Jornal dos Desportos

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Opinio

Futebol adaptado espreita Guadalajara

29 de Setembro, 2018
Tal como acontece com outras modalidades como o basquetebol em cadeiras de rodas e atletismo, onde o país tem registado boas marcas em termos competitivos, o futebol adaptado é outra disciplina que deve merecer a atenção das estruturas de direito.
Não simplesmente por ter ligação com as pessoas portadoras de deficiência, mas sobretudo pelo desempenho que os atletas nacionais vão tendo e também pelo feito conquistado em 2014 no Mundial de Futebol para Amputados.
É ponto assente que a conquista do segundo lugar no mundial disputado no México há quatro anos serve de estímulo para a nova empreitada que acontece de 25 de Outubro a 5 de Novembro deste ano em Guadalajara, igualmente neste país latino-americano.
Talvez seja por esse facto, que a equipa técnica nacional de futebol para amputados, às ordens de Augusto Baptista Sucumbula, começou a esboçar em Junho último, a estratégia com vista a campanha de Angola no Mundial da categoria deste ano.
O primeiro ciclo da preparação estendeu-se até 2 de Junho e a predominância dos trabalhos recaiu para os aspectos inerentes a componente física e técnica dos atletas.No primeiro ensaio realizado na capital do país, Luanda, a equipa técnica tentou buscar a excelência no trabalho desenvolvido, bem assim como o entrosamento e adaptação dos jogadores convocados durante a referida fase.
A mesma foi integrada por futebolistas adaptados das províncias do Bengo, Malanje, Benguela, Huambo e Moxico, além obviamente de Luanda que se caracteriza como principal pólo de desenvolvimento desta disciplina no país.
O seleccionador nacional Augusto Baptista Sucumbula, bem como os seus coadjuctores Hélder Zeferino Gomes e Luís Manuel, tem como meta em Guadalajara a manutenção do estatuto de vice-campeão e acima de tudo uma boa campanha.
O aprumo dos detalhes de jogo, a organização defensiva e o ajustamento da eficácia ofensiva, assim como a recuperação da condição física e realização de testes médicos, também estiveram na ordem das prioridades na fase inicial de preparação.
Durante a preparação, alternada entre os Estádios dos Coqueiros e o da Cidadela Desportiva, para os ensaios dos esquemas de jogos e outros pormenores tácticos, foi bem visível a entrega dos atletas que buscam um lugar entre os eleitos de Guadalajara.Nunca é demais recordar que em 2014 Angola sagrou-se vice-campeã numa prova em que além do anfitrião México, participaram ainda o Brasil, Argentina, Colômbia, El-Salvador, Estados Unidos da América, Haiti, Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Polónia, Turquia, Irlanda, Rússia, Ucrânia, Geórgia, Uzbequistão, Japão e Irão. É mister sublinhar, aqui, que no Mundial de 2014 a Selecção Nacional perdeu a final com a similar da Rússia, por 3-1, mas ainda assim, os angolanos saíram da prova de cabeça erguida.
E é legítimo esperar que Angola faça também boa figura este ano no Mundial que se disputa de 25 de Outubro a 5 de Novembro. A manutenção do estatuto de vice-campeão é assumida como uma meta, mas convenhamos admitir, também, que quem chega a um segundo lugar pode sonhar mais alto. Ou seja, pode espreitar o título.
Internamente pode-se também destacar a disputa, este mês, da décima-segunda edição do campeonato de futebol para amputados, ganho pelo Misto do Huambo, com uma goleada de 5-0 sobre FC da Funda, no jogo que cerrou as cortinas do torneio.
Na competição nacional Pedro Victor, do Misto de Benguela, foi o melhor marcador com 16 golos apontados, ao passo que Sebastião Canjuluca (Misto do Huambo) recebeu o troféu de guarda-redes menos batido, com apenas dois tentos consentidos.
Além de melhor marcador, o futebolista adaptado do Misto de Benguela foi considerado também como melhor jogador do certame.
No “nacional” disputado de 9 a 15 deste mês na cidade das “Acácias Rubras”, Benguela, o Misto local que se exibiu nas vestes de detentor do troféu, acabou por ser a grande decepção por falhar a revalidação do título. O Misto de Malanje, que arrebatou o terceiro lugar, foi a revelação do torneio que foi marcado por resultados muitos desnivelados e que se disputou no sistema de todos contra todos a uma volta.
A prova em si pode ter representado mais uma janela para a equipa técnica nacional avaliar os potenciais jogadores seleccionáveis para o Mundial de Guadalajara, onde Angola vai competir no Grupo D, ao lado da Espanha, com que se estreia a 28 de Outubro, assim como com a Ucrânia e Haiti, com que joga dias 29 e 30 do citado mês.
Sérgio V. Dias

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