Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Frenesin no Girabola

09 de Setembro, 2017
No meio de tudo isso, há as situações decorrentes da competição onde uns menos abastados e até \"desfavorecidos\" continuam de mãos estendidas, buscando quem lhes molhe a mão para puderem aguentar a dureza da prova até o seu final. Lamúrias à parte, o Girabola Zap 2017 trás de facto novos paradigmas que, analisados a fundo, proporcionam outras análises e até outros estudos.

O 1º de Agosto e Petro de Luanda hoje, a poucas jornadas do final da prova, posicionam-se na primeira linha sendo, praticamente, os únicos dois que \"sobreviveram\" à luta pelo título, atendendo a concorrência inicial.

Na verdade, equipas como Kabuscorp do Palanca, Interclube, Recreativo do Libolo e até o Sagrada Esperança que se afincavam no final da primeira volta e que assumiam o rótulo de sérios candidatos acabaram, por razões de natureza competitiva, por ficarem relegados num plano terciário, em função dos feitos conseguidos até agora que se traduzem estatisticamente pelos números.

Nada melhor que os números para aferir o desempenho de cada uma delas. E são esses mesmos números que irão \"falar\" no fim, ao \"lavar dos cestos\".

Em relação ao frenesim competitivo de que falava no princípio, reitero que há uma luta salutar e ferrenha entre os dois maiores colossos do nosso futebol.

O 1º de Agosto e Petro de Luanda nos últimos dois anos decidiram acordar de uma letargia impressionante. Aliás, diga-se, foi essa mesma letargia que motivou que os \"emergentes\" Libolo e Kabuscorp \"ousassem\" conquistar títulos no Girabola.

Hoje, a realidade é outra. Diferente. Militares e Petrolíferos decidiram sacar dos galões e dizer às respectivas massas associativas de que \"estamos aqui, presentes e com todo potencial de que nos reconhecem\".

Assumiram de facto e de \"jure\" as suas responsabilidades, não fossem os detentores do maior número de títulos nas suas respectivas galerias.

Verdade seja dita, o aparecimento \"atrevido\" de clubes \"emergentes\" teve o seu quê de positivo um dos quais, diga-se, foi ter \"obrigado\" os dois colossos D´Agosto e Petro de Luanda a reverem as suas estratégias operacionais e sacudirem, digamos, a \"alienação\" que quase os consumia.

Por outro lado, possibilitou que Recreativo do Libolo e Kabuscorp do Palanca, mudassem o paradigma do nosso futebol onde apenas nos acostumávamos a ver ganhar os mesmos. Recheado de um histórico que vem do tempo da outra senhora, o Recreativo do Libolo renascido das cinzas, chegou, viu e venceu, acumulando, numa sentada de 5 anos, 4 valorosos títulos.
É obra!

Vendo a tabela por baixo, o que notamos é ainda a imagem do frenesim competitivo dos contendores, na acérrima luta para evitarem à despromoção.

Clubes como o Santa Rita de Cássia, JGM do Huambo, Progresso da Lunda-Sul, ASA, Académica do Lobito e também o 1º de Maio de Benguela, fazem pela vida para se manterem entre os grandes do futebol nacional.

A falta de recursos financeiros, patrocínios afins, organização e gestão desportiva e, em último caso, a capacidade competitiva em face de qualidade razoável dos seus planteis, desconfio serem as causas fundamentais por aquilo que passam.Infelizmente, hoje o nosso futebol ainda não é um produto vendável e com valor acrescentado a ponto de provocar a devida comercialização de activos no que ao aspecto mercadológico diz respeito.

As marcas, não conseguem produzir renda nem a partir do merchandising nem ainda provocando outras fontes de rendimento. A televisão tem sido a única forma de puder espalhar a imagem do nosso campeonato e, por via disso, proporcionar \"algum\" aos clubes intervenientes, com bases contractuais bem definidas com a detentora dos direitos de transmissão.

Por via de outros órgãos de imprensa desportiva também se espalha o rastilho futebolístico nacional a nível interno e extramuros.
Por tudo isso, tenho crença que, até ao final da prova, deveremos assistir ainda muito (bom) futebol, dentro e fora das 4 linhas. As ameaçadas de desistências de algumas equipas, por falta de recursos e falta de comparência em sua própria casa, como aconteceu recentemente com os \"Sambukilas\", entre outros episódios menos bons, acabam por ser algumas das máculas que marcam pela negativa a prova.

Ganhar com respeito e perder com dignidade é o que se impõem num espírito verdadeiramente olímpico lembrando o célebre Pierre de Coubertin…


Girabola num véu de ambiguidades

Quando estamos a sensivelmente sete jornadas do fim do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão cresce a expectativa em torno das contas finais do mesmo. A prova que ganhou, nos últimos tempos, o cognome de Girabola Zap está ser disputada num véu de inúmeras ambiguidades e de incertezas.

Além da competitividade que envolve as 16 equipas que desfilam neste carrossel da maior prova do nosso “association”, com umas a lutarem pelo título, outras para os lugares medianos e as que estão acossados pelo espectro da despromoção, há ainda os propalados casos de corrupção. O órgão reitor do futebol no país está no encalce desses.

No concernente ao título Petro de Luanda, actual líder com 52 pontos, e 1º de Agosto, 2º colocado com menos dois, entram na discussão como os dois mais sérios candidatos.É importante realçar que de 1979 a 2001, o reinado destes dois emblemas do nosso futebol só foi interrompido pelo 1º de Maio, que subiu ao pódio em 1983 e 1985.

Ao cabo dessas 23 épocas, o 1º de Agosto, conquistou títulos em 1979, 1980, 1981, 1991, 1992, 1996, 1998, 1999, 2006 e 2016, portanto 10. Já o Petro, que subiu em quinze ocasiões ao pódio do agora denominado Girabola Zap, tem o registo de títulos na sua galeria inscritos nos anos de 1982, 1984, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1993, 1994, 1995, 1997, 2000, 2001, 2008 e 2009 sucessivamente.

Por isso, tanto o Petro, como o 1º de Agosto, que curiosamente jogam amanhã, domingo, no clássico do clássido do Girabola, podem, definir o rumo para o título da época. Aliás, com toda naturalidade tem sempre uma palavra a dizer em relação a prova.

Nas contas para a corrida ao título da presente época estão, ainda, o Sagrada Esperança da Lunda Norte, Kabuscorp do Palanca, Recreativo do Libolo e Interclube, colocados sucessivamente na terceira, quarta, quinta e sexta posições, sucessivamente.

Quer os diamantíferos, campeões nacionais de 2005, quer os palanquinos, que somam 41 e 39 pontos, podem, ainda, entrar na perseguição do d’Agosto e do Petro, que só dependem de si para conquistar do céptro. O Libolo e Interclube, com 38 e 36 pontos, têm também, ainda, chances de chegar ao título. A turma de Calulo foi campeã em 2011, 2012, 2014 e 1015, ao passo que o Interclube nas épocas de 2007 e 2010.

Progresso do Sambizanga, 7º colocado com 34 pontos; Recreativo da Caála do Huambo, 8º com 32, bem assim como Clube Desportivo da Huíla (CDH) e 1º de Maio de Benguela, 9º e 10º com 26 cada, ocupam os lugares medianos da tabela de classificação.

Contudo, têm de manter o embalo nesta ponta final do campeonato para não verem a sua situação a complicar-se, já que as equipas que se encontram da 11ª a 16ª e última posição, podem ainda, a alcançar-lhes na pontuação que ostentam de momento.

Nesta zona movediça da tabela de classificação geral aparecem as equipas do FC Bravos do Maquis, 11º colocado com 25 pontos; Atlético Sport Aviação (ASA), 12º com 22; Académica do Lobito, 13ª com 21 pontos; JGM do Huambo, 14º com 19; Progresso da Lunda Sul, 15º com 18; e Santa Rita, no 16º e último com 16.

Ambas estão sobre a linha-de-água e equilibradas em termos de pontuação. Basta referir, a esse respetio, que a diferença que separa o 11º colocado, o Bravos do Maquis, ao último, Santa Rita de Cássia do Uíge, é de apenas nove pontos, 25-16, no caso.

Numa outra perspectiva, é relevante também trazer ao de cima à estampa desta coluna de opinião o facto de a presente edição do Girabola Zap ser marcado por muitos casos badalados. A esse nível deve-se dar destaque aos alegados casos de corrupção e de frequentes ameaças de abandono da prova por algumas equipas.

Recentemente aconteceu outro caso caricato no nosso Girabola, com o Progresso da Lunda Sul, na condição de anfitrião, a perder para o “confrade” de Luanda por falta de comparência, repetindo, assim, algo que havia antecedido com o Kabuscorp em 1998, frente a Académica do Lobito. De acordo com os regulamentos da prova duas faltas de comparências ou noutra perspectiva na última ronda, resulta em despromoção imediata.

Um ano antes da despromoção do Kabuscorp ocorreu a desistência do Grupo Desportivo da EKA do Dondo, da província do Kwanza Norte, da maior festa do nosso futebol, por razões de incapacidade financeira. Por razões semelhantes, em 1999 e 2000 ocorreram também as desistências da Sécil Marítima e do Cambondo de Malanje.

Este ano outro revés voltou acossar outra agremiação da capital do país, Luanda, no caso a turma do Benfica, então orientada por Zeca Amaral. O clube da águia de Luanda, que ao longo dos anos teve prestações dignas de registo no campeonato e com períodos de bonança, particularmente quando estava na presidência da agremiação a até então deputada pelo MPLA, Tchizé dos Santos, jovem empresária que se vem mostrando também como figura empreendedor do nosso desporto.

A formação encarnada, através de um ex-dirigente seu, endereçou este ano uma carta de denúncia ao órgão reitor do futebol nacional, apontando casos de corrupção que envolviam responsáveis do emblema da capital. O caso, de que a Federação vem auscultando os acusados, já chegou também aos meandros da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA).

As ameaças de desistências merecem uma atenção profunda do órgão que superintende o nosso futebol. Julgo incompreensível estas assumirem o compromisso de participar ao ascenderem e depois, logo na primeira esquina, anunciar desistência, por questões financeiras. A FAF deveria exigir dos clubes provas das suas reais capacidades para tal.

Há outros registos, ainda, de casos de corrupção. O ASA, por seu turno, pode vir a sentir a mão pesada da FAF, por uma falsa denúncia. Depois de alegações de que apresentariam provas contra o árbitro Miguel Mateus, que ajuizou o jogo entre ASA e o JGM, em que a turma do Huambo vencera 1-0, até à data nada ficou comprovado.

Um assunto ainda muito badalado nos últimos dias envolveu a formação da Santa Rita de Cássia e o Progresso da Lunda Sul. A turma da cidade cafeícola, apresentara um protesto dando conta de que o atleta Cabibi, actuara à margem da leis, no jogo que opôs esta ao Progresso da Lunda Sul, para a 19ª jornada.

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