Jornal dos Desportos

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Opinio

Foi uma prova de fortes emoes

19 de Julho, 2018
Com emoções, surpresas e várias lições de como anular favoritos, a maior competição futebolística mundial foi sem dúvidas positiva, embora, alguma polémica como sempre com a arbitragem, mesmo com recurso à tecnologia VAR. Com a consagração da França, em que actua Blaise Matuidi – filho de um angolano e uma congolesa (RDC) – o Mundial 2018 terminou no domingo, na Rússia, deixa saudades a muitos, também pode ser para esquecimento, concomitantemente, de reflexão para outros.
Os franceses foram verdadeiros campeões, com uma juventude a dar mostras do bom jogar, Pogba, Mbappé e Griezmann, verdadeiras ameaças às defesas contrárias. Esses, pretendem que o cenário festivo continue como aconteceu há 20 anos, quando conquistaram o primeiro troféu na era Zidane e do actual técnico Didier Deschamps, que entra para o grupo restrito de três treinadores, que levantaram a taça também como jogadores. Os outros dois, são Zagallo e Beckembauer.
Depois de um início tímido nesta 21ª edição, com resultados apertados na fase de grupos (C), em que venceram a Austrália (2-1), o Peru (1-0) e empataram com a Dinamarca (0-0), os “europeus africanos” deram uma verdadeira lição de como anular um favorito, quando afastaram nos oitavos - de -final a temível Argentina de Lionel Messi, que com certeza deve esquecer o mais rápido possível esta prestação, mas sem antes fazer uma profunda reflexão, em torno do que se passou. Depois, foi só seguir com triunfos sobre o Uruguai (2-0), Bélgica e Croácia.
Esses últimos, embora tenham perdido a final, foram dignos vencidos e fizeram uma prova de encher os olhos, mereceram os aplausos dos aficcionados do desporto rei. Modric, Rakitic, Perisic e companheiros, foram verdadeiros heróis, o primeiro mereceu o prémio de melhor jogador da competição.
A esses coube ainda, a “proeza” de terem eliminado os anfitriões, num jogo de grandes emoções, levado até às grandes penalidades.
Com um meio campo de luxo, a equipa croata pôs em sentido todos os adversários que defrontou, inclusive a Argentina, que foi derrotada copiosamente, por 3-0, ainda na fase de grupos. Outra das sensações foi a Bélgica, com uma geração de ouro: Hazard, Lukaku, De Bruyne, Carrasco, Courtois, Witsel, Vertonghen a exibirem-se ao mais alto nível, caiu apenas diante da consagrada França, nas meias-finais (1-0), num encontro emocionante, com jogadas espectaculares. Contudo, tiveram de contentar-se com a medalha de bronze.
Antes, protagonizaram uma das “surpresas” na prova, ao deixarem cair “nos quartos” a selecção mais sucedida em mundiais, a do Brasil, com cinco títulos. Grandes emoções verificaram-se, igualmente, nos jogos que envolveram os representantes africanos, que sofreram golos decisivos, em partes finais das partidas.
Egipto, Marrocos, Tunísia, Nigéria e Senegal não transitaram para a fase seguinte, situação que não acontecia há 36 anos. A última vez que tal aconteceu, foi no Mundial-1982, em Espanha, quando os Camarões e a Argélia não passaram à segunda fase da prova, que ainda se disputava com uma segunda fase de grupos. Um facto, decepcionante para os africanos, que pretendiam ver pela primeira vez na sua história, o continente nas meias-finais.
A primeira grande sensação na Rússia, deu-se com a queda da selecção campeã do Mundo, aos pés de um brilhante México. Alemanha não fez melhor que os africanos, ao não passar da fase de grupos. Um autêntico balde de água fria para os adeptos, jogadores, dirigente e admiradores da“mannschaft”.
Espanha também não fez melhor. O crónico favorito ficou nos oitavos, aos pés dos russos, num desafio igualmente “impróprio para cardíacos”, resolvido, somente, na marcação de grandes penalidades.
O Mundo queria ver até onde iam os brilhantismos de Cristiano Ronaldo, Messi e até de Neymar. Nenhum correspondeu às expectativas. CR7 ainda deu alegria, sobretudo, na estreia em que fez um hat - trick frente a Espanha. De resto, nada mais se viu, teve uma actuação, assim como os outros dois, abaixo do que se esperava.
O vídeo - árbitro não dirimiu todos os problemas do futebol, e nem sei se há tecnologia para tal, mas ainda assim, veio ajudar os árbitros em muitos casos complexos de ajuizamento.
As equipas, teoricamente menos cotadas, apareceram completamente desinibidas e sem qualquer receio de discutirem os jogos, o que deu um outro interesse à competição, que foi o centro das atenções em todo Mundo, durante o seu decurso.
O primeiro organizado na Europa do Leste, o Mundial 2018 chegou ao fim, já deixa saudades pela sua mediatização. Que venha o Qatar2022… Pascoal Bernardo, ANGOP

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