Jornal dos Desportos

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Opinio

Futebol outra vez a dor-de-cabea

30 de Dezembro, 2016
Final do ano, altura obrigatória para retrospectiva. É um exercício recorrente ao qual não se pode fugir. 2016 não foi rico em resultados desportivos, mais uma vez, para a modalidade rainha. Porém, no meio de tanto desgosto, lá se conseguiu a presença na fase final do CAN de sub-17, que se disputa no próximo ano em Madagáscar. Fazia curiosamente dezassete anos desde que os Palanquinhas disputaram pela última vez o torneio continental. Foi em 1999, na Guiné-Conacry, que a geração de Gilberto e outros jogaram o CAN.

As outras modalidades, àquelas sobre as quais não há muitas queixas quanto aos resultados, voltaram a brilhar. O andebol feminino resgatou (de maneira categórica) o título perdido na Argélia, e o masculino conseguiu pela terceira vez presença no Mundial da França.

O basquetebol feminino conquistou pelas mãos do Interclube o título da Taça dos Campeões, o Libolo em masculino desperdiçou a oportunidade. E a selecção masculina de sub-17 colocou fim ao jejum de 28 anos. Portanto, o andebol e o basquetebol fizeram o que lhes competia, como quase sempre.

O futebol é, como se disse, a nossa principal dor de cabeça. Mais uma vez não se qualificou para o CAN, com o palco no Gabão já em Janeiro, assim como desperdiçou há dois a ida à Guiné-Equatorial. Mundial só mesmo nos sonhos, depois da "fezada" em 2006, agora é contar os anos a ver quando acontece o próximo milagre.

À parte a questão competitiva, o decisivo na campanha dos Palancas Negras são ou foram sem dúvidas as decisões agrestes tomadas pela direcção da Federação Angolana de Futebol agora substituída.

Despedir um treinador no decurso de uma campanha por uma questão solúvel com um simples telefonema, deitando todo o interesse nacional em jogo, é de um amadorismo que não faz lembrar ao diabo. Não foi apenas um simples despedimento. Foi uma desestruturação de um trabalho que já estava a ganhar corpo, com ingresso de novos jogadores e só precisava de tempo para se afirmar. Toda essa caminhada feita pelo treinador Romeu Filemon num ápice foi jogada ao lixo.

Não quero acrescentar o velho problema das equipas angolanas nas Afrotaças, pois talvez o País todo precise de ajoelhar para suplicar uma bênção. É crítico o desempenho das equipas nacionais nas Afrotaças. É um capitulo quanto a mim, riscado.

Atadas todas essas situações, não surpreende que o futebol acabe outra vez de mãos abanadas e cabisbaixo. A ponta final do ano desportivo foi ocupada com ou pelas eleições nas federações nacional. Destaque para corrida na Federação Angolana de Futebol que conheceu o novo inquilino, Artur Almeida de seu nome. Bateu na corrida José Luís Prata e OsvaldoSaturino "Jesus", este último por K.O.

A Federação de Basquetebol mergulhou numa crise na véspera de mais um pleito eleitoral, tal como ocorreu nas últimas que elegeram Paulo Madeira. Quanto a mim, a comissão eleitoral exagerou no rigor, pois podia perfeitamente solicitar a correcção do nome, e organizar o processo eleitoral. Não sendo assim, foi necessário uma conciliação para que tal acto fosse admitido, um trabalho que deslustra a competência técnica dos integrantes da comissão eleitoral.

Nas outras, a procissão vai apenas ao adro, e espera-se que não haja muitas polémicas para o bem do desportivo. Em particular naquelas federações com grandes repercussões para o desporto nacional, como Andebol por exemplo. Uma nota de realce também para o ciclismo, que será dirigida por uma senhora, depois da eleição da outra senhora no Ténis de Campo. Oxalá 2017 seja melhor. Feliza Ano Novo!
Teixeira Cândido

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