Jornal dos Desportos

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Opinio

Frana Ndalu, ngelo Veiga e... falsos atletas angolanos

02 de Setembro, 2019
Ontem de manhã , ávido de leitura, retomei a obra “Entrevistas com a História”, da autoria do jornalista da rádio Luanda Antena Comercial (LAC), José Rodrigues. Folhei as páginas 210 e 211, na parte em que pergunta ao nacionalista António dos Santos França \"Ndalu\", se de facto, sendo angolano, chegou a integrar a selecção cubana de futebol.
O nacionalista que já jogou no Sporting e Coimbra de Portugal, que, já com Angola independente, presidiu o clube 1º de Agosto, foi simples e directo na resposta: \"Claro, eu lá vivia o campeonato e jogava na equipa da Universidade de Havana, perguntaram-me se queria jogar na selecção e eu disse - bom, se a vossa Constituição permite então aceito e joguei, fiz muitos golos.
Depois o jornalista colocou outra questão.\" Tem passaporte cubano? A resposta foi tira e queda como se diz. \"Não, já não tenho\".
Como se percebe, já naquele temFrança Ndalu, como outros craques do seu tempo aceitou e obedeceu a nacionalidade e a Lei, atitudes que, nos dias que correm, estão invertidas, até mesmo entre nós...
Por esta razão, no Girabola, devido às \"makas\" do passado - árbitros suspeitos no ajuizamento de lances e jogos, resultados combinados e enfim... - não tenho dúvida de que esta edição do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, que ontem já saiu da sua terceira jornada, vai (e está ser) alvo de um acompanhamento rigoroso, não só da imprensa e dos adeptos, mas, também de outras instituições e órgãos interessadas nos \"efeitos colaterais\" que a prova deixa à vista, algumas vezes até a preocuparem as autoridades políticas do país.
E uma destas particularidades, a meu ver, tem a ver com o ingresso de jogadores estrangeiros de forma fraudulenta em algumas equipas, conforme deixam entender alguns comentários já nestes dias.
A Federação Angolana de Futebol não pode fechar as vistas, não pode ter membros seus a assobiarem de lado, mesmo diante de forte suspeita de, por exemplo, um jogador que tenha vindo da República do Congo, com a respectiva nacionalidade congolesa, em menos de dois ou três anos, apareça inscrito como angolano, sem preencher os requisitos legais. Assim não dá, porque dá em crime de falsas declarações e falsificação de documentos e outros punidos por Lei.
O antigo ministro do Interior, Ângelo Tavares da Mota Veiga, certa vez, em pleno Conselho Consultivo Alargado Conjunto da Delegação Provincial de Luanda do Ministério e do Comando Provincial da Policia Nacional, alertou à federação e aos clubes da necessária observação dos princípios legalmente estabelecidos, para quem for mais-valia para o futebol nacional, poder beneficiar do estatuto de cidadão angolano, mas... os fora-da-lei devem ser derrotados pela Lei, melhor ser levados a tribunal.
Lembro-me de ter avisado aos dirigentes da Federação Angolana de Futebol e das equipas, que seriam levados à justiça aqueles que facilitarem a atribuição ilegal de cidadania angolana a atletas estrangeiros.
\"Sobre eles, nós iremos accionar mecanismos legais na perspectiva de responsabilizá-los, civil e criminalmente\", prometeu na altura e não sei se houve até hoje alguma detenção ou algum julgamento.
Se não o fez, então defendo que, a partir desta segunda feita, a Federação Angolana de Futebol ainda passe ( e pode!) detectar jogadores em fraude de nacionalidade angolana.
A instituição, está promeu, faz tempo - e se eu não estiver errado foi desde 2015 - que as inscrição dos jogadores na Federação Angolana de Futebol (FAF), para as competições sob a sua égide, passariam a ser feitas através de um novo sistema definido pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA).
Este sistema, designado TMS/FIFA, permite maior segurança no registo e inscrição de jogadores, evitando adulteração de dados, como nomes, idades e nacionalidade. Todos os clubes da 1ª e 2ª Divisão estão informados pela Federação Angolana de Futebol.
Recordo-me do então director nacional do Ministério da Juventude e Desporto para Política Desportiva, António Gomes, ter exaustivamente tocado nesta questão, quando foi favorável ao aumento e inscrição do número de jogadores estrangeiros nas equipas nacionais, de três para cinco, na esteira da decisão saída de uma reunião entre os clubes e a Federação Angolana de Futebol.
Resta saber se, pelo que já se está a dizer nos bastidores deste corrente campeonato, diante de fortes suspeitas de jogadores mal inscritos como angolanos - mas afinal estrangeiros - se houve mesmo ou não um rigoroso acompanhamento, para o impedimento de tais práticas negativas.
Ou seja, a Federação Angolana de Futebol e os clubes encontraram solução?
Considero que, em Angola, podemos, todos unidos, denunciar os clubes que forjam nacionalidade angolana para jogadores forasteiros, mas que, postos aqui, tornam-se angolanos por via da \"kitanda\" de documentos. Decididamente, assim não dá!
Está, por exemplo, provado que o médio ofensivo Mongo (ex-Kabuscorp), que reforçou recentemente o plantel do 1º de Agosto, onde até mostrou-se satisfeito por fazer parte do grupo que continua a ser congolês democrata?
Quando Pedro Neto se mostrou indisponível, para voltar a recandidatar-se à presidência da Federação Angolana de Futebol, António dos Santos França \"Ndalu\", como então presidente da Mesa da Assembleia-Geral, apelou, antecipadamente, a quem fosse eleito para o quadriénio 2017-2021, que teria de fazer tudo, mas absolutamente tudo, no sentido de fazer Angola ter um futebol melhor organizado.
António Felix

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