Jornal dos Desportos

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Opinio

Fim da picada argentina ou o renascer das cinzas

23 de Junho, 2018
A estrondosa e humilhante derrota da Argentina, na noite de quinta-feira, continua a ser o assunto do dia não só em Moscovo, mas em toda a Rússia e acredito que em todos os cantos do mundo.
Não é todos os dias que um candidato ao título mundial, recheado de estrelas de craveira internacional, é \"avacalhado\" de forma tão clara. O jogo e a derrota já fazem parte do passado, mas os seus estragos ainda são visíveis e vão certamente ter consequências, que ainda não somos capazes de dimensionar.
Uma grande decepção para milhões de argentinos e de seguidores da sua estrela mais cintilante, que teima em não brilhar nesta edição do Campeonato do Mundo, que a Rússia está a testemunhar. Apesar, de nas três edições anteriores não brilhar o suficiente para ajudar a \"alvi-celeste\" a sagrar-se campeã do mundo, era nele ( o baixinho) que estavam depositadas as esperanças de milhões de adeptos que se juntam aos argentinos, por sua causa dos seus dribles estonteantes e arrancadas fulminantes.
Depois de \"congelado\" pela geleira islandesa, todos os seguidores de entre eles muitos angolanos, esperavam que o seu génio despertasse e levasse a Argentina à glória, com a sua qualidade inquestionável. Mas, debalde. À choradeira de Don Diego Armando Maradona e de milhares de adeptos argentinos no estádio, associaram-se milhões de incrédulos seguidores da selecção da Argentina e de Messi, espalhados pelo planeta que também não contiveram as lágrimas.
Milhares de adeptos de Messi saíram defraudados, dos vários sítios onde estiveram reunidos para ver a estrela argentina brilhar, finalmente . Mas, qual quê! O coitado do cozinheiro do hotel onde estou a morar ficou completamente arrasado. Primeiro, com a \"pobre\" prestação do ídolo , depois pelo número exagerado da derrota.
Quando se fala de Messi, o nome de Cristiano Ronaldo vem sempre à baila. Não gosto de comparações, mas sou obrigado a referir, que embora o astro português não fosse tão brilhante até agora, com as suas modestas exibições consegue levar a água ao moinho de Portugal, com quatro tentos rubricados em dois jogos, contra nenhum do eterno \"rival\".
Dizem os seguidores e adeptos ferrenhos do baixinho argentino, que ainda há muito mundial para se jogar. Todavia, a verdade é que Messi e companhia têm 90 minutos para tentar \"corrigir o que está mal\", para manter a selecção na competição, algo que no seu início do campeonato estava fora das cogitações da maioria dos amantes do futebol mundial. Não estava nas previsões, até dos pessimistas que ao cabo de duas jornadas, a Argentina de Lionel Messi estivesse à beira de regressar, antecipadamente, para as férias.
Apesar de \"a esperança é a última a morrer\", o empate com a Islândia e a derrota com a Croácia são duros golpes às aspirações da Argentina e podem comprometem seriamente os objectivos da alvi -celeste, e deixam os seus adeptos completamente em desespero. Quase já não acreditam no \"milagre\". Nada está perdido, podem dizer os adeptos optimistas, mas a Nigéria, último adversário da Argentina e de Messi, nesta fase preliminar, não é nenhuma \"pêra doce\".
Amândio Clemente |Moscovo

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