Jornal dos Desportos

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Opinio

Futebol e resilincia

01 de Julho, 2018
O Mundial de futebol é uma festa, são poucas as opiniões contrárias. Uma festa que se joga dentro e fora dos relvados, é uma prova que congrega milhões de aficcionados pelo mundo fora, em que muitos são os casos inauditos que acontecem.
Os grandes futebolistas que a história regista, não nasceram em berços nem foram forjados em laboratórios desportivos. Não. Eles nasceram ( e muitos ainda nascem) nos pelados, miúdos que sonham e têm ídolos, crianças que aprendem o ABC do futebol todos os dias, ali, onde por vezes têm noites mal dormidas e as agruras da vida atenuadas ao correrem atrás de uma bola.
A história de Alireza Beiranvand, guarda-redes do Irão, é de resiliência. Beiranvand nasceu em 1992 numa pequena vila de Lorestão, Irão, no seio de uma família nómada que andava sempre em movimento pelas zonas rurais, em busca de pastagens para as ovelhas.
Alireza era filho mais velho, começou a trabalhar desde muito cedo com os pais. Nos tempos livres, jogava a futebol e Dal Paran, um jogo tradicional da região, com os amigos.
Quando Beiranvand fez 12 anos, a família estabeleceu-se em Sarabias e o rapaz começou a treinar futebol numa equipa local, como avançado. Quando o guarda-redes se lesionou, Alireza substituiu-o, fez defesas brilhantes, que o manteve lá.
Segundo os relatos, o jovem jogador nem sempre teve o apoio da família. Apesar de querer ser guarda-redes profissional, o pai opôs-se, fortemente, à ideia. Morteza Beiranvand pensava como muitos pais iranianos, que o futebol não podia ser um emprego, preferia que Alireza fosse um simples trabalhador no campo.
A oportunidade, para mudar o seu rumo de vida, surgiu quando fugiu de casa e foi para Teerão, capital do Irão, à procura de uma oportunidade para jogar futebol, como profissional. Com dinheiro emprestado por um parente, Alizera apanhou um autocarro, onde conheceu Hossein Feiz, um treinador de uma equipa local, que disse que o deixava treinar em troca de 200 mil toman (moeda iraniana).
O problema, é que após o pagamento, ia faltar dinheiro para ter um lugar onde dormir. E, faltou. Alizera passou várias noites perto da Torre Azadi, na capital onde muitos migrantes pobres se reuniam. Numa dessas noites, o jovem decidiu dormir à porta do clube de Feiz.
Por fim, o treinador concordou em deixá-lo treinar sem pagar. O jovem iraniano permaneceu na casa do capitão de equipa, durante duas semanas, depois, começou a trabalhar numa fábrica de costura, onde também passava à noite.
Finalmente, conseguiu a oportunidade no clube Naft e foi lá, que começou a brilhar. Depois de seleccionado para os sub-23, chegou a guarda-redes da equipa do Naft. Em 2015, tornou-se titular como guarda-redes do Irão, ajudou a equipa a chegar ao Mundial da Rússia, este ano.
O sul -coreano, Heung-Min Son, também vive um caso raro da sua vida. Jogador de uma das prestigiadas ligas do mundo, o futebolista do Tottenham da Inglaterra, aos 26 anos, precisava de cumprir 21 meses de serviço militar obrigatório, e só um grande feito pelo seu país pode evitar que o jogador se apresentasse para fazer a recruta.
Os oitavos de final, para a selecção da Coreia do Sul, era o mínimo que o governo local estabeleceu para o jogador do Tottenham escusar-se da obrigação, mas com o eliminação da selecção asiática, ainda que com a estrondosa vitória sobre a Alemanha, na última jornada da fase de grupos, as coisas ficaram mais complicadas.
Agora, há uma outra alternativa. Em caso de triunfo nos próximos Jogos Olímpicos - Son precisa de cumprir o serviço militar até aos 28 anos - ou a vitória nos Jogos Asiáticos.
Momentos de muita pressão, para um jogador que quer afirmar-se no conjunto londrino, ademais, quando deu nas vistas neste mundial em que foi um dos carrascos da Alemanha, com o tento que deu a machada final aos ainda campeões do mundo.
No Mundial, os jogadores fazem história, cada um à sua maneira. O mexicano Jesus Gallardo, defesa da sua selecção, entrou para a história ao ver o cartão mais rápido de sempre em campeonatos do mundo. O jogador demorou 15 segundos, para ser admoestado com a cartolina amarela, no jogo com a selecção da Suécia, o que constitui novo recorde.
Com as arbitragens na ordem do dia, em que muitos critérios são questionáveis, como o que tirou o Senegal do campeonato e privou a África de um representante na fase dos oitavos de final, a rapidez com o jogador mexicano foi punida pelo árbitro que deu que falar, até porque Gallardo, nem teve tempo para aquecer nas quatro linhas.
O tombo da Alemanha, nos oitavos de final, foi uma raridade histórica, uma vez que só por uma vez a selecção alemã foi eliminada na primeira ronda do Mundial, em 1938.
Na altura, o campeonato do mundo não tinha a fase inicial de grupos, começava com uma eliminatória de oitavos-de-final, que a Alemanha perdeu frente à Suíça, por 4-2, num jogo de repetição, após o empate a 1-1, no primeiro.
A eliminação da Alemanha provocou choros por todos cantos do mundo. Juntas as lágrimas vertidas pela desqualificação, podiam levar o Danúbio a uma enchente, que daria origem à uma situação de calamidade!
Fontes Pereira

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