfim, isso agora, é uma autêntica salada russa, em que cada um pega no seu e coloca onde quer”, disse sem papas na língua o antigo árbitro.

Tudo isto, vem dar razão a todos aqueles que não nutrem nenhuma simpatia pela arbitragem nacional. A falta de verdade desportiva, que há muito se apregoa, não é senão o reflexo de todo esse cambalacho, onde o parentesco é sempre levado em conta, atirando de lado a competência. Um dos assuntos mais badalados é a nomeação de novos árbitros internacionais. Um assunto que divide a classe que não concorda com os argumentos apresentados pelo actual presidente do CCAFA, Mulata Prata, a quem acusam de permitir que os filhos de antigos árbitros e de dirigentes tenham mais protagonismos dentro da classe.

Na opinião de Mulata Prata, foi a FIFA quem excluiu os três árbitros e o assistente, e nomeou os novos. Pergunto: tem a FIFA poder para excluir este ou aquele árbitro sem consultar o órgão que dirige a arbitragem num determinado país? Não tem. A substituição é sempre feita, depois de receber o aval da federação do país, em consonância com o órgão que dirige a arbitragem. Isto, para dizer, que foi o CCAFA quem fez chegar à FIFA a orientação para alterar o quadro de árbitros internacionais. Esta, é a pura verdade, quer queiram quer não.

Um caso que está a merecer a devida contestação é a indicação do árbitro do Moxico, Paulo Sérgio, que na opinião de Dibondo Abraão, tem apenas um ano de convivência no Girabola. Um árbitro para receber a insígnia da FIFA tem de ter muitos jogos nas pernas, uma carreira brilhante, de sucesso. E, pelos vistos, o árbitro do Moxico não tem. Por muito que tenha feito grandes exibições na sua estreia na alta-roda do futebol nacional, não me parece que tenha capacidade para chegar a árbitro internacional.

2-As férias representam um período de descanso, em que o funcionário tem o direito de retirar um pouco do stresse físico e mental causado pelo trabalho. O período mais aguardado dos funcionários é o de férias, que normalmente são de 30 dias. Este pequeno intróito tem a ver com as férias dos nossos jogadores de futebol. Férias que em muitas ocasiões, ultrapassam os 30 dias, prejudicando sobremaneira os cofres dos clubes que representam.

Há clubes que não possuem muito dinheiro. O pouco que têm, de ser gasto de forma faseada e equilibrada. Mesmo assim, há vezes em que as dívidas com jogadores, treinadores e prestadores de serviços passam para o ano seguinte. Pergunto: como podem arcar esses clubes com salários de jogadores que não estão no activo? Quando se faz uma análise profunda sobre o término de uma edição do Girabola, e o início da edição seguinte, vemos que o tempo que intermedeia é prolongado. Tempos atrás, chegou aos quatro meses!

Hoje nem tanto, é verdade, mas ainda assim, o tempo é grande. O Girabola/2016 encerrou as cortinas na primeira semana de Novembro, e a próxima edição, cujo sorteio se realizou na terça-feira, tem início agendado para o dia 11 de Fevereiro. Para colmatar o vazio, realizou-se em Luanda o torneio denominado Taça Independência. Uma iniciativa louvável, diga-se. Contudo, penso que não devia restringir-se só a Luanda, também às demais províncias que possuem equipas a disputar o Girabola.

Foi o primeiro passo, por isso, espero que as próximas edições sejam abrangentes às demais províncias, para que a prova tenha um cunho nacional.
Quando se analisam os contornos das férias prolongadas, temos de ter em conta as implicações financeiras, assim como a gestão de recursos humanos, porque os jogadores são activos dos clubes e há que salvaguardar este aspecto. Para os jogadores, quanto mais tempo na engorda, melhor. São férias prolongadas e a ganhar sem dar o litro. Está na hora de inverter o quadro. O momento é de reflexão.
Até para a semana.
Policarpo da Rosa

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